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CARNEIRO NETO

Chega de notícia ruim

Os brasileiros estão cansados de más notícias. “Chega de notícia ruim”, berrou um amigo que passou correndo por mim no Parque Barigüi. Seria ótimo se os telejornais, os boletins radiofônicos e as páginas dos jornais pudessem desfilar somente informações positivas, agradáveis e que elevasse a autoestima da população.

Como hoje é domingo vamos, apesar dos pesares, amenizar o nosso encontro com uma historinha antiga e bem interessante.

Depois de receber o Prêmio Nobel da Física, em 1918, Max Planck viajou por toda a Alemanha. Sempre que era convidado para dar uma palestra, apresentava o mesmo texto sobre a nova mecânica quântica. Com o tempo, seu motorista já sabia a palestra de cor.

“Deve ser monótono, professor Planck, proferir sempre o mesmo discurso. Que tal se eu o substituir em Munique e o senhor ficar sentado na primeira fila com meu quepe de motorista ? Assim, nos revezamos um pouco”.

Planck achou a proposta divertida e concordou. E o motorista deu a longa palestra sobre mecânica quântica para um público de altíssimo nível. Após um momento, um professor de física fez uma pergunta.

O motorista respondeu: “Nunca poderia imaginar que em uma cidade tão desenvolvida como Munique alguém fosse fazer uma pergunta tão simples. Vou pedir a meu motorista que responda à sua questão”.

A conclusão é de que há dois tipos de conhecimento. Um deles é o autêntico, de quem estudou, aperfeiçoou-se e que sabe do que esta falando. O outro é justamente o conhecimento do motorista. Boa postura, voz firme e boa aparência o sujeito consegue sair-se bem até que o cérebro precisa funcionar.

Isso é o que mais se vê no Brasil dos nossos dias. Governantes e políticos passam a nítida impressão de que mesmo tentando parecer convincentes diante de câmeras e microfones, eloquentes, fazem discursos ocos, desperdiçando palavras vazias.

Como o festival de notícia ruim tem sido muito abrangente fiquemos, hoje, apenas com o caos instalado na arbitragem do futebol brasileiro.

Não há jogo sem registro de reclamações contra o trio encarregado de interpretar as regras do futebol.

Torcedores, jogadores, treinadores e dirigentes esbravejam, mas a CBF não toma providencias e continua tudo na mesma.

Nesta semana os protestos mais ruidosos partiram de dois personagens com elevados teores de polêmica: Mario Celso Petraglia, presidente do Atlético, e Eurico Miranda, do Vasco.

A meu ver a única solução é a implantação do árbitro de vídeo, responsável por acompanhar os lances pela TV e alertar o árbitro da partida sobre erros de marcação.

As partidas podem durar 180 minutos para dirimir tantas dúvidas. Paciência.

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