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A ala da direita em São Paulo reflete sobre os nomes que teriam mais envergadura para entrarem na disputa pelo Senado — neste ano, serão eleitos dois senadores em cada estado da federação. Com PL e Novo mirando o mesmo eleitorado, os nomes estão sendo colocados na mesa para análise entre o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), o governador paulista Tarcísio de Freitas (Republicanos) e as lideranças partidárias.
Ao menos três nomes estão na parada, à espera de uma definição que, segundo o presidente do PL Valdemar Costa Neto, "exige paciência". Aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro confirmam que ele tem demonstrado preferência por Ricardo Mello Araújo (PL), vice-prefeito de São Paulo.
O próprio Mello Araújo, em entrevista à Gazeta do Povo, disse que soube que estava sendo cogitado à vaga pela imprensa e que só começará a articular a respeito se houver um pedido direto do ex-presidente. "Só saio de onde estou se o presidente precisar de mim em outro lugar. Se não for por ele, eu não saio", afirmou.
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Eduardo Bolsonaro tenta emplacar Frias — e ser suplente dele
Pessoas ligadas a Eduardo Bolsonaro (PL) afirmam que ele, impedido de concorrer enquanto estiver nos Estados Unidos, estaria articulando o lançamento de nomes próximos, como o deputado federal Mário Frias (PL). Uma ideia seria de o próprio Eduardo compor a chapa como suplente.
A movimentação incluiria a ida, durante este mês, de deputados até os EUA para discutir a candidatura com Eduardo. Em entrevista à Gazeta do Povo, Frias foi cauteloso sobre o assunto. "Eu estou muito confortável como deputado federal, não me coloco a cargo algum. Aguardo sem ansiosidade a decisão da liderança que hoje é exercida pelo senador Flávio", disse.
Paralelamente, aliados de Tarcísio de Freitas avaliam que essa proposta dificilmente alteraria a articulação política no estado. Tarcísio e Flávio Bolsonaro se aproximaram politicamente, tendo demonstrado afinidade e mútuo apoio na pré-campanha em São Paulo, apesar das críticas feitas anteriormente por Eduardo Bolsonaro ao governador paulista.
Procurado, Eduardo Bolsonaro não respondeu à reportagem da Gazeta do Povo. O espaço segue aberto para manifestação.
Candidatura de suplente residente fora do país corre risco de ter registro barrado
Apesar da vontade de Eduardo Bolsonaro disputar uma das vagas do Senado por São Paulo, o presidente do partido, Valdemar Costa Neto, já descartou essa hipótese. Além disso, a possibilidade de ele disputar uma eleição enquanto permanece no exterior levanta dúvidas jurídicas e teria potencial de enfrentar obstáculos na Justiça Eleitoral.
Para o advogado especialista em direito eleitoral Arthur Rollo, a situação é incomum e tende a gerar questionamentos formais no registro de candidatura. Na avaliação do advogado, a permanência prolongada fora do Brasil pode comprometer um dos requisitos básicos da legislação eleitoral brasileira: o domicílio eleitoral.
"Não há registro histórico ou jurisprudência sobre um caso semelhante. Se ele pretende ser candidato, precisa vir para o Brasil. Se permanecer fora do país, entendo que não pode sequer figurar como suplente", afirma.
Caso haja irregularidades na documentação de um suplente, toda a chapa pode ser impugnada. Segundo o advogado eleitoral, tanto o titular quanto os suplentes precisam cumprir integralmente os requisitos legais para o registro de candidatura.
Ainda assim, há margem para a troca de candidatos pelos partidos. Se o registro for indeferido, a legislação permite a substituição do nome nas urnas. "Existe um prazo de até 20 dias antes da eleição para realizar essa substituição. Ou seja, se houver impugnação, o partido pode simplesmente trocar o suplente e resolver a questão", esclarece.
