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Política

Nas mãos do Estado

Aumenta a tensão e a guerra nos bastidores entre CBF e governo federal. Poder público fala abertamente em intervenção na entidade após a goleada por 7 a 1 da Alemanha

Felipão conversa com José Maria Marín, presidente da CBF: governo quer participar mais ativamente dos rumos do futebol no país | Moacyr Lopes Júnior/ Folhapress
Felipão conversa com José Maria Marín, presidente da CBF: governo quer participar mais ativamente dos rumos do futebol no país (Foto: Moacyr Lopes Júnior/ Folhapress)

A vexatória eliminação do Brasil na Copa-2014 deflagrou uma guerra entre o governo federal e a CBF. Um fogo cruzado até terça-feira restrito aos bastidores, que deve seguir intenso até as eleição presidencial de outubro com os dois grupos em lados opostos.

O primeiro ataque partiu do ministro do Esporte, Aldo Rebelo. Segundo o político, a derrota por 7 a 1 para a Alemanha evidencia a necessidade de mudanças no futebol brasileiro. Um processo que passa pela intervenção do Estado na Confederação e nas federações.

"O Estado não pode ser excluído da competência de zelar pelo interesse público dentro do esporte. A Lei Pelé tirou do Estado qualquer tipo de poder de atribuição e intervenção. Se depender de mim não teríamos tirado o Estado completamente dessa atribuição. Se depender de mim, parte dessa atribuição deve voltar", afirmou Rebelo, ontem, no Maracanã.

A CBF contra-atacou com Vilson Ribeiro de Andrade, chefe da delegação brasileira na Copa. O presidente do Coritiba chamou de oportunista a declaração de Rebelo e aproveitou para criticar a política do governo de apoio aos esportes olímpicos, via patrocínios estatais e Lei Piva.

"Depois de um 7 a 1, é muito oportunista vir falar em intervenção do Estado. O que o governo do PT fez no esporte amador? O que o esporte olímpico brasileiro ganhou em Londres? Essa conversa não cola", afirmou Ribeiro à Gazeta do Povo.

O presidente coxa-branca ganhou prestígio na CBF pela sua atuação no projeto da Lei de Responsabilidade Fiscal dos Clubes. O dirigente ajudou a tirar do substitutivo os itens que taxavam o faturamento da Confederação para projetos de fomento à iniciação esportiva. Medida para evitar que a lei fosse considerada inconstitucional, mas que acabou representando uma economia anual de R$ 30 milhões à entidade que gere o futebol brasileiro.

É exatamente nesse projeto de lei que Rebelo pretende incluir artigos que permitam a ingerência na CBF. Ribeiro considera inviável, mas o relator do projeto, deputado federal Otavio Leite (PSDB-RJ), vê não só possível essa alteração, como também retomar os artigos que taxam a Confederação.

"Há males que vêm para o bem. Sem dúvida o 7 a 1 ajuda a colocar na pauta desse projeto [um controle maior da CBF]. É a oportunidade de reorganizar o futebol do país", afirmou o tucano. "No plenário, tudo é possível. Se houver a oportunidade, pretendo retomar esse ponto [que taxa o faturamento da CBF]", prosseguiu.

Não há previsão para o projeto ir à votação. Ele saiu da pauta antes da Copa por intervenção do governo. Agora, com a disposição apresentada por Rebelo, é quase certa uma movimentação da bancada de situação para atualizar e votar o projeto.

A CBF já prepara a defesa dos seus interesses. Em Brasília, os principais lobistas da entidade são o vice-presidente para o Centro-Oeste, Weber Magalhães, e o assessor parlamentar Wandemberg Santos Machado. Também deve intensificar a campanha da entidade pró-Aécio Neves na eleição de outubro.

Outro obstáculo é imposto pela Fifa. Na quarta-feira, a Federação da Nigéria foi suspensa após o governo local ter demitido toda a cúpula do futebol do país africano. As Super Águias foram eliminadas nas oitavas de final da Copa.

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