
Ontem à tarde, Marcelo Toscano foi à Vila Capanema pela última vez. No horário de reapresentação dos atletas um dia após a derrota para o América-RN, por 1 a 0 ele recolheu as suas chuteiras, despediu-se dos colegas, pegou o carro e se mandou pelo portão da Rua Engenheiro Rebouças. Nos próximos dias, embarca para Portugal, onde vai defender o Vitória de Guimarães.A conclusão da transferência depende ainda da apresentação de garantias financeiras por parte do comprador que pagará cerca de 500 mil euros por 50% dos direitos do atleta. Apesar disso, já é possível dar como encerrada a passagem de um jogador que se tornou emblemático ao momento atual do Paraná. Desde que chegou a Curitiba, em maio de 2009, ele viveu improvisações dentro de campo e confusões financeiras fora dele.
Confusão que se estenderá mesmo com a saída dele. Isso porque a Justiça penhorou os direitos econômicos de Toscano para o pagamento de uma dívida do Tricolor com o volante Pierre, de aproximadamente R$ 270 mil. Situação que pode acabar afetando Renato Trombini, empresário e parceiro do clube, responsável por adquirir o jogador e mantê-lo no Durival Britto no início do ano.
Toscano foi contratado como ala-direito, vindo do Paulista de Jundiaí-SP. Foi titular com o técnico Zetti e aos poucos perdeu prestígio. Só foi deslanchar quando voltou a sua posição original, de atacante, com o técnico Roberto Cavalo. Na frente, foi destaque na reta final da Série B em 2009.
Durante o Paranaense manteve o status de peça fundamental e foi embora como artilheiro da equipe na Segundona, com cinco gols marcados. Motivo para provocar saudade no torcedor? Não. Depois do jogo com o Mecão, na noite de terça-feira, alguns paranistas despediram-se dele com um coro de ofensas entoado à beira do alambrado.
Uma das razões para tanta revolta além da derrocada do time após a Copa do Mundo pode ser o fato de o atacante ter desperdiçado três pênaltis na temporada. Mas, certamente, não é o principal. O desgosto da galera tem relação com os acontecimentos longe das quatro linhas, nos quais Toscano também sempre foi protagonista.
A começar pela permanência dele no Paraná. Em grave financeira, o clube apelou a Trombini e tudo se resolveu. Pelo menos, até a falta de dinheiro voltar a incomodar. A partir daí, por duas vezes Toscano revelou a disposição de ir embora, descontente com os atrasos de salário, que chegaram a provocar duas greves no período em que ele vestiu com a camisa tricolor.
O tempo passou e surgiu o interesse do Vitória de Guimarães. E aí, foi a senha para o fim. Mesmo atuando normalmente, ele entrou na lista dos jogadores que não estariam se doando ao time, mais interessados em transações para outros clubes.



