
Londres - Rivais históricos em disputas olímpicas, Rússia e EUA podem dizer que têm um elo nos Jogos Paralímpicos: Jessica Long, nadadora que coleciona sete ouros em Atenas-2004 e Pequim-2008. Em Londres, no primeiro dia de competição, já conquistou seu primeiro ouro e o recorde nos 100 metros borboleta.
A jovem, de apenas 20 anos, nasceu na Sibéria (território russo). Assim como o sul-africano Oscar Pistorius, ela nasceu sem a fíbula osso que ajuda a fixar os músculos e teve de ter as pernas amputadas. Ela foi parar em um orfanato do país do Leste Europeu. Com pouco mais de um ano, a "antiga" Tatiana Olegovna ganhou um novo nome ao ser adotada por uma família norte-americana.
Ela foi criada na cidade de Baltimore a terra natal de Michael Phelps e, ao entrar em contato com a natação, iniciou uma série de feitos precoces. Uma década de vida bastou para ela ser considerada a melhor nadadora do estado de Maryland, no Leste dos EUA. No entanto, foi em 2004 que ela espantou torcedores e especialistas.
Com apenas 12 anos, ela conquistou três medalhas de ouro nos Jogos Paralímpicos de Atenas. Como reconhecimento, ganhou o prêmio de melhor atleta do país em esportes amadores, uma honra nunca dada antes a alguém com deficiência. Em Pequim-2008, foram quatro idas ao topo.
Apesar da cara de menina, em Londres, ela é uma "veterana" em sua terceira Paralimpíada. Ontem, já mostrou a que veio ao vencer a primeira prova que disputou na competição: ouro e recorde paralímpico nos 100 m borboleta. Foi a primeira conquista dourada dos EUA nos Jogos. "Não é fácil. Não é só pular na água e ganhar o ouro. O trabalho é muito duro", disse ela, após nadar a primeira de suas nove provas na capital britânica.
Agora estrela de campanhas publicitárias de grandes empresas como a Coca-Cola, Jessica atraiu patrocínios, fama e começou uma carreira de modelo. Apesar disso, continua soberana nas competições: detém, atualmente, 13 recordes mundiais em provas paralímpicas. Mas ela ainda quer mais. "Eu não vou colocar uma meta específica, porque qualquer coisa pode acontecer durante as provas, mas eu pretendo sair daqui com muitos ouros", diz. Quem duvida?
* O jornalista viajou a convite do Comitê Paralímpico Brasileiro.



