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Sem candidatura própria ao governo de São Paulo, o partido Agir decidiu despachar as fichas que lhe restam para o palanque de Tarcísio de Freitas (Republicanos) e para a candidatura de Renata Bolsonaro (Agir) à Câmara dos Deputados.
O partido teve a chapa ao governo de São Paulo indeferida pelo Tribunal Regional Eleitoral de São Paulo (TRE-SP) na sexta-feira (18) e, desde então, concentra os esforços no diretório estadual para eleger a candidata ao Congresso Nacional. A candidatura da candidata Policial Edjane (Agir) ficou inválida devido à desistência da vice, Professora Nayr Duarte (Agir), e à falta de prazo para a substituição do nome.
Renata Bolsonaro é casada com Alessandro Bolsonaro, que a assessoria da candidata descreve como parente distante do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), com quem tem em comum o trisavô. Após indeferimento da chapa própria do Agir, os laços da candidata com o grupo político se estreitaram.
Nas redes sociais, ela passou a publicar vídeos ao lado de Tarcísio e dos candidatos ao Senado André do Prado (PL) e Guilherme Derrite (PP). Por outro lado, a aproximação com o partido pode aumentar a penetração de Tarcísio em Sorocaba, onde o Agir possui dois vereadores eleitos - o terceiro vereador, Cícero João da Silva, mudou recentemente para o PSB, mas continua articulando pelo Agir em São Paulo.
Há, ainda, vereadores eleitos em São Bernardo do Campo, região metropolitana de São Paulo. Maiquel Santos de Assis, ex-vice-presidente do diretório municipal do PRTB durante a campanha de Pablo Marçal, em 2024, também integra o diretório. Ele esteve preso e condenado por quatro anos por extorsão mediante sequestro.
De acordo com apuração da Gazeta do Povo junto a integrantes do diretório estadual do Agir em São Paulo, o objetivo da migração para o palanque de Tarcísio é claro: consolidar Renata Bolsonaro como puxadora de votos e eleger ao menos mais um deputado do partido no estado, por meio do coeficiente eleitoral.
A Gazeta do Povo solicitou posicionamento oficial do Agir e entrou em contato com Maiquel Assis, mas não obteve retorno até esta publicação. O espaço está aberto para manifestação.
Agir tem acesso limitado ao fundo eleitoral e prioriza outros estados
Considerado "partido nanico", o Agir tem acesso a apenas 2% do Fundo Especial de Financiamento de Campanha, correspondentes a R$ 3,3 milhões, que foram divididos em grande parte entre Minas Gerais e Rio de Janeiro. Em São Paulo, de acordo com pessoas ligadas ao partido, a candidata que mais teria recebido recursos do "fundão" foi Renata Bolsonaro, mas apenas R$ 30 mil.
Em nota, a assessoria de Renata Bolsonaro afirmou que ela seguirá mobilizada em São Paulo e que, se eleita, pretende permanecer no partido "que abriu as portas" para sua candidatura. Afirma ainda que o Agir mantém o desafio de fortalecer candidaturas proporcionais e apresentar propostas aos eleitores paulistas.
"Existem candidatos a deputado federal e estadual percorrendo São Paulo, apresentando suas histórias e defendendo suas propostas. Esse trabalho precisa continuar”, complementa.
Convenção estadual declara apoio a Tarcísio, mas libera filiados para Fernando Haddad
No sábado (19), uma convenção extraordinária do diretório do Agir em São Paulo declarou apoio à candidatura de Tarcísio de Freitas à reeleição, "tendo em vista o compromisso assumido de incorporação, ao respectivo plano de governo, de pautas constantes do programa partidário apresentado pelo Agir".
Para o Senado, o partido ratificou a orientação de voto em André do Prado (PL) e, em segundo lugar, em William Teixeira (Agir), mas ressalvou que "permanecem os candidatos e filiados livres para deliberar e ajustar tais composições".
Integrantes do diretório estadual afirmam que a decisão busca não prejudicar os filiados que simpatizam com o outro lado do espectro político, como a candidatura de Fernando Haddad (PT) ao governo do estado.
De acordo com o TSE, a coligação de Tarcísio de Freitas já reunia dez partidos: Republicanos, PL, MDB, Democrata, Avante, PSD, a Federação Renovação Solidária (PRD e Solidariedade) e a Federação União Progressista (União e PP), além do apoio da federação PSDB-Cidadania. Com a adesão do Agir, o número de siglas que apoiam a reeleição do governador sobe para 13.
De acordo com apuração da Gazeta do Povo, o Republicanos não foi oficialmente procurado pelo Agir para formalizar o apoio à candidatura. Em nota, a assessoria da campanha de Tarcísio afirmou que "a campanha agradece o movimento do Agir e recebe com respeito qualquer manifestação de apoio à candidatura do governador Tarcísio de Freitas".
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