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O governador de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo), alegou ser o único pré-candidato à Presidência da República que critica o Supremo Tribunal Federal (STF). Em entrevista à Jovem Pan News nesta quarta-feira (18), o empresário evitou citar nomes de adversários que, segundo ele, "têm alguma diferença" em relação ao seu posicionamento, e complementou dizendo que não tem "rabo preso". Nas críticas, ele fez referência a contratos milionários de advogados parentes dos magistrados.
"Sou o único pré-candidato à Presidência que tem criticado o Supremo. Como eu não tenho o rabo preso, acho inadmissível mulher de ministro fazer contrato para ganhar R$ 3 milhões por mês, irmão de ministro ter outro contrato de compra e venda para receber R$ 35 milhões. Me parece que os outros têm alguma diferença, eu falo tudo o que eu acho correto."
Ressalvando que não falava de todo o colegiado, ele aproveitou para apelidar a Corte de "Supremo Balcão de Negócios", e opinou sobre o futuro das revelações envolvendo os ministros e seus familiares: "Com toda a certeza, tem muita gente graúda envolvida, aqueles que se julgam intocáveis estão lá olhando, única e exclusivamente - a maior parte dos ministros - interesse próprio."
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Zema ainda criticou a necessidade de um código de conduta no Supremo, proposta articulada pelo presidente, Edson Fachin, e relatado pela ministra Cármen Lúcia. Para ele, "um Supremo Tribunal Federal precisar de código de ética é a mesma coisa que um papa precisar de um caderninho de religião."
Ainda sem citar nomes, o governador relembrou sua trajetória como empresário para comparar seu esforço com o dos advogados parentes dos magistrados: "Eu sou uma pessoa que, durante 30 anos, para ter uma condição boa, ralei. Abri lojas em mais de 470 cidades, rodei mais de dois milhões de quilômetros. E agora estou vendo, lá, um ministro querendo ganhar mais do que eu em 30 anos, fazendo contrato, lá, com a mulher e com o irmão. Será que isso está certo?"
Além da possibilidade de julgamentos parciais, a crítica acerca do tema envolve a preferência de clientes pelos familiares dos ministros, que enxergariam na representação uma forma mais fácil de obter decisões favoráveis. Em entrevista, Fachin cunhou o termo "filhofobia" para rebater a polêmica. Sua filha, Melina Fachin é advogada. O presidente da Corte chegou a se declarar impedido recentemente, em uma ação do Banco Santander, para o qual Melina atua.
Zema já declarou que deve apoiar o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) em um eventual segundo turno contra o presidente Lula (PT).




