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Entrevista

Irmão de Jair Bolsonaro é aposta do PL para atrair votos ao partido em São Paulo

Irmão de Jair Bolsonaro, Renato Bolsonaro é aposta do PL para atrair votos ao partido em São Paulo.
Irmão de Jair Bolsonaro, Renato Bolsonaro é aposta do PL para atrair votos ao partido em São Paulo. (Foto: Nelson Prado/Assessoria Renato Bolsonaro)

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Semelhança física evidente, entonação de voz parecida, discurso alinhado e trajetória que corre paralela à do irmão mais conhecido. Aos 61 anos, Renato Bolsonaro (PL), irmão mais novo do ex-presidente Jair, entra no tabuleiro eleitoral como a aposta do partido para ajudar a recompor a bancada em São Paulo e puxar votos ao Congresso Nacional em 2026.

Morador de Miracatu, no Vale do Ribeira, região historicamente ligada à família, Renato Bolsonaro deixou em junho de 2025 o cargo de chefe de gabinete do prefeito Vinicius do Iraque (PL), função que exerceu por cinco anos, desde o início do primeiro mandato do aliado. "Ele fazia parte de um grupo político nosso, fizemos um trabalho para elegê-lo", diz Renato à reportagem da Gazeta do Povo.

A decisão de disputar uma vaga de deputado federal, segundo ele, partiu de um convite direto do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e do presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto. O pano de fundo é estratégico: o partido perdeu nomes de grande votação em São Paulo e busca manter o capital eleitoral dentro da legenda.

"Quatro deputados federais que somaram aproximadamente 3 milhões de votos em São Paulo, ou seja, que representam em torno de 10 cadeiras no Congresso Nacional, não estarão mais disputando a candidatura de deputado federal ou estarão em outro partido", calcula Renato.

Ele cita os casos de Eduardo Bolsonaro, que está nos Estados Unidos e teve o mandato cassado; de Carla Zambelli, inelegível e presa na Itália; de Guilherme Derrite, que foi para o PP e deve disputar o Senado; e Ricardo Salles, que trocou o PL pelo Novo.

"O partido está tentando equalizar esses candidatos, buscando outros que possam ter um bom desempenho nas urnas. Meu nome foi dito como viável para ter uma quantidade boa de votos e tentar manter esses votos dentro do partido", diz.

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"Sempre segui meu irmão", diz Renato Bolsonaro sobre Jair

Renato Bolsonaro costuma resumir a trajetória política a uma frase: "Sempre segui meu irmão". Oficial de carreira do Exército, assim como Jair, ele relembra que disputou a primeira eleição em 1994, quando ambos foram candidatos a deputado federal — Renato por São Paulo, Jair pelo Rio de Janeiro — com o slogan "se um é bom, dois é melhor".

Em 1996, Renato Bolsonaro foi eleito vereador em Praia Grande (SP). No fim do mandato, em 2000, ingressou no ramo de imóveis e eletrodomésticos. O negócio é mantido até hoje pela filha do meio.

O filho mais velho é oficial da Polícia Militar em Goiás. O caçula, de 12 anos, é fruto do segundo relacionamento dele. Em 2024, Renato disputou a prefeitura de Registro, principal cidade do Vale do Ribeira.

Mesmo com apoio público do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), que gravou vídeo para a campanha, Renato Bolsonaro ficou em segundo lugar, com 9.708 votos (29,82% dos válidos), atrás de Samuel Moreira (PSD), que obteve 55,73%. Apesar da derrota, a candidatura consolidou o nome na região e ampliou a exposição política.

Questionado sobre as pautas que pretende defender, Renato Bolsonaro recorre novamente à referência familiar. "Tenho a mesma ideologia do meu irmão: diminuir a carga tributária para uma carga mais justa, valorizar o comércio, o mérito e o trabalho das pessoas. Lutar pela segurança pública, família, liberdade de religião, de imprensa. E fazer do Brasil um país soberano, não no sentido político, mas econômico", afirma.

Além da atuação política, ele mantém propriedades rurais com produção de pitaia e mel, atividade que define como hobby, e defende que o Brasil precisa explorar melhor as potencialidades econômicas. "O Brasil é uma potência no agronegócio, em reservas minerais que são passadas para outros países a valores irrisórios. Se mudássemos todo o sistema de imposto e taxássemos commodities minerais exportadas, o Brasil estaria com condições econômicas excelentes", defende.

O pré-candidato também fala sobre a importância das políticas sociais, mas com foco na autonomia. "Você tem que ajudar as camadas mais necessitadas para que elas sobrevivam e, depois, consigam sobreviver com seus próprios meios. Ajudar as pessoas até onde elas precisam, mas depois dar acompanhamento para que possam ter liberdade e autonomia de viver com suas próprias condições", afirma.

Campanha baseada no legado no irmão

Ao comentar a situação jurídica do ex-presidente, Renato Bolsonaro classifica como "injustiça e perseguição" as condenações ao irmão Jair Bolsonaro por tentativa de golpe de Estado, crimes contra a democracia e organização criminosa armada. Ele também critica o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

"O Lula fala que Jair Bolsonaro é um 'cachorro louco' que não deve ser solto, mas ele é um 'cachorro louco' que foi solto e este sim está devorando a população", critica Renato Bolsonaro.

Sobre a própria campanha, é direto: pretende se apoiar no capital político do irmão. "Ele tem o legado, eu não tenho o legado ainda. Nos municípios que estou rodando, estou buscando as pessoas que são simpatizantes ao nome Bolsonaro e tentando aumentar as divulgações nas redes sociais", explica.

Se conseguirá transformar o sobrenome em votos suficientes para ocupar uma cadeira na Câmara, a eleição de 2026 dirá. No PL paulista, a estratégia está desenhada: manter o eleitor de Bolsonaro mobilizado e impedir que o capital político construído nos últimos anos se disperse.

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