
Ouça este conteúdo
Aos 23 anos, Eduarda Campopiano (PL) foi eleita neste domingo (4) a deputada estadual com o maior número de votos do país. Natural de Campinas (SP), Maria Eduarda Campopiano Monteiro começou a atuar publicamente nas redes sociais aos 18 anos e construiu sua trajetória política com uma comunicação voltada ao eleitorado de direita.
Nas eleições de 2026, Campopiano recebeu 1.956.205 votos em São Paulo. Esse é o total da votação absoluta da candidata. Na votação proporcional, ela chegou a 8,39%.
A votação absoluta corresponde ao número total de votos recebidos por cada candidato. Já a votação proporcional considera o percentual desses votos em relação ao total de votos válidos para deputado estadual no respectivo estado ou no Distrito Federal. Assim, um candidato pode ter menos votos em números absolutos, mas alcançar uma participação proporcional maior em seu estado.
Antes de chegar à Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp), Campopiano exerceu o primeiro mandato eletivo como vereadora de Praia Grande, no litoral paulista.
Em 2024, foi eleita com 3.583 votos e se tornou a mulher mais votada para a Câmara Municipal naquela eleição.
Segundo informações divulgadas pela própria parlamentar, durante o mandato apresentou mais de mil atos, entre indicações, requerimentos, projetos e moções, além de destinar emendas para a saúde e buscar recursos para a segurança pública.
Ascensão pelas redes sociais
A política digital ocupa papel central na trajetória de Campopiano. Ela começou a produzir conteúdo político ainda adolescente e, aos 19 anos, passou a integrar equipes de comentaristas da Jovem Pan e do Fio Diário.
A exposição em programas e nas redes ampliou sua audiência antes mesmo de disputar uma eleição.
No YouTube, Campopiano mantém uma linha editorial marcada por vídeos curtos sobre política, costumes e temas culturais.
Entre os conteúdos que alcançaram maior repercussão estão publicações sobre aborto, feminismo, segurança, liberdade de expressão e questões relacionadas à ideologia de gênero.
Um levantamento do Instituto Democracia em Xeque, que analisou as redes sociais de candidaturas jovens entre 14 e 27 de setembro, colocou Campopiano na quarta posição, com 929,2 mil interações em 11 publicações.
A estratégia também se apoia em confrontos políticos e debates. Em junho, ela participou do programa Pânico, da Jovem Pan, para discutir feminismo, pautas ideológicas e sua atuação política.
Em agosto, participou de um debate no RedCast sobre religião, família, aborto, sexualidade, impostos e liberdade individual.
Pró-vida e crítica ao feminismo
A defesa da vida desde a concepção é uma das posições mais claras de Campopiano.
Em um vídeo publicado em seu canal, Eduarda afirma que considera uma obrigação, como mulher, defender a vida desde a concepção. Ela também manifesta apoio ao Projeto de Lei 1.904/2024, que estabelece pena de seis a 20 anos de prisão para quem provocar aborto após 22 semanas de gestação, inclusive em casos de gravidez decorrente de estupro.
O combate ao feminismo também ocupa espaço importante em sua comunicação.
A própria parlamentar se apresenta nas redes como “a maior inimiga das feministas de SP”.
Em entrevistas e debates, discute temas como feminismo, voto feminino, feminicídio, cotas e a definição de mulher.
A pauta de costumes inclui ainda oposição à ideologia de gênero. Em um debate publicado em maio, Campopiano discutiu banheiro feminino, transexualidade, bloqueadores de puberdade, casamento entre pessoas do mesmo sexo e o papel da Igreja Católica.
Segurança, liberdade e crítica à esquerda
A atuação digital de Campopiano também combina pautas de segurança pública com críticas ao PT e a setores da esquerda.
Em vídeos publicados nas redes sociais, ela questiona a ideia de “machismo estrutural” como explicação para a criminalidade e defende uma abordagem centrada na responsabilização por crimes.
Durante o mandato em Praia Grande, ela afirma ter fiscalizado hospitais e destinado recursos para a saúde. A prefeitura registra, por exemplo, uma emenda de R$ 550 mil apresentada pela então vereadora para consultas, exames e cirurgias.
Campopiano também se posiciona sobre liberdade de expressão e decisões judiciais.
Em conteúdos publicados durante a campanha, criticou decisões que classificou como censura e defendeu a atuação de políticos de direita nas redes.
Ela se aproximou politicamente do vereador Lucas Pavanato (PL), eleito deputado federal por São Paulo neste domingo e também conhecido pela forte presença digital.







