
Mesmo titular absoluto desde a Copa das Confederações, vencida em junho do ano passado, Luiz Gustavo é o jogador "invisível" da seleção brasileira. Em campo, o volante corre e marca para os companheiros jogarem. Fora dele, é ainda mais discreto.
"Não faço a mínima questão de ser conhecido, aparecer mais do que os outros. Eu sei que se conseguirmos o objetivo final, de conquistarmos a Copa do Mundo, eu serei lembrado", sentencia o paulista de 26 anos.
Quase sempre de cara fechada e fala grave, Luiz Gustavo refuta a fama de "bravo". "Sou quieto. Não consigo ficar sorrindo muito. Sou tranquilo. Mas dentro de campo me transformo, quero ganhar", comenta o atleta do Wolfsburg, da Alemanha.
O fato de ser o "sério" da turma gera algumas vantagens para o camisa 17. Escapa ileso das brincadeiras de um grupo recheado de "brincalhões", como o atacante Neymar, o zagueiro David Luiz e o lateral-esquerdo Marcelo. "Fico só observando, dou muita risada", diz.
Luiz Gustavo é peça-chave para Luiz Felipe Scolari. Com a subida dos laterais, Daniel Alves e Marcelo, Oscar na armação, Neymar e Hulk caindo pelas laterais do ataque e Fred centralizado, o volante tem a responsabilidade de dar equilíbrio defensivo de um time organizado para atacar.
Missão ainda mais complicada por Luiz Gustavo se tratar, como já definiu Felipão, do único "volante-volante". Paulinho, o outro titular da função, tem permissão para se aproximar e invadir a área adversária. Os reservas Ramires, Hernanes e Fernandinho também têm vocação ofensiva.
Preocupado com a proteção da zaga, e a cobertura das alas, Scolari o "proíbe" de marcar gols. "Quando eu fiz o gol no amistoso contra a Austrália [6 a 0, em 2013], ele disse brincando que está bom, não precisa mais, não quero isso", relembra Luiz Gustavo.
Alguém para dividir a tarefa só se Felipão mexer no sistema, escalando os zagueiros Henrique ou David Luiz improvisados na meia-cancha. Do contrário, Luiz Gustavo seguirá como o responsável por impedir os contra-ataques e perseguir o jogador "cérebro" dos rivais.
A dedicação com que cumpre as instruções o transformou em homem de confiança de Scolari. Os dois estão sempre conversando durante os treinamentos na Granja Comary, em Teresópolis. É Luiz Gustavo quem grita "vai, vai, vai" para o ataque sufocar a saída de bola do oponente e orienta o retorno da equipe para o próprio campo.
O bigode adotado desde o título da Copa das Confederações não é nenhuma homenagem ao chefe, garante o volante. "Desde pequeno, em mim, só cresce o bigode. Eu deixei crescer na Copa das Confederações, por acaso, e ganhamos. Se está dando certo, vamos deixar", explicou.



