
Quando foi montar o elenco para a temporada, o Fluminense não teve nenhum pudor em superlotar de jogadores caros o setor ofensivo. O atacante Wellington Nem, revelação do Brasileirão de 2011 emprestado ao Figueirense, voltou para as Laranjeiras como sexta opção ofensiva. O meia Thiago Neves foi contratado a peso de ouro para disputar posição com os badalados Deco e Wagner. Sustentado por um patrocinador forte, a Unimed Rio, que banca a maior parte do salário dos astros, o Tricolor mostrou que acertou na aposta arriscada e chegou neste domingo (11) ao tetracampeonato brasileiro com três rodadas de antecedência.
Campeão em 2010 e melhor time do segundo turno do ano passado, o Flu já tinha um elenco capaz de fazer bonito em 2012. Ainda assim a diretoria procurou reforços de forma cirúrgica. Fechou com Bruno para substituir Mariano na lateral direita, e com o volante Jean, o lateral-esquerdo Thiago Carleto e o zagueiro Anderson para compor o elenco. Investiu pesado nos meias Wagner e, principalmente, Thiago Neves, tirado do rival Flamengo a peso de ouro. O excesso de jogadores era um problema para Abel Braga resolver.
E o treinador se saiu muito bem nesse processo. Aos poucos, foi liberando aqueles que ficavam sem espaço e descontentes, como Marquinho, Martinuccio, Souza, André Luis, Araújo, Lanzini e Rafael Moura. Com isso, o elenco, que antes era enorme, ficou enxuto. E o sucesso das revelações de Xerém foi fundamental para que o plano fosse bem executado.
Mesmo com os problemas de lesões - principalmente do zagueiro Leandro Euzébio e do meia Deco - e suspensões, o torcedor sempre soube de cor e salteado quem são os 11 titulares: Diego Cavalieri; Bruno, Leandro Euzébio, Gum e Carlinhos; Jean, Edinho, Deco e Thiago Neves; Wellington Nem e Fred.
Da segunda rodada até o título ser definido neste domingo, nenhum dos 11 perdeu o status de titular em qualquer momento. O time só foi diferente na estreia, quando Abel poupou seus principais jogadores pensando no jogo da Libertadores contra o Boca Juniors.
O elenco que começou o ano inchado chegou ao título brasileiro com cada jogador sabendo o papel a cumprir. Se os titulares estão na ponta da língua do torcedor, os reservas também: Ricardo Berna, Wallace, Digão, Anderson, Carleto, Valencia, Diguinho, Wagner e Rafael Sóbis. Para evitar que houvessem jogadores encostados - como Rafael Moura, liberado para o Inter em agosto -, o restante do grupo era composto somente por crias de Xerém.
Num elenco tão estrelado no início da temporada, os jovens pareciam fadados a atuar poucos minutos. Mas Abel não teve medo de apostar nos garotos. Na campanha, o Fluminense os usou como nunca, casos dos laterais Wellington Carvalho e Wallace, dos meias Rafinha e Higor e do atacante Michael, todos convocados recentemente para a seleção Sub-20, além dos atacantes Marcos Júnio, Samuel Rosa e Matheus Carvalho.
Ajudou bastante também o fato de o time ter sido eliminado nas quartas de final da Libertadores, pelo Boca Juniors, entre a primeira e a segunda rodadas do Brasileiro. Diferentemente de outros fortes concorrentes, como Grêmio, Corinthians, Santos e São Paulo, não precisou intercalar o Nacional com outros campeonatos.







