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O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos-SP), cancelou a visita ao ex-presidente da República Jair Bolsonaro (PL), preso no 19º Batalhão da Polícia Militar do Distrito Federal, a Papudinha, marcada para esta quinta-feira (22). O encontro do governador com Bolsonaro era aguardado para a definição dos rumos da direita nas eleições de 2026, tanto na corrida presidencial contra a reeleição de Lula quanto na disputa ao governo de São Paulo.
Com o lançamento da pré-candidatura de Flávio Bolsonaro (PL), uma eventual candidatura presidencial de Tarcísio ficou em segundo plano, apesar do apoio dos caciques políticos que lideram os principais partidos de centro e da centro-direita. O cenário eleitoral no estado de São Paulo começou o novo ano assim como terminou 2025: indefinido, enquanto o futuro político do governador não for decidido.
O adiamento da visita sob a justificativa de conflito na agenda gerou um mal-estar nos bastidores e, depois da repercussão negativa entre aliados do ex-presidente, Tarcísio repetiu que é pré-candidato à reeleição no estado de São Paulo e que irá "trabalhar sempre por uma direita unida e forte para tirar a esquerda do poder".
"Qualquer informação diferente desta não passa de especulação. Irei visitar o presidente Bolsonaro, a quem sou e serei grato e leal, na próxima quinta-feira para prestar o meu total apoio e solidariedade", informou o governador paulista na noite desta quinta-feira (22).
Tarcísio é o único do grupo de governadores presidenciáveis que pode disputar a reeleição, o que torna as articulações políticas ainda mais delicadas. Até as siglas de esquerda aguardam o futuro do chefe do Executivo paulista para intensificar as articulações para a campanha em 2026.
Por isso, o encontro entre Tarcísio e o ex-presidente da República e "padrinho" político é aguardado para apontar o rumo eleitoral da direita no estado e no país. A escolha de Bolsonaro pelo filho 01 na corrida presidencial não foi suficiente para a decisão definitiva do quadro eleitoral. Aliado próximo de Tarcísio de Freitas afirmou à reportagem da Gazeta do Povo que o rumo político do governador deve ser decidido em 60 dias, após a avaliação sobre a viabilidade eleitoral de Flávio.
A incerteza do rumo nas eleições e os ataques sofridos por Tarcísio teriam motivado o adiamento da visita dele ao ex-presidente da República preso, segundo políticos próximos do governador. Ao O Globo, Flávio minimizou o eventual atrito e disse que Tarcísio iria ouvir de Bolsonaro que a corrida presidencial está descartada para ele e que a campanha à reeleição em São Paulo é fundamental para o projeto nacional da direita em derrotar Lula nas urnas.
Após a resposta de Tarcísio pelas redes sociais, o filho de Bolsonaro reforçou a aliança com o governador nos comentários. "A esquerda treme!!! Bora resgatar o nosso Brasil juntos."
Tarcísio de Freitas tem apoio de Michelle Bolsonaro na corrida presidencial, diz aliado
Segundo o aliado do governador paulista ouvido pela Gazeta do Povo, Tarcísio de Freitas tem o apoio da ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro (PL), que trabalha pela pré-candidatura presidencial do governador paulista, independentemente de ser escolhida como candidata a vice. Além disso, ele avalia que a pré-candidatura de Flávio passa pela fase de consolidação, o que depende mais de apoio partidário de siglas da centro-direita do que do eventual desempenho do senador nas pesquisas.
No cenário estimulado com Tarcísio de Freitas, Flávio teve 23% da intenção de votos na primeira pesquisa Quaest de 2026. O governador de São Paulo somou 9% no cenário de primeiro turno liderado por Lula, com 36% da preferência dos eleitores entrevistados. Nos cenários com apenas um dos pré-candidatos, Flávio teve 26% da intenção de votos e Tarcísio atingiu 27%. Nos dois quadros, Lula lidera o primeiro turno.
Enquanto Tarcísio corre por fora e, para alguns, ainda se mantém entre os presidenciáveis mais fortes em oposição a Lula, os partidos da direita e da esquerda aguardam a definição sobre o futuro do governo para a confirmação de nomes e coligações nas eleições no estado de São Paulo. A data-limite para deixar o cargo e disputar a eleição presidencial é 4 de abril.
- Metodologia da pesquisa citada: 2.004 entrevistados pela Quaest entre os dias 8 e 11 de janeiro de 2026. A pesquisa foi contratada pelo Banco Genial S.A., com nível de confiança: 95%. Margem de erro: 2 pontos percentuais. Registro no TSE nº BR-00835/2026.
Partidos testam nomes de eventuais substitutos a Tarcísio na disputa ao governo de SP
Se optar pela corrida ao Planalto, além de abrir mão da reeleição, Tarcísio de Freitas terá que renunciar ao cargo de chefe do Executivo do maior estado brasileiro, atendendo à regra de desincompatibilização do cargo, seis meses antes do primeiro turno, conforme a Justiça Eleitoral.
A saída deixaria aberta a vaga no campo da direita na tentativa de fazer um sucessor no governo do estado nas eleições em 2026. O vice-governador Felício Ramuth (PSD-SP) assume o cargo pelo partido do cacique Gilberto Kassab, secretário de Governo da gestão paulista.
Com nove meses no comando do maior estado do país, Ramuth pode entrar na briga pela sucessão de Tarcísio. “Nesse cenário, o governo ficaria com o vice. Ele teria a máquina para tentar a eleição, apesar de não ser muito conhecido. Gilberto Kassab, líder maior do PSD, também quer a cadeira, o que geraria pressão interna no PSD", analisa o cientista político e professor do Insper em São Paulo, Leandro Consentino.
"Além disso, o Republicanos, partido do governador, pode filiar algum nome próximo às eleições para disputar o cargo", pontua o analista. Quem também aparece entre os cotados para concorrer ao governo estadual, caso Tarcísio de Freitas seja o candidato de oposição a Lula, é o prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes (MDB-SP).
Tarcísio é fruto de uma escolha estratégica, então seu eventual sucessor pode surgir da mesma forma.
Leandro Consentino, cientista político
“Em 2028, ele não disputará um novo mandato. Assim, ele pode lançar uma candidatura para governador neste ano. Outros prefeitos, como [José] Serra e [João] Dória, foram vitoriosos nesse caminho”, comenta o cientista político. Neste caso, porém, há um forte empecilho: se Nunes sair para disputar o governo, seu vice, Ricardo Mello Araújo (PL-SP), assume a prefeitura de São Paulo, o que desagrada praticamente todos os partidos da base de Nunes.
O presidente da Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp), o deputado estadual André do Prado (PL-SP), também teve o nome citado nos bastidores políticos como uma das alternativas da direita, caso Tarcísio lance a candidatura à Presidência da República. “Tarcísio é fruto de uma escolha estratégica, então seu eventual sucessor pode surgir da mesma forma”, completa Consentino.
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PSB aposta em coligação com Márcio França; PT aguarda decisão de Tarcísio
Em entrevista à Gazeta do Povo, o presidente estadual do PSB, deputado estadual Caio França, confirmou a pré-candidatura do ministro do Empreendedorismo, Márcio França. “Em 2018, ele já mostrou que tem capital político muito forte no estado com baixa rejeição. A nossa expectativa é fazer uma ampla aliança em torno dessa pré-candidatura”, afirmou o parlamentar, que é filho do ministro.
Questionado sobre a possibilidade do ex-governador Geraldo Alckmin disputar um quinto mandato em São Paulo, ele respondeu que a direção nacional do PSB defende a manutenção da chapa Lula-Alckmin na corrida pela reeleição presidencial em 2026. “Trabalhamos com isso como uma prioridade absoluta. Hoje, o PSB tem a vice-presidência, posto que é chave e de uma figura muito importante no cenário nacional”, disse Caio França.
Procurado pela Gazeta do Povo, o presidente paulista do PT, deputado federal Kiko Celeguim, projeta que a definição sobre uma candidatura de oposição em São Paulo deve ocorrer após o carnaval, dependendo da definição do governador Tarcísio de Freitas sobre a reeleição ou renúncia do cargo. Assim, os nomes cotados pela esquerda, de acordo com o petista, não devem se apresentar “ostensivamente” como pré-candidatos.
“A definição deve ficar mais clara próxima à desincompatibilização dos cargos. Se o governador Tarcísio decidir se candidatar à reeleição, é um cenário diferente do que se ele abrir mão. Neste caso abre espaço para outras candidaturas. Muitos esperam esse movimento para que o cenário eleitoral se defina”, reforça Celeguim.
A esquerda ainda poderia ter uma candidatura do PSOL ao governo do estado. Após o insucesso de Guilherme Boulos nas últimas eleições ao Executivo paulistano, a bola da vez seria a deputada federal Erika Hilton. No entanto, o próprio Boulos — ministro da Secretaria-Geral da Presidência da República — afirma que a prioridade é reforçar o palanque de Lula e da oposição no estado de São Paulo.
Principais pré-candidatos e cotados para as eleições ao governo de SP em 2026
Tarcísio de Freitas
Tarcísio de Freitas é considerado o governador da oposição com maior possibilidade de derrotar Lula nas urnas. Foi ministro de Infraestrutura no governo Bolsonaro.

