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História

Após 20 anos, ex-zagueiro ainda vive trauma do gol contra

Berg, hoje professor em uma escolinha de futebol em Londrina, viu o Atletiba de 90 arruinar sua carreira | Roberto Custódio/ Jornal de Londrina
Berg, hoje professor em uma escolinha de futebol em Londrina, viu o Atletiba de 90 arruinar sua carreira (Foto: Roberto Custódio/ Jornal de Londrina)

De um lado, só restava ao goleiro atleticano Marolla rezar, e era exatamente o que ele fazia. Do outro, o zagueiro alviverde Berg apenas esperava o tempo passar para se tornar o herói.

O time do Coritiba era superior, poucas pessoas discordam disso. Talvez por isso, não foi difícil ao Alviverde – que saiu per­­dendo ao tomar um gol logo aos 5 minutos, do atacante Dirceu – virar a partida ainda na primeira etapa.

O gol do 2 a 1, claro, havia sido do então eufórico defensor alviverde, Berg. Ele se aproveitou uma fa­­lha bisonha do experiente Marolla, que tentou rebater um escanteio, mas a bola caiu quase na linha de seu gol, no pé do coxa-branca.

O relato trata do dramático Atletiba que definiu o título do Paranaense de 1990, última decisão entre os dois rivais disputado no Couto Pereira (completará 20 anos no dia 05 de agosto). E, ao contrário do que possa parecer até aqui, quem saiu do Alto da Glória festejando foi o Atlético.

"Nunca esqueci dessa partida. Ainda mais porque fui eu que falhei no gol de virada do Cori­­ti­­ba. Dei um tapa na bola, mas ela voltou", relembra Marolla, que até os 25 minutos da segunda etapa estava inconsolável dentro de campo. "Era eu defendendo e rezando, rezando. Rezei muito!"

Aos 26, Berg marcou contra o 2 a 2. O empate era suficiente para o rival da Baixada levantar a taça de 1990. "Eu sabia que o Atlético tinha bons chutadores de fora da área", se explica Berg, meio acanhado, ao justificar a falha.

O ex-zagueiro, atual professor de futebol em Londrina, evita lembrar do lance desde o mo­­mento em que a bola rebatida por Jorjão tocou em sua cabeça. Mas a jogada começou antes e, por isso, é tão espetacular. Em apenas seis segundos, Berg deixou de ser o jogador que sonhava chegar à seleção e, praticamente, acabou ali a sua carreira. Marque no relógio.

No desespero, Odemílson lança a bola com as mãos para a área Alviverde. Serginho, Hélcio e Paulo César correm na bola. É cabeção que, desequilibrado, toca para trás. Jorjão, de puxeta, tira das mãos de Gérson. E, no meio da área, a bola chega para Berg. Ele tem ainda menos tempo para decidir. E decide (explicação dada acima) colocá-la para escanteio. Mas a bola entra no ângulo esquerdo de Gérson, sob os olhares atônitos das 42 mil pessoas presentes no Couto Pereira.

Quase 20 anos depois, a mesma lembrança ainda faz a pessoa do outro lado da linha telefônica ficar muda. É um silêncio que du­­ra bem mais do que a trajetória da bola. Não é que Berg esteja pensando, a resposta ele já tem faz tempo."Se eu tivesse outra chance, cabecearia para qualquer ou­­tro lado", diz.

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