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Que time é esse? Quem são esses caras? São perguntas recorrentes na rotina de apresentações da seleção brasileira. Ao contrário do que ocorria até algumas décadas passadas, o torcedor não consegue mais reconhecer os seus representantes. E isso causa um distanciamento como jamais se via entre ele e a seleção brasileira.

A cada nova convocação vêm surpresas e aí haja Google para tentar descobrir de quem se trata. Mesmo com alguns jogadores desse grupo atual, hoje conhecidos e reconhecidos – como David Luiz e Luiz Gustavo (machucado), por exemplo -, o primeiro impacto foi de surpresa, por não terem qualquer vínculo (ou quase isso) com o dia a dia do futebol nacional, em território nacional.

Não é de hoje que a seleção brasileira conta com atletas vindos de outros países. Julinho e Amarildo, nos velhos tempos, vinham da Itália. Mas eram casos isolados, depois de terem feito campanhas vitoriosas por aqui. A partir da década de 1990, quando a Lei Bosman escancarou o mercado europeu, derrubando as cotas máximas de estrangeiros permitidos, os grandes destaques brasileiros passaram a ganhar espaço no mercado.

A seleção vice-campeã de 1998, por exemplo, tinha boa parte dos titulares atuando fora do Brasil, mas, ainda assim havia uma identidade com o torcedor nacional, pois todos eles somente se transferiram após consolidarem carreiras em seus clubes daqui. Eram conhecidos, respeitados e idolatrados.

Com o advento dos empresários, procuradores e outros assessores de atletas, a sede de novidades do mercado internacional se aguçou e o olho dos clubes europeus passou a apontar para jovens ainda em formação, de rápida passagem por aqui. Até chegarmos à situação dos dias de hoje, com a transferência de meninos ainda em formação, muitos deles sem terem qualquer chance em times profissionais de sua origem.

E aí, dá nisso. Há muita dificuldade em torcer para quem era totalmente desconhecido algumas semanas atrás. Por mais que as tevês por assinatura transmitam os principais campeonatos europeus, isso é para um público restrito e a grande maioria da população não tem acesso além da TV aberta. Tanto quanto David Luiz e Luiz Gustavo, Roberto Firmino era um ilustre desconhecido até meses atrás, quando estreou fazendo gol. Hoje já se conhece, mas sem aquela empatia que cria o ídolo.

Poderiam sugerir uma seleção apenas com jogadores atuantes no país. Não funcionaria. Além de montar um time fraco e limitado, a convocação despertaria a cobiça do mercado e já na chamada seguinte pelo menos metade deles estaria negociada com o exterior.

São as regras do jogo, as leis do mercado. E não há, infelizmente, nada que possamos fazer para evitar tal situação.

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