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Após a definição das duas principais chapas de candidatos no estado de São Paulo no final do primeiro semestre, segue a acirrada e imprevisível a disputa pelas duas cadeiras no Senado pelo estado.
Uma das chapas é liderada pelo governador em busca de reeleição Tarcísio de Freitas (Republicanos), e a outra é a do PT, liderada pelo ex-ministro da Fazenda Fernando Haddad, que tenta o Palácio dos Bandeirantes, sede do governo paulista, pela segunda vez. Haddad foi derrotado por Tarcísio no segundo turno em 2022.
Se há cerca de um ano a situação da direita em São Paulo na disputa ao Senado parecia confortável, com os deputados federais Guilherme Derrite (Progressistas) e Eduardo Bolsonaro (PL) figurando como favoritos — e a da esquerda, por sua vez, parecia indefinida, sem candidatos claros —, hoje a disputa está aberta.
Morando nos Estados Unidos desde o ano passado e condenado a quatro anos e dois meses de prisão no Supremo Tribunal Federal (STF) por coação ao longo do processo por golpe de estado do ex-presidente Jair Bolsonaro, Eduardo não deve mais sair candidato.
Por sua vez, a candidatura de Derrite perdeu um pouco de tração, entre outros motivos, pela falta de uma vitrine clara durante a gestão dele à frente da Secretaria da Segurança Pública de São Paulo — não obstante, ainda é um candidato competitivo. Derrite compõe a chapa que disputa as vagas ao Senado ao lado do deputado estadual e presidente da Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp), André do Prado (PL).
Pelo lado petista, a apresentação de uma chapa ao Senado feminina, com as ex-ministras Simone Tebet (PSB), de perfil mais centrista, e Marina Silva (Rede), umbilicalmente de esquerda mas com capacidade de alcançar um eleitorado mais de centro, com identificação junto à pauta ambientalista e desassociação do seu nome de escândalos de corrupção até agora, tende a embaralhar a cabeça do eleitor e deixar a corrida aberta até o dia da eleição em São Paulo.
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Situação está longe de ser confortável para as candidatas de Lula
Essa indefinição fica escondida nas entrelinhas da última pesquisa Datafolha, por exemplo, divulgada no dia 6 de julho. A princípio, os números da sondagem eleitoral são positivos para Marina e Tebet. Em um cenário estimulado, Marina aparece com 18% das intenções de voto, Tebet com 16% e Ricardo Salles (Novo), com 13%.
André do Prado surge com 11%, e Derrite com 10%. O deputado federal Paulinho da Força (Solidariedade) alcança 8%, e17% dos eleitores declararam voto em branco, nulo ou em nenhum candidato, enquanto 7% não souberam responder.
Senado é uma eleição em que recall ajuda na largada, mas não garante chegada.
Samuel Oliveira, cientista político
O levantamento foi realizado de 1º a 3 de julho. Foram feitas 1.608 entrevistas no estado de São Paulo, distribuídas em 71 municípios, com a população de 16 anos ou mais. A margem de erro máxima para o total da amostra é de dois pontos percentuais, para mais ou para menos, dentro do nível de confiança de 95%. A pesquisa está registrada no TSE sob os números SP-01703/2026 e BR-06481/2026.
Uma leitura mais detalhada, porém, revela que a situação está longe de ser confortável para as candidatas do presidente Lula. Na pesquisa espontânea, quando os nomes das opções de candidatos não são apresentados previamente aos entrevistados, a coisa muda de figura.
Além do empate técnico visto entre os pré-candidatos que estão na frente no cenário estimulado, a distância de apenas 10 pontos percentuais entre Marina Silva, na dianteira, e Paulinho da Força, o menos citado, mostra uma disputa acirrada. Na pesquisa espontânea, 81% dizem não saber em quem votar.
Ficam à frente, com 3% das menções, Tebet e Derrite, seguidos por Marina e um "candidato do PT ", com 2% cada. André do Prado e Salles aparecem com 1%.
"O Datafolha mostra uma disputa acirrada, mas talvez o dado mais importante não esteja na liderança numérica de Marina ou Tebet”, afirma à Gazeta do Povo o cientista político Samuel Oliveira. "Está na indefinição. Quando 81% dos eleitores não citam espontaneamente nenhum nome para o Senado, a eleição ainda não entrou de verdade na cabeça do eleitor”, afirma.
Histórico de voto ao Senado em São Paulo aponta para eventuais surpresas
O cientista político Samuel Oliveira avalia que São Paulo tem um histórico recente que recomenda cautela com qualquer leitura linear. Em 2014, José Serra (PSDB) e Eduardo Suplicy (PT) chegaram a aparecer tecnicamente empatados em pesquisas de intenção de voto, mas Serra venceu com grande vantagem.
Quatro anos depois, Suplicy liderou pesquisas durante boa parte da campanha e terminou fora das duas vagas, superado por Major Olímpio (do PSL, falecido em 2021) e Mara Gabrilli (PSD). Em 2022, Marcos Pontes (PL) venceu com força num ambiente altamente nacionalizado pela disputa Bolsonaro-Lula, mas nas pesquisas Márcio França (PSB) aparecia bem cotado.
"Isso mostra que a eleição ao Senado em São Paulo costuma mudar quando a disputa deixa de ser apenas sobre nomes conhecidos e passa a ser sobre campo político, palanque presidencial, palanque estadual e voto útil. O Senado é uma eleição em que recall ajuda na largada, mas não garante chegada”, afirma o cientista político.
"A direita pode ter mais estrutura, mas também pode ter mais fragmentação. Se Tarcísio organizar o voto em torno de Derrite e André do Prado, a disputa muda de patamar”, avalia Oliveira.
Ele acrescenta que, se Salles mantiver uma candidatura competitiva, pode haver disputa interna pelo voto dos apoiadores de Bolsonaro e conservador. "Isso pode beneficiar Marina e Tebet, que hoje aparecem mais organizadas como dupla simbólica do campo governista nacional.”
Assim, a eleição para o Senado em São Paulo não deve ser tratada como uma disputa de nomes isolados. "É uma eleição de combinação. O eleitor vota em dois nomes. Isso permite voto cruzado, voto por campo e voto de compensação. Um eleitor pode votar em uma figura de reputação nacional e em outra de segurança pública; pode votar em uma mulher moderada e em um nome da direita; pode seguir o palanque de governador ou o palanque presidencial”, diz Oliveira.







