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Policial não sai para matar

“Letalidade policial não existe, o termo é preconceituoso”, diz Derrite

O deputado federal Guilherme Derrite (PP-SP). (Foto: Marina Ramos / Câmara dos Deputados)

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O deputado federal e pré-candidato ao Senado por São Paulo, Guilherme Derrite (PP), questionou a validade do termo “letalidade policial”. Para ele, o correto seria falar em “letalidade criminal”.

Policial militar de carreira, ele concedeu uma entrevista exclusiva ao jornal Folha de S.Paulo, publicada nesta terça-feira (28). Derrite foi questionado se o aumento de mortes ocasionadas por operações policiais em sua gestão como secretário de segurança no governo paulista seria uma contradição ao seu discurso de colocar “a vítima no centro do debate” de segurança pública — ponto que o diferenciaria das propostas da esquerda.

“Letalidade policial não existe, esse termo é preconceituoso. Existe letalidade criminal, porque o policial não sai para a rua em serviço querendo matar ninguém”, afirmou na entrevista.

Figura central no debate sobre segurança pública no país — conhecido como Capitão Derrite por sua patente militar —, ele deixou a Secretaria de Segurança Pública de São Paulo para ser relator do PL Antifacção, considerado um marco da reação do estado ao avanço das facções criminosas, evidenciado pela violência da Operação Contenção, no Rio, em outubro do ano passado.

Discurso da soberania nacional

Ainda na conversa com o jornal, Derrite defendeu que a classificação de grupos como o Comando Vermelho (CV) e o PCC como organizações narcoterroristas pelos EUA não violaria a soberania nacional.

“Uma operação militar dos EUA no Brasil é uma ilação que inventaram para criar um discurso de soberania nacional. Se os EUA assim o fizessem, estariam ferindo vários tratados internacionais dos quais o Brasil é signatário”, declarou.

Para Derrite, ao enquadrar as facções brasileiras como terroristas, os EUA visam apenas aos efeitos que a lavagem de dinheiro dessas organizações teria sobre seus próprios cidadãos. Ele também descartou qualquer possibilidade de intervenção militar americana no país.

“A população tem que ter consciência de que isso é mentira, isso jamais vai acontecer.” Ele ainda citou o exemplo da Venezuela para ressaltar que a situação do país vizinho é inteiramente diferente.

“Nicolás Maduro é um criminoso condenado em várias cortes americanas. É completamente diferente. Segundo a apuração da Justiça americana, Maduro tinha relação direta com narcoterroristas, e foi por isso que ocorreu uma operação de guerra. É como se, no Brasil, o presidente fosse um sócio investidor do CV e do PCC para trazer cocaína da Bolívia”, comparou.

Territórios do crime

Derrite também questionou a existência de uma soberania nacional plena no Brasil, lembrando que há locais onde a polícia não consegue entrar sem um confronto armado letal com criminosos fortemente armados.

“Para se avançar 100 metros, precisam-se de três mil policiais e demora-se de quatro a cinco horas sob intensa troca de tiros; a internet é do Comando Vermelho, toda a exploração da atividade econômica já é de um 'Estado paralelo', e um quarto da população já vive assim. Então pergunto: existe soberania?”, questionou.

Amizade com Salles

Definido nas convenções estaduais do PP e do União Brasil como candidato ao Senado na chapa do governador Tarcísio de Freitas, ao lado de André do Prado (PL), Derrite afirmou ser leal às decisões do campo da direita. Ele disse esperar manter a amizade com Ricardo Salles (NOVO), que foi preterido, mas mantém a intenção de lançar uma candidatura independente ao Senado.

“Tenho muito respeito pelo Salles, sempre fomos amigos e espero que não seja uma eleição que vá nos separar. Mas sou um cara de equipe e o nosso líder aqui em São Paulo é o Tarcísio, que já falou: a chapa é André e Derrite”, declarou.

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