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Após definição de chapas

Distância curta entre candidatos e indefinição de eleitor mostram eleição acirrada ao Senado em SP

Disputa ao Senado por São Paulo polariza chapas de direita e esquerda.
"Quando 81% dos eleitores não citam espontaneamente nenhum nome para o Senado, a eleição ainda não entrou de verdade na cabeça do eleitor”, enfatiza o cientista político Samuel Oliveira. (Foto: Fotomontagem Gazeta do Povo (Rodrigo Costa/Alesp, Bruno Spada/Câmara dos Deputados, Felipe Werneck/MMA, Zeca Ribeiro/Câmara dos Deputados, Diogo Zacarias/MPO))

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Após a definição das duas principais chapas de candidatos no estado de São Paulo no final do primeiro semestre,  segue a acirrada e imprevisível a disputa pelas duas cadeiras no Senado pelo estado.

Uma das chapas é liderada pelo governador em busca de reeleição Tarcísio de Freitas (Republicanos), e a outra é a do PT, liderada pelo ex-ministro da Fazenda Fernando Haddad, que tenta o Palácio dos Bandeirantes, sede do governo paulista, pela segunda vez. Haddad foi derrotado por Tarcísio no segundo turno em 2022.

Se há cerca de um ano a situação da direita em São Paulo na disputa ao Senado parecia confortável, com os deputados federais Guilherme Derrite (Progressistas) e Eduardo Bolsonaro (PL) figurando como favoritos — e a da esquerda, por sua vez, parecia indefinida, sem candidatos claros —, hoje a disputa está aberta.

Morando nos Estados Unidos desde o ano passado e condenado a quatro anos e dois meses de prisão no Supremo Tribunal Federal (STF) por coação ao longo do processo por golpe de estado do ex-presidente Jair Bolsonaro, Eduardo não deve mais sair candidato.

Por sua vez, a candidatura de Derrite perdeu um pouco de tração, entre outros motivos, pela falta de uma vitrine clara durante a gestão dele à frente da Secretaria da Segurança Pública de São Paulo — não obstante, ainda é um candidato competitivo. Derrite compõe a chapa que disputa as vagas ao Senado ao lado do deputado estadual e presidente da Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp), André do Prado (PL).

Pelo lado petista, a apresentação de uma chapa ao Senado feminina, com as ex-ministras Simone Tebet (PSB), de perfil mais centrista, e Marina Silva (Rede), umbilicalmente de esquerda mas com capacidade de alcançar um eleitorado mais de centro, com identificação junto à pauta ambientalista e desassociação do seu nome de escândalos de corrupção até agora, tende a embaralhar a cabeça do eleitor e deixar a corrida aberta até o dia da eleição em São Paulo.

Situação está longe de ser confortável para as candidatas de Lula

Essa indefinição fica escondida nas entrelinhas da última pesquisa Datafolha, por exemplo, divulgada no dia 6 de julho. A princípio, os números da sondagem eleitoral são positivos para Marina e Tebet. Em um cenário estimulado, Marina aparece com 18% das intenções de voto, Tebet com 16% e Ricardo Salles (Novo), com 13%.

André do Prado surge com 11%, e Derrite com 10%. O deputado federal Paulinho da Força (Solidariedade) alcança 8%, e17% dos eleitores declararam voto em branco, nulo ou em nenhum candidato, enquanto 7% não souberam responder.

Senado é uma eleição em que recall ajuda na largada, mas não garante chegada.

Samuel Oliveira, cientista político

O levantamento foi realizado de 1º a 3 de julho. Foram feitas 1.608 entrevistas no estado de São Paulo, distribuídas em 71 municípios, com a população de 16 anos ou mais. A margem de erro máxima para o total da amostra é de dois pontos percentuais, para mais ou para menos, dentro do nível de confiança de 95%. A pesquisa está registrada no TSE sob os números SP-01703/2026 e BR-06481/2026.

Uma leitura mais detalhada, porém, revela que a situação está longe de ser confortável para as candidatas do presidente Lula. Na pesquisa espontânea, quando os nomes das opções de candidatos não são apresentados previamente aos entrevistados, a coisa muda de figura.

Além do empate técnico visto entre os pré-candidatos que estão na frente no cenário estimulado, a distância de apenas 10 pontos percentuais entre Marina Silva, na dianteira, e Paulinho da Força, o menos citado, mostra uma disputa acirrada. Na pesquisa espontânea, 81% dizem não saber em quem votar.

Ficam à frente, com 3% das menções, Tebet e Derrite, seguidos por Marina e um "candidato do PT ", com 2% cada. André do Prado e Salles aparecem com 1%.

"O Datafolha mostra uma disputa acirrada, mas talvez o dado mais importante não esteja na liderança numérica de Marina ou Tebet”, afirma à Gazeta do Povo o cientista político Samuel Oliveira. "Está na indefinição. Quando 81% dos eleitores não citam espontaneamente nenhum nome para o Senado, a eleição ainda não entrou de verdade na cabeça do eleitor”, afirma. 

Histórico de voto ao Senado em São Paulo aponta para eventuais surpresas

O cientista político Samuel Oliveira avalia que São Paulo tem um histórico recente que recomenda cautela com qualquer leitura linear. Em 2014, José Serra (PSDB) e Eduardo Suplicy (PT) chegaram a aparecer tecnicamente empatados em pesquisas de intenção de voto, mas Serra venceu com grande vantagem.

Quatro anos depois, Suplicy liderou pesquisas durante boa parte da campanha e terminou fora das duas vagas, superado por Major Olímpio (do PSL, falecido em 2021) e Mara Gabrilli (PSD). Em 2022, Marcos Pontes (PL) venceu com força num ambiente altamente nacionalizado pela disputa Bolsonaro-Lula, mas nas pesquisas Márcio França (PSB) aparecia bem cotado.

"Isso mostra que a eleição ao Senado em São Paulo costuma mudar quando a disputa deixa de ser apenas sobre nomes conhecidos e passa a ser sobre campo político, palanque presidencial, palanque estadual e voto útil. O Senado é uma eleição em que recall ajuda na largada, mas não garante chegada”, afirma o cientista político.

"A direita pode ter mais estrutura, mas também pode ter mais fragmentação. Se Tarcísio organizar o voto em torno de Derrite e André do Prado, a disputa muda de patamar”, avalia Oliveira.

Ele acrescenta que, se Salles mantiver uma candidatura competitiva, pode haver disputa interna pelo voto dos apoiadores de Bolsonaro e conservador. "Isso pode beneficiar Marina e Tebet, que hoje aparecem mais organizadas como dupla simbólica do campo governista nacional.”

Assim, a eleição para o Senado em São Paulo não deve ser tratada como uma disputa de nomes isolados. "É uma eleição de combinação. O eleitor vota em dois nomes. Isso permite voto cruzado, voto por campo e voto de compensação. Um eleitor pode votar em uma figura de reputação nacional e em outra de segurança pública; pode votar em uma mulher moderada e em um nome da direita; pode seguir o palanque de governador ou o palanque presidencial”, diz Oliveira. 

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