
No último minuto da prorrogação, o artilheiro uruguaio Suárez deu uma de goleiro para tirar a bola em cima da linha. Penalidade máxima e cartão vermelho para o camisa 9. Era só o ganês Gyan mandar para a rede e selar a inédita classificação de uma seleção africana para as semifinais. Mas logo depois se perceberia: nunca uma expulsão valeu tanto a pena para a Celeste. O adversário mandou a bola no travessão e a decisão foi prolongada justamente para os pênaltis. Novamente contando com erros de Gana, o Uruguai voltou a figurar entre os quatro melhores de um Mundial.
"Quem acredita em destino talvez possa explicar, mas eu não tenho uma explicação para o que aconteceu hoje", disse o técnico Oscar Tabárez ao site da Fifa. Ele comandava a seleção uruguaia na última classificação para a segunda fase de uma Copa, em 1990. Em uma semifinal, o país não chegava desde 1970, quando perdeu para o Brasil de Pelé e companhia no México.
O treinador reconheceu que, a exemplo do duelo com a Coreia do Sul, pelas oitavas de final, o time não rendeu o esperado. "Não jogamos bem, mas sobrevivemos a circunstâncias dificílimas. Tomamos um gol no final do primeiro tempo e tivemos um pênalti contra nós no último segundo", afirmou, exaltando a raça dos jogadores.
O gol ganês foi feito por Muntari, batendo de fora da área e contando com a colaboração do goleiro Muslera que ainda daria a volta por cima, pegando duas cobranças nos pênaltis. Forlán empatou batendo falta no início da segunda etapa. O goleiro Kingson, que fez boas defesas, também foi mal no lance, dando um passo para o lado errado e não conseguindo voltar.
No geral, Gana foi melhor. Contando o tempo normal e a prorrogação, tentou 30 finalizações contra 19 dos uruguaios. Mas a falta de pontaria, grande problema do time nas fases anteriores, voltou a atrapalhar. Especialmente nos pés de Gyan, no lance decisivo. "No final tivemos o pênalti que foi a oportunidade histórica de chegar à semifinal. Devemos nos orgulhar do que conquistamos. Assim é o esporte e a justiça. Hoje [ontem] foi o Uruguai que teve sorte", disse o técnico da seleção africana, o sérvio Milovan Rajevac.
Nem o "goleiro" Suárez acreditava mais nessa sorte. Depois da expulsão, ele deixava o campo em desespero. Mas a bola no travessão o fez voltar correndo para comemorar a nova chance.
Chance muito bem aproveitada, aliás. Na disputa por pênaltis, Gyan converteu o dele, mas Mensah e Adiyiah pararam no goleiro Muslera. Forlán, Victorino, Scotti e "Loco" Abreu marcaram para o Uruguai. O centroavante do Botafogo, justificando o apelido, bateu com uma leve cavadinha, tal qual havia feito na decisão do Estadual contra o Flamengo. "Não se trata apenas de coragem. É uma forma de marcar um pênalti. Há várias formas e esta é a que eu mais gosto", explicou, nem parecendo falar de um lance valendo uma semifinal de Copa do Mundo. Quarenta anos depois.





