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Desinformaçao via WhatsApp

TSE não acha fake news no canal de Janones, mas registra mensagens apagadas

André Janones administra o canal “Exército do Lula”, onde mensagens apagadas dificultaram a análise do TSE.
André Janones administra o canal “Exército do Lula”, onde mensagens apagadas dificultaram a análise do TSE (Foto: Mario Agra/Câmara dos Deputados)

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Um relatório técnico do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) mostra que mensagens do canal de WhatsApp "Exército do Lula", administrado pelo deputado André Janones (Rede-MG), foram apagadas — e que isso dificultou reconstruir o histórico das publicações. A equipe não encontrou no canal as informações denunciadas como falsas pela campanha de Flávio Bolsonaro (PL), mas só analisou o que estava disponível entre 2 e 11 de outubro.

Ficaram de fora as publicações de setembro citadas no processo, algumas já apagadas. Por causa da urgência, a equipe também não analisou o conteúdo integral dos vídeos e dos áudios que não foram transcritos. O relatório não diz quem apagou as mensagens e não conclui que o conteúdo apagado era falso.

Tarefas para militantes

O canal "Exército do Lula" mobiliza apoiadores da reeleição do presidente, com vídeos, áudios e tarefas de divulgação nas redes. A campanha de Flávio pediu sua suspensão sob acusação de espalhar informações falsas contra o candidato.

Na quinta-feira (8), o ministro André Mendonça já havia mandado retirar um vídeo de Janones e Lindbergh Farias (PT-RJ) sobre supostos cortes em direitos trabalhistas e aposentadorias, por considerar que as afirmações não tinham respaldo no programa de governo ou nas declarações de Flávio.

“Segundo os autos, mensagens de 25 a 29 de setembro foram apagadas a partir de 7 de outubro, e outras 81 desapareceram antes que seu conteúdo pudesse ser lido”, registra o documento. Os técnicos explicam que a reconstrução completa e confiável do histórico depende dos registros guardados pelo WhatsApp.

Em nota divulgada no domingo (11), a campanha de Flávio acusou o canal de espalhar informações falsas sobre cortes em aposentadorias e benefícios sociais, ligação do candidato com milícias e a retirada do título de padroeira do Brasil de Nossa Senhora Aparecida. A campanha disse ainda que as mensagens eram apagadas depois que a tarefa de divulgação era cumprida e que guardou cópias dessas publicações.

Relatório do TSE aponta riscos

Os técnicos também identificaram que o canal funcionava de forma centralizada e coordenada, com orientações para espalhar os conteúdos. Num dos exemplos, os seguidores eram orientados a curtir, comentar e compartilhar uma publicação “Antes mesmo de assistir”, “pra sinalizar pro algoritmo que o conteúdo é relevante”.

O relatório ainda aponta o uso de “linguagem polarizadora” e risco de as mensagens se espalharem muito rápido, num canal que tinha cerca de 3,3 milhões de seguidores em 11 de outubro.

O relatório foi feito pela Assessoria Especial de Enfrentamento à Desinformação, a pedido do presidente do TSE, Kassio Nunes Marques. Ele mandou suspender o canal no domingo, atendendo à campanha de Flávio.

Horas depois, o corregedor-geral eleitoral, Ricardo Villas Bôas Cueva, desfez a decisão e o canal voltou a funcionar. Segue proibido divulgar conteúdos que a Justiça Eleitoral já tenha considerado ilícitos.

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