PL e PP devem formalizar articulação ao Senado pelo estado de São Paulo
O presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto, respondeu à Gazeta do Povo que a decisão sobre o candidato ao Senado pela sigla ainda não foi tomada e listou os nomes em jogo. "Tem o Tomé Abduch, o Marcos Feliciano, o Mário Frias. Quem o Bolsonaro puser a mão, está eleito", especulou.
Costa Neto também sinalizou que o partido deve caminhar junto com o PP, o que abriria espaço para Guilherme Derrite concorrer pelo PP enquanto o PL lança candidato próprio. "Se coligar com o PP, nós teremos um candidato a senador pelo PP, que é o Derrite, e outro pelo PL", afirmou.
Ao confirmar que Eduardo Bolsonaro não disputará a vaga ao Senado, Costa Neto pontuou que ele participará da escolha. "Ele quer opinar e nós temos que deixar", disse ele, que se encontrou com Eduardo nos Estados Unidos na terça-feira (10).
Sobre Derrite, Valdemar afirmou que a saída do PL era prevista. "Ele é pessoa nossa. Quando veio para o PL, veio só com o objetivo de fazer o maior número de votos, já com o acordo de voltar para o PP. Então temos os braços abertos para o Derrite", complementou.
Novo confirma possibilidade de Ricardo Salles disputar o Senado, mas ele pode ir ao PP
Outro nome da direita com pretensões ao Senado é do deputado federal Ricardo Salles (Novo). A pré-candidatura dele foi confirmada à Gazeta do Povo pela assessoria do Novo no estado de São Paulo. O movimento teria respaldo do governador Tarcísio que, por sua vez, conta com o apoio da sigla na disputa pela reeleição.
O movimento de Salles porém, é interpretado por aliados como uma estratégia de negociação política. O ex-ministro de Meio Ambiente do governo Bolsonaro atrai votos da direita e, portanto, disputa o eleitorado de Derrite e do eventual candidato do PL ao Senado.
Há negociações consideradas como "avançadas" no Progressistas para uma possível migração de Salles para a sigla. O argumento é que a candidatura ao Senado ficaria desidratada em comparação com Derrite e com o nome apoiado pelo PL, e que ele teria mais chances como candidato a deputado federal.
Como vantagem a essa opção está o fato de ele ser "puxador de votos", capaz de eleger outros nomes para a Câmara dos Deputados, pelo sistema proporcional. Por outro lado, por ser próximo de Derrite, Salles poderia trabalhar em conjunto com o o pré-candidato e aparecer ao lado dele durante a campanha.
PT de São Paulo confirma Haddad para governo e deixa Senado em aberto
Do lado da esquerda, o cenário eleitoral ao Senado também não está fechado em São Paulo. De acordo com o deputado federal Kiko Celeguim, presidente do diretório estadual do PT-SP, os nomes que estão no páreo são Simone Tebet (MDB), Marina Silva (Rede), Márcio França (PSB) e Guilherme Boulos (PSOL).
"Nós temos algumas opções e, por óbvio, podemos tentar fazer um movimento de oferecer a algum partido de um campo político que não seja o nosso, para ampliar a nossa composição. Isso ainda está em aberto", disse Celeguim à Gazeta do Povo.
Questionado se a eleição ao Senado seria uma prioridade para o partido, o dirigente afirmou que "o partido quer ganhar todas as eleições: presidente, governador, Senado".
"O Senado é um objeto de desejo de uma parte dos partidos que tem um componente golpista, de querer alçá-lo não para reformar o Brasil, e sim para fazer impeachment de ministro do Supremo. Nós queremos eleger senadores para poder avançar a reforma do Imposto de Renda, a reforma administrativa, reformas para modernizar o país", disse ele.
Para o governo do estado, Celeguim confirmou a escolha por Fernando Haddad (PT). "Será nosso candidato", afirmou, acrescentando que ele aceitou disputar o cargo contra Tarcísio. Apesar de preferir inicialmente disputar o Senado, considerado um caminho eleitoral mais favorável, Haddad teria atendido a um pedido do próprio presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) para concorrer ao governo paulista.












