
Parte de uma geração marcada pelo fracasso de não conseguir classificar o Brasil para a Olimpíada de Atenas, em 2004, deu a volta por cima para estar na Copa da África do Sul. Essa é a realidade de cinco jogadores do grupo de Dunga.
O goleiro Gomes, o lateral-direito Maicon, o meia Elano e os atacantes Robinho e Nilmar estavam na equipe que deu vexame na seletiva para a edição grega dos Jogos, realizada no Chile, em janeiro daquele ano.
Além do péssimo desempenho em campo, aquele time ficou marcado pela indisciplina fora dele. Durante a competição, uma foto de Robinho baixando a bermuda do meia Diego (hoje da italiana Juventus, mas sem vaga na Copa) em plena concentração brasileira, rodou o mundo como símbolo da falta de compromisso e de seriedade.
Na época, a CBF dizia apostar pesado para conseguir a medalha de ouro olímpica, único título de expressão jamais conquistado pelo futebol brasileiro. Uma comissão técnica específica para o torneio foi montada e os atletas fizeram um cronograma especial de treinos na Granja Comary, em Teresópolis, desde o fim do ano anterior.
Hoje no São Paulo, o treinador Ricardo Gomes e o preparador físico paranaense Carlinhos Neves foram os responsáveis por formar a equipe. No elenco haviam dois jogadores de destaque no futebol do Paraná: o atleticano Dagoberto e o coxa-branca Marcel.
Coincidência ou não, após a derrota que selou a eliminação, para o Paraguai, na última rodada, por 1 a 0, nem os paranaenses, nem vários outros nomes tidos como grandes revelações jamais chegaram às fileiras da seleção principal.
Entre eles, o goleiro Juninho, hoje no Paraná. Ele era o reserva de Gomes. Dos 20 convocados, a metade nunca mais retornou para uma equipe selecionada pela CBF Adaílton, Edu Dracena, Rodolfo, Fábio Rochemback, Paulinho, Paulo Almeida e Wendel completam o grupo dos descartados.
Sorte de quem conseguiu recuperar-se do fiasco e manteve o trajeto dentro da seleção brasileira. Robinho é o único daquele tempo que chegou já à Copa de 2006. Outros cinco (Alex, Diego, Maxwell, Dudu Cearense e Daniel Carvalho) tiveram chances com Dunga, mas não vingaram com a camisa canarinho.
Dos quatro restantes que estão na África, Nilmar jogou na França, no Corinthians, no Internacional e está no Villareal. Gomes também é destaque no Velho Continente, com atuações na Holanda e na Inglaterra. Elano já esteve na Ucrânia, na Inglattrera e hoje joga na Turquia. Enquanto Maicon é um dos principais ídolos da Internazionale de Milão, campeã europeia.
"Foi uma decepção, porque a gente tinha um grande time e não jogamos as Olimpíadas. Nós pensamos: Será que vamos voltar ao time principal? Será que vamos ter condição depois de não termos nos classificado?. É claro que tivemos dúvidas, mas todo mundo continuou batalhando e estamos aqui hoje", discursa o lateral-direito titular de Dunga, com um sentimento semelhante a todos que viveram aquela decepção e sacudiram a poeira.



