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O presidente da Argentina, Javier Milei, voltou a fazer críticas ao governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT), um dia depois de ter chamado o petista de "presidiário" e "ladrão" na convenção nacional do PL, em São Paulo, que oficializou a candidatura do senador Flávio Bolsonaro à Presidência da República.
Durante uma entrevista à Rádio Mitre, neste domingo (26), o líder da Casa Rosada acusou o governo brasileiro de ter financiado uma campanha "anti-Argentina" durante as eleições do país em 2023.
Milei justificou que o alinhamento com os EUA e Israel tornou o país um farol de liberdade no Ocidente. "É por isso que houve todos os ataques, toda a campanha midiática, porque estamos sendo o farol do Ocidente, porque estamos mudando o mundo, porque estamos desafiando as políticas desses vigaristas que se escondem atrás do governo para roubar das pessoas honestas", disse.
Ele prosseguiu: "Vocês sabem quem investiu mais dinheiro nessa campanha anti-Argentina? O governo brasileiro. 25% dos recursos vieram do governo brasileiro. E depois vêm falar em interferência. Além disso, eles tiveram um papel muito ativo na campanha de 2023. Vocês se esqueceram de que os assessores de Massa [Sergio Massa, principal adversário de Milei nas urnas] eram um grupo de brasileiros?".
O líder argentino renovou suas críticas à decisão do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), de proibir uma visita ao ex-presidente Jair Bolsonaro, que cumpre prisão domiciliar, durante sua passagem pelo Brasil.
“Eu queria ir ver meu amigo Jair Bolsonaro. Não me deixaram. Aqui, porém, o ex-presidiário veio cumprimentar o prisioneiro”, disse ele, referindo-se à visita que Lula fez há um ano à ex-presidente argentina Cristina Kirchner, no apartamento onde ela também cumpre prisão domiciliar por corrupção.
“Aqui não houve problemas. Ninguém o proibiu de fazer nada. No entanto, não me deixaram visitar meu amigo, que também está preso injustamente. Além disso, essa campanha anti-Argentina também é financiada pelo México e pelo Partido Democrata dos EUA. São os líderes progressistas que não querem que as ideias de liberdade funcionem", afirmou.
As novas declarações de Milei surgem no mesmo dia em que o Itamaraty convocou o embaixador do Brasil na Argentina, Julio Bitelli, a retornar a Brasília para consultas, após as falas do governante argentino na convenção partidária do PL.
Durante seu discurso no sábado a favor da candidatura de Flávio, Milei criticou Moraes por negar sua solicitação de visita ao ex-presidente Jair Bolsonaro, referindo-se ao magistrado com termos como “careca lixo”.
Ele também renovou suas críticas ao presidente Lula, na ocasião, chamando-o de "presidiário" e "ladrão".
A decisão do Itamaraty de convocar o embaixador amplia a já tensa relação entre os países por divergências ideológicas.
Governador de Buenos Aires, desafeto de Milei, sai em defesa do governo Lula
O governador da província de Buenos Aires, o peronista Axel Kicillof, declarou neste domingo (26) que entrou em contato com o Itamaraty para condenar as falas do presidente Javier Milei. Segundo ele, as afirmações não representam o que o povo argentino considera do governo brasileiro.
Em comunicado, Kicillof disse ter acompanhado o discurso de Milei com “profunda vergonha” e que as palavras proferidas pelo líder da Casa Rosada atingiram o povo brasileiro.
“Ontem vimos, com vergonha alheia, o presidente Milei ofender e insultar o governo do Brasil, seu presidente e todo um país. Da província de Buenos Aires, afirmamos que a Argentina respeita as nações irmãs e aposta na integração regional”, disse o governador de Buenos Aires.
O político portenho, desafeto do presidente argentino, argumentou ainda que o Brasil é o principal parceiro comercial da Argentina e que Milei apoia o candidato Flávio Bolsonaro por pressão do presidente dos EUA, Donald Trump.




