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Dentro do Durival de Britto

Ansiedade nos bastidores compensada com ótima vitória

Paraná deixa a torcida animada e mostra futebol que pode levar o Tricolor de volta ao grupo da Libertadores

Ansiedade. Fosse dentro ou fora do Estádio Durival Britto e Silva, nas arquibancadas ou nas sociais, o clima era de puro êxtase e uma forte emoção nos pouco mais de nove mil paranistas pagantes que retornavam à antiga morada do Paraná Clube. Apesar do público estar aquém do esperado – seja pelo valor dos ingressos, que custavam entre R$ 30,00 e R$ 60,00, ou pela chuva que castigou Curitiba durante boa parte da quarta-feira – quem compareceu empurrou o Tricolor para cima do Fortaleza, que acabou "pagando o pato" em uma noite quase perfeita.

Mas, o time não venceu, na volta à Vila Capanema, ansiada há dois anos e meio, quando os tricolores se viram exilados no Pinheirão? Sim, o Paraná mostrou um futebol muito próximo ao apresentado no primeiro turno do Brasileirão, quando se deu a ascensão da equipe de Caio Júnior. Talvez eu esteja sendo exagerado, mas se a jogada magistral do atacante Cristiano tivesse resultado em gol, o terceiro do jogo, ai então a noite seria sido perfeita. Lançado em um rápido contra-ataque, o avante fez tudo certo, deixou os zagueiros para trás, driblou o goleiro, mas na hora do arremate, a bola bateu, caprichosamente, na trave.

Alguém chiou nas arquibancadas? Nada disso, ele recebeu apenas gritos de incentivo e aplausos, assim como todo o time durante os 90 minutos. O torcedor deve ter se irritado apenas quando tentava chegar ao estádio, em plena hora do "rush".

Dário Lopes dos Santos – A Rua do Caos

Com o aumento da capacidade da Vila Capanema, a diretoria do Paraná optou em mudar a entrada principal do estádio para a Rua Dário Lopes dos Santos, onde fica a curva norte, local no qual agora se concentra a maior parte do público em jogos do Tricolor. A antiga entrada pela Engenheiro Rebouças agora é exclusiva dos visitantes. O fato é que a enorme fila de carros que se formou ao redor do estádio, sobretudo na Dário Lopes, assustou quem apenas passava pelo local sem qualquer interesse na partida.

Os carros praticamente se espremiam em duas das três pistas da rua, congestionando o tráfego e causando irritação em alguns torcedores. Obviamente, imaginando o que estaria por vir, o esforço valeria cada minuto na espera por uma vaga no estacionamento, ou cada buzinada que o carro de trás desse sem o menor pudor.

Paciente mesmo foi a Polícia Militar, que, educadamente, orientava os motoristas e mantinha os ânimos apaziguados. O clima de tranqüilidade só foi abalado com os dois gols históricos assinalados pelo atacante Leonardo e pelo lateral-direito Peter a favor do Tricolor.

A redenção

Com a bola rolando no confronto entre o Tricolor de Vila Capanema e o Tricolor de Aço, como o Fortaleza é carinhosamente chamado, os cearenses praticamente se defenderam o jogo todo. Com o apoio da torcida e ciente da importância da partida, tanto para as pretensões na competição, quanto pelo caráter histórico, o Paraná partiu para cima dos visitantes, imprimindo o seu melhor futebol. Nas arquibancadas, a bateria da Fúria Independente ditava, assim como já é notório para quem freqüentemente vai aos jogos do Tricolor em casa, o ritmo, contagiando os demais setores do Durival de Britto. Nas sociais, o clima de euforia era um pouco mais contido, tanto que um comentarista esportivo que cobria a partida comentou no início do segundo tempo: "aqui abaixo das cabines, nas sociais, o pessoal tem que participar mais, parece que estão apenas boquiabertos com o futebol do Paraná".

E realmente estavam. Se o gol não saiu na primeira etapa de jogo, apesar das grandes oportunidades, no início do segundo tempo os comandados de Caio Júnior fizeram valer a sua força. Em jogada que começou nos pés do zagueiro Émerson, a bola rolou solta – longe dos buracos do gramado do Pinheirão – para Leonardo, que, de calcanhar, soltou para o meia Gerson. Livre, ele entrou na área e acabou derrubado pelo também zagueiro Émerson, do Fortaleza. Pênalti indiscutível.

Na cobrança, Leonardo não desperdiçou a oportunidade de colocar o seu nome nas páginas da história tricolor. Bateu bem, colocado, deslocando o goleiro Albérico, e soltou o entalado grito de gol da garganta dos paranistas, que a partir dali só iriam empurrar o time ainda mais para cima dos visitantes que, acuados, abusavam das faltas. Fora os torcedores, quem melhor assistiu o jogo foi o goleiro Flávio, que praticou uma única grande defesa aos 26 minutos da etapa complementar, em um arremate de André Cunha.

Mais a fatura já estava liquidada nesta altura. Nove minutos antes, Leonardo roubou a bola de um defensor e passou para o lateral-direito Peter, que não perdoou e encheu o pé, sem chance para Albérico, mais uma vez. Foi o que bastou para o mais recente titular de Caio Júnior cair nas graças da galera e deixar o torcedor tranqüilo com a saída de Ângelo, que deve jogar no Catar.

Poucos ousaram arredar o pé da Vila antes do fim do jogo. A maioria preferiu exaltar a vitória após o apito final do juiz Leandro Pedro Vuaden. E aproveitar para curtir um pouco mais do novo Durival de Britto, até porque o Paraná só volta a jogar em casa daqui a 13 dias, contra a Ponte Preta. Pela a impressão que os paranistas deixaram, a expectativa é de que os bons ventos voltaram a transitar pelos lados do Paraná Clube, e a Libertadores está ali, muito próxima. É esperar pra ver.

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