Ricardo Nunes
Reeleito em 2024, o prefeito de São Paulo é próximo de Tarcísio de Freitas, que foi um dos principais aliados de Ricardo Nunes na reeleição. Também teve o apoio de Bolsonaro no pleito municipal e passou a mostrar um perfil alinhado à direita conservadora no segundo mandato na capital.

Felício Ramuth
Vice-governador de São Paulo, Felício Ramuth deve assumir o Executivo caso o governador Tarcísio deixe o cargo.

Fernando Haddad
Uma das principais figuras nacionais do PT, Fernando Haddad foi candidato ao governo em 2022 e disputou a eleição presidencial em 2018.

Márcio França
Ex-governador e ministro de Lula, Márcio França já afirmou que deseja disputar o governo de São Paulo nas eleições deste ano.

Geraldo Alckmin
Ex-governador de São Paulo por quatro mandatos pelo PSDB, Geraldo Alckmin migrou para o PSB e foi candidato a vice-presidente de Lula nas eleições vencidas pela chapa em 2022.

Erika Hilton
Deputada federal, ativista pelos direitos LGBT e das populações marginalizadas, Erika Hilton foi a primeira vereadora trans de São Paulo eleita com destaque nacional.

André do Prado
Deputado estadual e presidente da Assembleia Legislativa paulista (Alesp), André do Prado representa a ala pragmática do PL em São Paulo e busca projetar seu nome no cenário estadual.

Paulo Serra
Político tradicional do PSDB paulista, Paulo Serra assumiu o comando da sigla que governou o estado por décadas antes da gestão Tarcísio de Freitas. Ele defende o legado tucano, mas enfrenta o desafio de se destacar no cenário polarizado.

Reportagem atualizada com declaração do governador Tarcísio de Freitas na noite desta quinta-feira.
Atualizado em 22/01/2026 às 21:38








