
Quatro rebaixamentos para a Segunda Divisão (1989, 1993, 2005, 2009) e um para a Terceira Divisão, em 1990. Nove anos consecutivos sem nem sequer um título estadual para comemorar entre 1989 e 99. Coxa-branca que não viu a conquista do Brasileiro de 1985 não teve vida fácil nas arquibancadas. Esse hiato de destaque nacional explica, em parte, a imensa empolgação que toma conta dos alviverdes com o time na decisão da Copa do Brasil.
"Desde que acompanho o Coritiba, posso afirmar que estamos no auge. É um momento que a minha geração nunca teve, e a expectativa para quarta-feira é gigantesca", confirma Gregory Stricker, 22 anos, estudante de Direito, nascido cinco anos "atrasado" em relação à maior glória do time do coração.
"Estamos na expectativa, está tão perto, mas pode ser que morra na praia. Foram 26 anos para chegar novamente em uma final de título nacional. Espero que consiga o título, claro, mas, mesmo se não conseguir, que seja um estímulo para continuar", diz o designer Gustavo Goes Domingues, que nasceu cinco meses antes da volta olímpica no Maracanã, iniciada com a vitória nos pênaltis sobre o Bangu.
Durante os 26 anos em que o Alviverde foi uma pálida lembrança do clube glorioso das décadas anteriores a de 70 foi especialmente frutífera, com oito taças do Paranaense valeu o peso da tradição familiar para manter-se na torcida. "Meu pai sempre contava das conquistas e eu passei a conhecer a história do Coritiba. Veio daí, em parte, o amor pelo clube", revela Stricker.
A primeira taça da geração pós-85 foi o Estadual do ano seguinte, quando mal sabiam gritar Coxa. Três anos depois, em 89, o estádio ainda era uma festa só, qualquer que fosse o resultado. Comemoração mesmo, de lembranças vivas na memória, só foi acontecer na adolescência, em 99, na conquista do Paranaense sobre o Paraná.
"Lembro que fui com o meu pai. Comemorei bastante no Pinheirão. Foi a primeira vez que eu senti a emoção de ser campeão com tudo que tem direito", lembra o paisagista Francisco Zanetti, 26 anos, nascido em 31 de janeiro de 1985, seis meses antes de o zagueiro Gomes cobrar o pênalti que garantiu a festa inédita.
"Eu já tinha 14 anos no primeiro título, em 99. Era desanimador. E começou a ficar mais tenso quanto mais velho eu ficava. Quando era novo eu não sofria tanto", afirma Domingues. As passagens ruins foram mais constantes. Tudo começou com o descenso na canetada da CBF, em 1989. Drama repetido em outras três oportunidades na última delas, de forma trágica, com a violência que marcou a derrota para o Fluminense, em 2009.
"Não foi fácil ver o time jogar a Segundona, sofremos muito. O Coxa parecia travado durante todo esse tempo. Até que em 2009 aconteceu a mancha na história. Se bem que eu acho que serviu para acordar o gigante", diz Stricker.
Para piorar, há outra recordação, esta que nenhum deles gosta de mencionar. Por mais que o Coritiba já possuísse uma conquista de igual dimensão à do Atlético, não ter a memória viva de 85 era quase como se Rafael Camarotta não tivesse fechado o gol no Rio de Janeiro.
"Pois é, ainda teve o título do Atlético [brasileiro, em 2001]. Foi bem dolorido no dia. Tive de sair de Curitiba, fui com o meu cunhado para a praia, para não ver a alegria do rival", declara Zanetti.
Contra o Vasco, os jovens fãs alviverdes esperam vivenciar um inesquecível momento de glória.








