
Porto Alegre - O técnico Dunga considerou a eliminação do Brasil da Copa do Mundo uma "fatalidade", sustentou que a seleção assumiu a atitude adequada à principal competição do futebol e espera que ela persista nessa postura. "É um trabalho que deve ser mantido para buscar os futuros resultados", afirmou, ao chegar a Porto Alegre, onde mora, ontem.
Aplaudido ao chegar ao estacionamento do Aeroporto Internacional Salgado Filho, o treinador referiu-se ao carinho dos torcedores como uma manifestação de quem viu o trabalho que foi feito e assegurou que não voltaria atrás nas decisões que tomou.
"É aquilo que nós tínhamos projetado desde o início, de resgatar esse amor em redor da seleção brasileira, de a seleção ser muito parecida com o povo, trabalhadora, foi aquilo que fizemos", disse. "O povo viu que os jogadores estavam comprometidos, focados; ninguém viu polêmica, bagunça, (ficaram) 42 dias juntos sem nenhum atrito, cada um buscando seu espaço, tentando representar o Brasil da melhor maneira".
Mesmo reiterando que o trabalho foi aquele que havia sido planejado, Dunga admitiu a decepção ao falar de seus sentimentos diante da eliminação precoce da Copa do Mundo. "A sensação é que um pedaço de nós ficou na África do Sul", revelou.
O técnico lembrou que nos quase quatro anos sob seu comando a seleção só perdeu seis jogos, foi campeã da Copa América e da Copa das Confederações, conseguiu a classificação para o Mundial sem sobressaltos e estava fazendo uma boa campanha na África do Sul, para lamentar que, "na hora em que a equipe começou a se acertar, tivemos essa fatalidade", referindo-se ao fato de o Brasil tomar dois gols em jogadas de bola parada, consideradas um dos pontos fortes da equipe, quando perdeu para a Holanda.
Ao final da entrevista, Dunga garantiu que não ficou com nenhuma mágoa ao final do torneio. "O trabalho foi feito, cada um cumpriu o seu dever, a gente gostaria de ter ido muito mais à frente, mas o futebol é isso, tem que saber perder, saber ganhar", ressaltou, recorrendo à linguagem esportiva. "Algumas vezes os outros ficaram chorando e nós sorrindo, alegres, desta vez foi o nosso momento".
Quando desembarcou em Porto Alegre, Dunga ainda não havia afastado a possibilidade de continuar no comando da seleção. "Agora vamos descansar e daqui a uma semana ou duas, quando o presidente [da CBF, Ricardo Teixeira] voltar da África, a gente vai conversar", avisou aos repórteres que o esperavam no aeroporto.
Assim como na sexta-feira, logo depois da derrota, o treinador lembrou que seu projeto na seleção era de quatro anos, mas que em momento algum afirmou que o trabalho estava encerrado. "Falei desde o início que vai depender daquilo que o presidente quiser", repetiu. Pouco depois, a CBF anunciou em seu site oficial que a comissão técnica estava dispensada.



