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Entrevista

Aos 27 anos, paranaense Rodrigo Sperafico é líder e favorito ao título na Stock Car

O piloto toledense é um dos favoritos ao título de 2007 e atualmente é o líder da competição com 25 pontos conquistados

Tesla Roadster 100 é vendido por US$ 98 mil nos EUA | Divulgação/ Tesla Motors
Tesla Roadster 100 é vendido por US$ 98 mil nos EUA (Foto: Divulgação/ Tesla Motors)

Após duas etapas do Campeonato Brasileiro de Stock Car V8, o paranaense Rodrigo Sperafico é o líder com 31 pontos, três a mais que o segundo colocado Daniel Serra. Em sua terceira participação na categoria, ele é o pole position de uma família de Toledo, região Oeste do Paraná, de apaixonados pelo automobilismo (corre na V8 ao lado do irmão gêmeo Ricardo e próximo ao primo Rafael, na Stock Light).

Aos 27 anos, Rodrigo deixou seu nome nas estatísticas da categoria ao se tornar o 1.º paranaense em 16 anos a vencer a etapa de Curitiba da categoria. Ao fazer um fim de semana perfeito na 2.ª etapa da temporada (no dia 6 de maio), o piloto conquistou o melhor tempo na classificação e venceu a prova realizada na capital paranaense de ponta a ponta.

Em entrevista especial à Gazeta do Povo Online, Rodrigo resumiu sua primeira vitória na categoria. "Foi perfeito. Acho que vencer em Curitiba depois de 16 anos sem uma vitória de um paranaense naquele traçado foi mais especial ainda. Além disso, tinha toda a torcida a nosso favor". Atualmente o piloto corre pela equipe Genéricos Biosintética Stock Car.

A disputa pelo título, que atualmente pertence ao piloto carioca Cacá Bueno, promete ser acirrada. Na opinião de Sperafico, pelo menos 10 pilotos estão na disputa. "Acho que os favoritos são os 10 primeiros do ano passado. Além disso, há uns 15 pilotos com potencial para disputar o título, mas prefiro não citar nomes". O último paranaense campeão da Stock Car foi David Muffato, em 2003.

Após a temporada passada, Sperafico entrou em 2007 com status de favorito, já que mantém uma regularidade invejável. "Talvez a regularidade tenha me tornado um favorito, mas não sinto pressão por causa disso. Acho que desde o momento em que você está em uma competição, a pressão é constante. Estou acostumado com isso". No ano passado ele ficou em 9.º no campeonato e conseguiu dois segundos lugares (Curitiba e Santa Cruz do Sul) e terceiro em São Paulo, além de várias vezes figurar entre os cinco melhores.

Mudando para melhor

A grande mudança na Stock Car em 2006 foi a inclusão do sistema de playoffs para decidir quem seria o campeão, sistema mantido para 2007. Os pilotos que disputam as oito primeiras etapas estão na briga pelo título, mas apenas os 10 primeiros na classificação geral seguirão com este objetivo nas etapas seguintes. As quatro últimas etapas do calendário terão a participação dos mesmos 38 pilotos que iniciam costumeiramente as corridas, mas apenas aqueles 10 primeiros seguem na disputa pelo título da temporada.

É praticamente um consenso entre os participantes da categoria que o sistema está aprovado e favorece a disputa pelo título. Sperafico não pensa diferente. "Eu acho que funcionou bem no ano passado. Somente os dez pilotos mais bem classificados disputaram o campeonato".

Neste ano a grande mudança foi a adoção de pneus exclusivamente nacionais, no lugar dos importados. Com o objetivo de aumentar a segurança dos pilotos e baixar os custos da categoria, a novidade foi bem vinda para o piloto paranaense. "Com relação ao ano passado o carro ficou mais lento. É um composto diferente de pneu, mais duro. Mas a segurança e a durabilidade melhoraram e isso tornou a categoria mais equilibrada ainda".

As mudanças, além de aumentarem a segurança dos pilotos, também ajudam a popularizar o esporte no país. Hoje, a Stock Car é a categoria mais popular e rentável do Brasil. "Foi todo um conjunto, que inclui a administração da categoria, as transmissões da Globo, os pilotos, as grandes empresas patrocinadoras e, mais do qualquer coisa, o público". Nas duas primeiras etapas do ano (São Paulo e Curitiba) a média de público ficou em impressionantes 38.500 pessoas (5 mil a mais do que a média do ano anterior), número dificilmente visto em estádios de futebol nos dias de hoje.

Na opinião de Sperafico, o automobilismo chegou de vez ao posto de segundo esporte preferido dos brasileiros. "Com certeza, afinal a maioria dos brasileiros tem carro e todos gostam de acelerar de vez em quando".

Experiências e expectativas

Como maior conquista o piloto toledense ostenta o título do Campeonato Brasiliense de Kart, a 3.ª colocação na Fórmula 3 Sul-Americana e o título de melhor estreante desta categoria um ano antes. Também foi o 4.º colocado na F-3000 italiana em 2000 e 6.º colocado na F-3000 internacional em 2002. Participou ainda da Fórmula Ford Inglesa e da Fórmula Nissan.

Com grande experiência nos chamados "monopostos", o piloto se aventura nos "turismos" desde 2005. "Os carros de turismo são muito maiores, mais pesados e você pilota do lado esquerdo. Além disso, não existe pressão aerodinâmica, com nos fórmulas, e fisicamente eles exigem menos do piloto. Guiar um carro de turismo também é mais divertido do que guiar um fórmula".

Atualmente na categoria Turismo, Sperafico é realista ao lembrar do sonho de todo piloto, ou seja, correr a Fórmula 1. "Meu sonho é sempre poder estar pilotando, independente da categoria que for. O automobilismo é uma paixão. A Fórmula 1 é um sonho que não consegui realizar, mas mesmo assim sou feliz por estar correndo".

O mesmo realismo – até certo ponto triste - não se aplica à perspectiva de disputar a Nascar, categoria mais importante e lucrativa dos Estados Unidos. "Talvez. Ainda quero disputar as freadas e fazer curvas para a direita (risos)", brinca, já que as provas norte-americanas são disputadas em circuitos ovais, em sentido anti-horário e com o "pé embaixo".

Ainda sobre Fórmula 1, Sperafico dá um pitaco sobre a atual temporada e a briga de Felipe Massa pelo título. "Tudo indica que sim. Ele está no caminho certo". A situação de Rubens Barrichelo, que por azar correu pela Ferrari ao lado de Michael Schumacher – piloto com mais títulos e recordes de todos os tempos – o piloto paranaense é bem sincero. "Ele teve a chance dele na Ferrari. Não é na Honda que ele vai ser campeão".

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