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Brasil

Para Dunga, tudo não passou de “fatalidade”

Técnico chega sob aplausos em Porto Alegre, cogita até permanecer no cargo, mas é demitido logo em seguida pela CBF

Dunga, agora ex-técnico da seleção brasileira, foi recebido por fãs no aeroporto Salgado Filho, em Porto Alegre. Logo em seguida, foi desligado oficialmente do cargo | Crisrtiano Estrela/ Correio do Povo
Dunga, agora ex-técnico da seleção brasileira, foi recebido por fãs no aeroporto Salgado Filho, em Porto Alegre. Logo em seguida, foi desligado oficialmente do cargo (Foto: Crisrtiano Estrela/ Correio do Povo)

Porto Alegre - O técnico Dunga considerou a eliminação do Brasil da Copa do Mun­­do uma "fatalidade", sustentou que a seleção assumiu a atitude adequada à principal competição do futebol e espera que ela per­­sista nessa postura. "É um trabalho que deve ser mantido para buscar os futuros resultados", afirmou, ao chegar a Porto Alegre, on­­de mora, ontem.

Aplaudido ao chegar ao estacionamento do Aeroporto Interna­­cio­­nal Salgado Filho, o treinador re­­feriu-se ao carinho dos torcedores como uma manifestação de quem viu o trabalho que foi feito e asse­­gu­­rou que não voltaria atrás nas decisões que tomou.

"É aquilo que nós tínhamos pro­­jetado desde o início, de resgatar esse amor em redor da seleção brasileira, de a seleção ser muito pa­­recida com o povo, trabalhadora, foi aquilo que fizemos", disse. "O povo viu que os jogadores estavam comprometidos, focados; ninguém viu polêmica, bagunça, (ficaram) 42 dias juntos sem ne­­nhum atrito, cada um buscando seu espaço, tentando representar o Brasil da melhor maneira".

Mesmo reiterando que o trabalho foi aquele que havia sido pla­­ne­­jado, Dunga admitiu a decepção ao falar de seus sentimentos diante da eliminação precoce da Copa do Mundo. "A sensação é que um pe­­da­­­­ço de nós ficou na África do Sul", revelou.

O técnico lembrou que nos quase quatro anos sob seu co­­mando a seleção só perdeu seis jo­­gos, foi cam­­peã da Copa América e da Co­­pa das Confederações, conseguiu a classificação para o Mundial sem so­­bressaltos e estava fazendo uma boa campanha na África do Sul, para lamentar que, "na hora em que a equipe começou a se acertar, tivemos essa fatalidade", referindo-se ao fato de o Brasil to­­mar dois gols em jogadas de bola parada, consideradas um dos pontos fortes da equipe, quando perdeu para a Holanda.

Ao final da entrevista, Dunga garantiu que não ficou com ne­­nhuma mágoa ao final do torneio. "O trabalho foi feito, cada um cumpriu o seu dever, a gente gostaria de ter ido muito mais à frente, mas o futebol é isso, tem que saber perder, saber ganhar", ressaltou, re­­correndo à linguagem esportiva. "Algumas vezes os outros ficaram chorando e nós sorrindo, alegres, desta vez foi o nosso momento".

Quando desembarcou em Por­­to Alegre, Dunga ainda não ha­­via afastado a possibilidade de continuar no comando da seleção. "Ago­­ra vamos descansar e daqui a uma semana ou duas, quando o pre­­sidente [da CBF, Ricardo Teix­­eira] voltar da África, a gente vai conversar", avisou aos repórteres que o es­­peravam no aeroporto.

Assim como na sexta-feira, logo depois da derrota, o treinador lembrou que seu projeto na seleção era de quatro anos, mas que em momento algum afirmou que o trabalho estava encerrado. "Falei desde o início que vai depender daquilo que o presidente quiser", repetiu. Pouco depois, a CBF anunciou em seu site oficial que a co­­­missão técnica estava dispensada.

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