
Na conquista do pentacampeonato, em 2002, Roberto Carlos era o dono da camisa 6. Oito anos antes, no tetra, o veterano Branco reassumiu a posição após a suspensão de Leonardo pela cotovelada no americano Tab Ramos. Após dois nomes marcantes para a posição, titulares em três Copas cada um, está nos pés de Michel Bastos a missão de não decepcionar na África do Sul.
A aposta do técnico Dunga só foi encontrada após muita procura. Marcelo, Adriano Correia, André Santos, Kléber, Maxwell, Filipe Luís e Gilberto (atual reserva) foram testados. Para o ex-atleticano, bastaram três jogos pela seleção e veio a convocação ao Mundial chegou a cinco após os amistosos com Zimbábue e Tanzânia.
Mesmo atuando como meia há quatro temporadas na Europa e frequentemente pela direita , o jogador do Lyon garante não ter esquecido os atributos necessários para a sua função original. Nos amistosos, porém, a marcação no setor foi confusa.
Nada que o perturbe. Afinal, o gaúcho de Pelotas, de temperamento difícil, melhorou muito dentro e fora do campo para estar na Copa. O excesso de expulsões e as festas exageradas ficaram no passado.
Também quase esquecida na memória de Bastos estão as confusões geradas na sua negociação de saída do Furacão há quatro anos. Na época, uma suposta briga com o então presidente Mário Celso Petraglia bombou nos noticiários.
Inconformado com a dificuldade no desenrolar da ida para o Lille, da França, o lateral teria trocado sopapos com o dirigente. "Isso é mentira. Não chegou a existir agressão de nenhuma das partes. É claro que houve uma discussão. Queria sair para uma oportunidade na Europa. Foram três anos no Lille que valeram minha ida para o Lyon e para a seleção", recorda o jogador.
Na ocasião, o Atlético embolsou cerca de 3 milhões de euros (hoje o equivalente a R$ 6,5 milhões). Mas manteve 20% de participação sobre os direitos econômicos do atleta. Assim, faturaria mais R$ 8,6 milhões com a transação entre os clubes franceses no ano passado.
O episódio vivido em 2006 pelo menos serviu para o camisa 6 ver como amadureceu. Com 21 anos na época, seu comportamento jamais indicaria a possibilidade de disputar a principal competição do planeta.
Depois de ter marcado um gol de falta na vitória sobre o Zimbábue (o primeiro dos 3 a 0) há onze dias, ele ganhou ainda mais moral para não fraquejar. "No final todos vão dizer que o Dunga estava certo em me convocar", avisa, mesmo reconhecendo ter muito a provar com a amarelinha. "Cheguei aqui agora. Sei que por parte de muita gente há um pouco de desconfiança, mas eu estou bastante confiante. Sei o que posso fazer, o que posso mostrar", assegura.







