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Estádio

No aniversário de 320 anos, Curitiba não ganha Arena pronta

Estádio deveria ser entregue pelo Atlético e poder público nesta sexta-feira, mas últimas barreiras escancaram falta de sintonia entre as partes

Arena da Baixada ontem. Segundo os últimos dados do Atlético, obra do estádio está 56% pronta | Albari Rosa/Gazeta do Povo
Arena da Baixada ontem. Segundo os últimos dados do Atlético, obra do estádio está 56% pronta (Foto: Albari Rosa/Gazeta do Povo)
Arena da Baixada em abril de 2012, quando o clube anunciou que iria entregar hoje o estádio nos padrões Fifa |

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Arena da Baixada em abril de 2012, quando o clube anunciou que iria entregar hoje o estádio nos padrões Fifa

Era para Curitiba ter um aniversário diferente hoje. Nos 320 anos da capital, uma festa com direito à presença da seleção brasileira para inaugurar um dos estádios mais modernos do Brasil. Um marco na preparação da cidade para a Copa do Mundo e na história do Atlético.

Porém, onde hoje Neymar poderia ser uma das estrelas, estão andaimes e tratores. Nas arquibancadas que os rubro-negros celebrariam mais um capítulo da sua paixão, mal se sabe quantos degraus estão instalados.

A expectativa não se confirmou. No fim de 2011 o então secretário municipal da Copa, Luiz de Carvalho, revelava que o governador e o prefeito articulavam um amistoso do Brasil no aniversário da cidade, e o presidente Mario Celso Petraglia dizia, em abril, que "entre os dias 26 e 29 de março de 2013 vivenciaremos com grandes festejos e muita alegria a reabertura da Arena da Baixada".

O estádio chega à data prevista como um canteiro de obras. Atrasado e mais caro – uma reavaliação essa semana apontou a elevação do custo para R$ 209 milhões –, o palco do Mundial só deve ser entregue em dezembro deste ano. E com ajustes por fazer. Até lá, mais entraves a serem desatados, como ocorreu durante todo o desenrolar da obra.

Ao menos um dos mais desgastantes episódios deste processo está perto do fim. Em duas semanas é esperado o desfecho das desapropriações dos últimos três imóveis no entorno do estádio. Solução cobrada há 15 dias pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).

De acordo com a Agência Fomento Paraná, intermediadora do empréstimo, o banco condicionou a liberação da segunda parcela, no valor de R$ 32 milhões (a primeira foi de R$ 26 milhões) a uma solução sobre o tema.

"A prefeitura não fez a lição de casa. Não resolveu as desapropriações e está atrasando o repasse do dinheiro, que poderia estar liberado desde a semana passada. Agora, o BNDES quer uma solução, uma resposta. Está atrasando a obra, por causa de três casinhas", cobrou o diretor de Mercado e Relações Institucionais da Fomento Paraná, Alexandre Teixeira, em mais um capítulo da falta de sintonia no convênio entre clube, prefeitura e governo montado para concluir o estádio.

A cobrança surpreendeu o responsável pela secretaria extraordinária da Copa, Reginaldo Cordeiro. "Soube que o dinheiro já está liberado. Não está condicionado à desapropriação", rebateu, reforçando o desencontro de informações.

O advogado dos moradores, Julio Brotto, informou que um dos imóveis já teve o valor redefinido e o montante depositado pela prefeitura, faltando apenas a avaliação judicial de outros dois a serem entregues na próxima semana. A partir daí, cada morador pode levantar 80% do depósito, enquanto segue a discussão dos valores, que podem ser reajustados ou reduzidos.

"Os moradores vão cumprir as determinações da Justiça. Vão receber e sair. Mas a discussão continuará, pois se contesta a legalidade dessa desapropriação, que retira de um particular para dar o imóvel a outro particular. De acordo com um parecer do Ministério Público, chega a se aproximar de uma improbidade administrativa", alega o advogado.

Em primeira instância, os argumentos não aforam aceitos e o processo segue no Tribunal de Justiça. Em paralelo, foi impetrado mandado de segurança no qual são contestados os valores oferecidos pela prefeitura.

Cordeiro, confirmou que já foram necessários aportes extras à oferta inicial do poder público. "Tudo isso só corrobora para demonstrar como todo o processo foi mal dimensionado. Houve visita de advogados do Atlético às famílias oferecendo ajuda de custo nas remoções. Comprova a relação quase incestuosa entre particular e administração pública", reforça Brotto.

PolíticaFalta de transparência incomoda até a prefeitura

Cobrado para dar transparência à obra, cujo orçamento tem dois terços bancados por dinheiro público, o Atlético não se manifesta. Antes constantes, as atualizações sobre o andamento da reforma datam de 15 de janeiro. Na época, a Arena da Baixada estava com 55,82% de conclusão.

Nem mesmo o ex-jogador, ídolo rubro-negro e vereador Paulo Rink, atual presidente da Comissão da Copa da Câmara Municipal, teve seu pedido de informações respondido pelo clube.

A falta de dados incomoda. "Não temos acesso. O Atlético precisa entender que a transparência está prevista no convênio com o estado e a prefeitura. Além disso, cabe ao município formar uma comissão executiva responsável por acompanhar o cumprimento do cronograma", explicou o secretário municipal da Copa, Reginaldo Cordeiro.

Segundo ele, a última gestão apenas referendava as auditorias feita pela prestadora de serviço PricewaterhouseCoopers. "Agora nós queremos acompanhar melhor o processo e a comissão [da prefeitura] será refeita", acrescenta.

Segundo ele, uma visita à fábrica onde são construídas as estruturas metálicas foi agendada para a próxima semana.

A Comissão da Copa da Câmara de Vereadores também se ressente de mais acesso às obras de conclusão do estádio. Outro problema, de acordo com o vereador Pedro Paulo – que presidiu o grupo até o fim do ano passado –, seria a demora do executivo em regulamentar as emendas aprovadas em dezembro, exigindo transparência e as contrapartidas do clube diante do aumento em R$ 30 milhões no repasse dos valores do potencial construtivo – crédito virtual concedido pela prefeitura para se construir imóveis de tamanho acima do estabelecido pela legislação municipal.

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