
Raymond Whelan é considerado foragido pela polícia do Rio. O principal executivo da Match, parceira da Fifa na venda de ingressos, teve sua prisão decretada ontem pela Justiça, junto com mais dez envolvidos na máfia de cambistas que atuava na Copa 2014. Quando os policiais foram prendê-los, o empresário inglês saiu por uma porta lateral do Copacabana Palace. A fuga foi flagrada pelas câmeras de segurança do hotel.
"Encontramos a televisão ligada, dois aparelhos celulares e todas as malas com as roupas dele. Tudo isso foi encontrado no quarto em que ele estava hospedado com a mulher", disse o inspetor de polícia Vicente Barroso.
O delegado Fábio Barucke determinou que Whelan fosse procurado em cinco locais. Também foram expedidos mandados para a Polícia Federal e a Interpol para evitar que ele deixe o país. No entanto, os advogados de Whelan já avisaram que seu cliente irá se entregar.
O executivo é acusado de participar do esquema de venda ilegal de ingressos VIP chefiado pelo argelino Lamine Fofana, detido pela operação Jules Rimet, da Polícia Civil do Rio. Ontem, a Justiça acatou o pedido de prisão de 11 dos 12 envolvidos. A exceção foi o advogado José Massih, que colaborou com as investigações.
O escândalo causa profundo constrangimento para a Fifa. A Match é subsidiária da Infront, empresa que tem como sócio Phillip Blatter, sobrinho do presidente da Federação Internacional, Joseph Blatter. Nem Blatter nem o secretário-geral Jérôme Valcke se pronunciaram sobre o tema.
O único posicionamento mais claro foi feito pela própria Match. Quarta-feira e ontem a empresa chamou a investigação de "arbitrária e ilegal". Também questionou a validade, como prova do envolvimento de Whelan, do vídeo divulgado pela Polícia Civil do Rio que mostra a negociação de um pacote de hospitalidade. "A polícia civil do Rio de Janeiro não é especialista na venda de ingressos e pacotes de hospitalidade da Copa do Mundo", diz a nota assinada pelo presidente da Match, James Byron.
O ministro do Esporte, Aldo Rebelo, disse que não há nenhum sinal de que a polícia agiu à margem ou acima da lei. O ministro-chefe da Secretaria-Geral da Presidência da República, Gilberto Carvalho, foi mais direto. "A postura do governo brasileiro foi a postura que a Polícia Civil do Rio de Janeiro adotou. Investigou e prendeu o principal responsável e está por prender aqueles outros. O governo não dialoga com bandido. É cadeia. Para nós essa é a punição adequada", afirmou.






