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Investigação

TSE rejeita ação contra comunista que associou incêndio na UFPE a Flávio

Jones Manoel divulgou suposta mensagem de apoiador de Flávio, mas admitiu que causas são desconhecidas.
Jones Manoel divulgou suposta mensagem de apoiador de Flávio, mas admitiu que causas são desconhecidas. (Foto: Thomaz Silva/Agência Brasil)

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O ministro do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) Ricardo Villas Bôas Cueva rejeitou uma Ação de Investigação Judicial Eleitoral (AIJE) da deputada federal Clarissa Tércio (PP-PE) contra o deputado federal eleito Jones Manoel (PSOL-PE) por associar o incêndio em um prédio na Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) a apoiadores de Flávio Bolsonaro (PL). A decisão foi publicada nesta quarta-feira (21).

O incidente foi o terceiro na instituição de ensino em oito dias. Os outros foram atribuídos inicialmente a uma falha em um ar-condicionado e um acidente em um forno mufla. Após o mais recente, o influenciador comunista passou a divulgar uma suposta captura de tela com mensagens como "vamos explodir o departamento de vocês" e "fiquem espertos com a bomba", além de menções ao pleito.

"A sequência dos fatos é gravíssima e precisa ser esclarecida com urgência. Estamos buscando mais informações e vamos solicitar à Polícia Federal e ao Ministério Público Federal uma investigação imediata sobre o caso, diante da possibilidade de o incêndio ter origem criminosa. Se mais alguém recebeu mensagens ou ameaças desse tipo, nos envie", pontuou.

O próprio Jones, porém, admitiu que não é possível afirmar que a causa tenha sido criminosa (leia a manifestação na íntegra ao final).

Clarissa pediu que o X e o Instagram fossem obrigados a remover o conteúdo e preservar os registros. Ao final, queria que o opositor fosse declarado inelegível por oito anos por uso indevido dos meios de comunicação social.

Para Cueva, Clarissa não tem legitimidade para propor a investigação, uma vez que ela e Jones concorreram à Câmara no primeiro turno e os fatos estão relacionados à eleição presidencial no segundo turno. Além disso, o ministro aponta que a deputada não incluiu Flávio ou o presidente Lula (PT) entre as partes nem fez nenhum pedido em relação a eles.

"Diante desse cenário, ausente o interesse processual da investigante para propor AIJE fundada em fatos relativos à eleição presidencial, da qual não participou, a petição inicial deve ser indeferida", conclui.

PF investiga incidente

A Polícia Federal (PF) investiga o incêndio ocorrido no dia 7 de outubro. O imóvel atingido já abrigou a Diretoria de Inovação e Empreendedorismo (Dine) e, atualmente, servia ao Núcleo de Pesquisa em Inovação Terapêutica Suely Galdino (Nupit-SG) e outros laboratórios voltados à saúde e informática.

O local também era utilizado pelo Instituto Nacional de Propriedade Industrial (INPI) como sede de sua superintendência no Nordeste. De acordo com o reitor, Alfredo Gomes, a estimativa do prejuízo é de cerca de R$ 100 milhões. De acordo com ele, as perdas atingem dados e materiais ligados a cerca de 80 dissertações e teses, inclusive pesquisas acumuladas durante duas décadas.

Quem é Jones Manoel

Jones Manoel da Silva tem 36 anos e tornou-se conhecido na internet por meio de debates em que defende posturas alinhadas à extrema-esquerda. Historiador e professor, deixou o Partido Comunista Brasileiro Revolucionário  (PCBR) para se filiar ao PSOL.

De linha marxista-leninista radical, o PCBR, na verdade, não é oficialmente uma legenda, uma vez que não possui registro na Justiça Eleitoral e adota uma postura favorável à revolução e contra o que chamam de "eleições burguesas".

A migração ocorreu para que o influenciador pudesse concorrer no pleito. Ele foi o segundo deputado federal mais votado de Pernambuco, com 249.077 votos, atrás apenas de Pedro Campos (PSB), que recebeu 261.555 votos.

Jones admite que causa é desconhecida - leia na íntegra

A publicação de Jones Manoel é do dia 8 de outubro de 2026:

"Até o momento, ainda não foi confirmada oficialmente a causa do incêndio no prédio da DINE na Universidade Federal de Pernambuco. Não se sabe se foi um ato criminoso ou se foi consequência de problemas estruturais e do sucateamento da própria universidade.

Diante dessa informação, lamentamos o ocorrido e ressaltamos a importância de garantir orçamento adequado para as universidades públicas. Não existe universidade pública de qualidade sem investimento e estrutura adequada, que garanta a segurança mínima dos estudantes, terceirizados, docentes, servidores e pesquisadores. É preciso defender a derrubada do novo teto de gastos, que restringe a capacidade do Estado de investir em serviços públicos essenciais.

Mesmo que o incêndio não tenha sido causado por um ato criminoso, isso não muda a gravidade da situação nem elimina a necessidade de investigação, nossa equipe jurídica continuará atuando.

Recebemos relatos e prints de diversos grupos de WhatsApp em que pessoas identificadas com a extrema direita estariam se organizando para realizar ações dentro da universidade, com mensagens mencionando possíveis bombas e ameaças contra estudantes, em nome do candidato Flávio Bolsonaro.

A existência dessas mensagens é, por si só, uma circunstância grave! Independentemente de o incêndio ter sido proposital ou não, eventuais ameaças contra estudantes não podem ser naturalizadas ou ignoradas. A existência de elementos que indiquem a prática de ilícitos deve justificar a adoção das medidas cabíveis e a instauração de investigação para identificar a autoria das mensagens, evitando novas tragédias.

Esses fatos precisam ser apurados pelas autoridades competentes, com identificação dos responsáveis e adoção das medidas cabíveis.

Nos solidarizamos com todos os pesquisadores, pesquisadoras e toda a comunidade acadêmica da UFPE que tiveram pesquisas e materiais de anos de trabalho perdidos no incêndio. São estudos de enorme importância científica e social para o Brasil."

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