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Pediu pra sair

Prefeito de Florianópolis pede desfiliação do PSD para apoiar reeleição de Jorginho Mello

Prefeito de Florianópolis, Topázio Neto (PSD)
Prefeito de Florianópolis era alvo de processo de expulsão do partido e decidiu sair. (Foto: Lêo Russo/Prefeitura de Florianópolis)

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O prefeito de Florianópolis, Topázio Neto, oficializou nesta quinta-feira (19) seu pedido de desfiliação do Partido Social Democrático (PSD). Em uma carta aberta em tom incisivo endereçada ao diretório estadual, o gestor da capital catarinense selou o rompimento após uma semana de escalada nas tensões internas, motivadas pela disputa ao governo de Santa Catarina e pelo alinhamento nacional da sigla para as eleições de 2026.

A saída antecipa um desfecho que já era desenhado nos bastidores. O diretório estadual havia protocolado, no início desta semana, um processo de expulsão contra Topázio por infidelidade partidária. O movimento ocorreu após o prefeito reafirmar seu apoio à reeleição do governador Jorginho Mello (PL), contrariando o projeto de candidatura própria do PSD, encabeçada pelo prefeito de Chapecó, João Rodrigues (PSD).

Na carta, Topázio não poupou críticas ao ex-colega de partido, classificando a movimentação de Rodrigues como um projeto pautado pelo "ego, vaidade e sede de poder."

"Ao se tornar candidato de si mesmo, o prefeito de Chapecó transformou seus companheiros de partido em reféns de um projeto sem sentido" , afirmou Topázio, acrescentando que desconhece qualquer projeto de estado planejado apresentado pelo político do oeste catarinense.

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"Guerra de áudios" reforça apoio a João Rodrigues

A decisão de Topázio veio após a confirmação da pré-candidatura de João Rodrigues ao governo estadual. No fim da tarde de quarta-feira (18), o atual prefeito de Chapecó enviou áudio a aliados em um grupo de mensagens confirmando que "continua no jogo", após um telefonema de respaldo do presidente nacional da legenda, Gilberto Kassab. No áudio, o prefeito de Chapecó também indicou proximidade com lideranças do PP e do MDB para compor uma chapa de oposição ao atual governo.

Além do dono do partido, outro cacique se manifestou em apoio a Rodrigues. Uma semana depois de ter convocado uma coletiva de imprensa para sugerir que o partido escolhesse outro nome após reação do prefeito de Chapecó, o ex-governador e ex-senador Jorge Bornhausen gravou vídeo em apoio ao correligionário do oeste.

Ainda na quarta-feira, o prefeito João Rodrigues anunciou o adiamento do evento que marcaria sua renúncia da Prefeitura de Chapecó, até então agendado para o sábado (21). Ele justificou que a cidade está sem capacidade para receber militantes de fora devido à realização da 14ª Mercoagro, feira internacional de proteína animal sediada em Chapecó. A nova data de renúncia ao executivo ainda não foi divulgada.

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Topázio Neto cobrou PSD por apoio a Flávio Bolsonaro

Um ponto crucial destacado por Topázio na carta para sua saída é o descompasso entre o PSD e o eleitorado catarinense em relação à corrida presidencial. O prefeito discorda que a sigla não apoie a candidatura de Flávio Bolsonaro ao Palácio do Planalto. Até o momento, o PSD mantém a posição de ter candidato próprio, com o governador do Paraná, Ratinho Júnior (PSD), favorito para encabeçar a chapa na disputa interna com os também pré-candidatos Ronaldo Caiado, governador de Goiás, e Eduardo Leite, chefe do Executivo no Rio Grande do Sul.

De acordo com o agora ex-pessedista, o partido caminha na "direção contrária" ao que deseja o estado, onde as forças de direita buscam unificação. Topázio alega ainda que, embora tenha recebido "compreensão e anuência" de Gilberto Kassab e do deputado Júlio Garcia sobre seu apoio a Jorginho Mello, a cúpula estadual optou pela "truculência e intimidação".

A desfiliação de Topázio Neto deixa o PSD sem o comando da prefeitura da capital do estado, ao mesmo tempo que fortalece o palanque de Jorginho Mello (PL), a quem Topázio classificou como um "gestor competente" e "o maior parceiro das prefeituras na história de Santa Catarina". Com o movimento, há portas abertas para Topázio no Republicanos e Podemos, mas no momento ele afirmou que permanecerá sem partido.

Com a saída formalizada, a reunião do diretório estadual que votaria a expulsão do prefeito foi cancelada. O foco agora no PSD catarinense é a estruturação da candidatura de João Rodrigues.

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