A decisão do presidente dos EUA, Barack Obama, de não comparecer à votação do COI que decidirá a sede dos Jogos de 2016 deve prejudicar a cidade de Chicago na disputa com Rio de Janeiro, Madri e Tóquio, disse nesta sexta-feira o ministro dos Esportes do Brasil, Orlando Silva Jr.
Enquanto o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o rei Juan Carlos, da Espanha, têm presença confirmada na sessão do Comitê Olímpico Internacional (COI) em Copenhague no dia 2 de outubro, Obama, que fez sua carreira política durante a vida toda em Chicago, decidiu não participar da votação e enviará como representante a mulher, Michelle.
Obama informou na semana passada a decisão de não ir à Dinamarca ao presidente do COI, o belga Jacques Rogge, alegando que precisa se dedicar à aprovação da reforma do sistema de saúde dos EUA.
"A ausência do presidente Barack Obama da sessão do COI que escolherá a cidade sede dos Jogos Olímpicos de 2016 deve ser muito sentida pela cidade de Chicago, mas não é um tema nosso", disse o ministro em entrevista coletiva à imprensa estrangeira.
"Nós comemoramos a presença do presidente Luiz Inácio Lula da Silva", acrescentou. "O presidente está muito honrado e muito confiante, porque nós observamos que há uma respeito muito grande por parte da comunidade internacional ao presidente da república do Brasil."
A presença de chefes de Estado nas votações olímpicas têm tido papel cada vez mais importante nas últimas sessões do COI.
O ex-primeiro-ministro britânico Tony Blair foi considerado fundamental para ajudar Londres a ganhar os Jogos de 2012, enquanto o ex-líder russo Vladimir Putin ajudou Sochi a ser escolhida sede dos Jogos de Inverno de 2014.
As autoridades da campanha de Tóquio anunciaram esta semana que irão convidar o novo primeiro-ministro do país, Yukio Hatoyama, para ir a Copenhague tentar angariar votos para a cidade entre os membros do COI que participam da votação, feita em rodadas eliminatórias com uma cidade sendo excluída de cada vez.
Segundo o presidente do COI, não há uma clara favorita entre as quatro concorrentes e a vencedora será decidida por uma margem "muito apertada."
Conquistar corações
O Rio de Janeiro, que pela primeira vez chegou à fase final do processo de escolha olímpica após duas tentativas frustradas, saiu fortalecido após a divulgação no início do mês dos relatórios de avaliação das cidades feitos pelo COI.
Apesar de terem destacado preocupação em áreas como acomodação e segurança, os inspetores citaram pontos positivos de realizar uma Olimpíada na cidade e a consideram tecnicamente apta.
A cidade aposta ainda na experiência bem-sucedida dos Jogos Pan-Americanos de 2007, apesar de projetos não realizados e do estouro de orçamento, e na realização da Copa do Mundo de futebol no Brasil em 2014, que adiantará parte das obras de infraestrutura necessárias para a Olimpíada.
O ministro dos Esportes afirmou que a confiança em realizar os primeiros Jogos Olímpicos na América do Sul é grande, porque todos os eleitores do COI que foram apresentados à proposta brasileira demonstraram uma boa receptividade.
Segundo ele, o Rio "quer conquistar o coração dos membros do COI com a paixão do povo carioca e brasileiro pelo esporte".
"Em todas as apresentações da candidatura houve uma boa acolhida, um bom entendimento da mensagem do Rio de Janeiro -- queremos transformar a cidade do Rio de Janeiro a partir dos Jogos Olímpicos, queremos reforçar o esporte como instrumento de transformação social, queremos trazer o movimento olímpico para a América do Sul", afirmou.



