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3º lugar

Obrigação melancólica

Destruída pela Alemanha na semifinal, a seleção brasileira decide o terceiro lugar com a Holanda. Vitória deve servir de consolo na triste despedida coletiva

O goleiro Júlio César entra em campo para o último treino em Teresópolis: arqueiro de 34 anos tem pouca chance de disputar a próxima Copa | Hugo Harada, enviado especial/ Gazeta do Povo
O goleiro Júlio César entra em campo para o último treino em Teresópolis: arqueiro de 34 anos tem pouca chance de disputar a próxima Copa (Foto: Hugo Harada, enviado especial/ Gazeta do Povo)

Se existe algo pior do que ser eliminado em casa com o placar mais humilhante de 20 participações em Copas do Mundo, talvez seja a obrigação de entrar em campo quatro dias depois para um confronto que vale quase nada. Com a missão de atenuar o vexame diante dos alemães, mas sem a garantia de que até uma vitória convincente tenha efeito, o Brasil faz hoje a disputa de terceiro lugar contra a Holanda, em Brasília.

Confira o resultado da enquete: A decisão do terceiro lugar deveria ser disputada?

Mesmo antes de começar, o jogo entra para a história como o mais melancólico da seleção em Mundiais. Das 103 partidas que disputou em Copas até agora, em apenas quatro o time brasileiro atuou para cumprir tabela, sem possibilidade de título.

Em 1930, entrou eliminado na segunda e última partida, contra a Bolívia, após ter perdido na estreia para a Iugoslávia (2 a 1). Mas era apenas a primeira Copa realizada até então e o Brasil nem de longe figurava como a potência de hoje. Nas três vezes em que chegou à disputa de terceiro lugar, a situação também foi bem diferente da atual. Em 1938, a vitória sobre a Suécia (4 a 2) foi festejada nas ruas e utilizada politicamente pelo então presidente Getúlio Vargas.

Em 1974, o time comandado por Zagallo não segurou a Laranja Mecânica holandesa na semifinal. O resultado não chegou a ser considerado um vexame, porém desmotivou a equipe, que perdeu o lugar no pódio após derrota para a Polônia por 1 a 0. Quatro anos depois, o terceiro lugar conquistado na Copa da Argentina com uma vitória por 2 a 1 sobre a Itália valeu como uma taça de "campeão moral" e direito a volta olímpica. No quadrangular semifinal, argentinos e brasileiros empataram em número de pontos, mas os vizinhos passaram à decisão pelo saldo de gols, graças a uma suspeitíssima goleada por 6 a 0 contra o Peru, na última rodada.

2018

O clima de tristeza coletiva pela despedida no Mané Garrincha será agravado pela situação individual da maior parte dos jogadores e da comissão técnica. Titulares como Júlio César, Maicon, Fred e Hulk tendem a fazer o último jogo pela seleção. Já o cenário mais provável para a contestada comissão técnica liderada por Luiz Felipe Scolari e Carlos Alberto Parreira é de que continuem na função no máximo até o fim da temporada, não permanecendo para o próximo ciclo.

Por outro lado, o confronto serve como tábua de salvação para jogadores que não são unanimidade, mas podem compor a espinha dorsal da equipe que será montada para 2018. Dentre eles, jovens como Bernard, 21 anos, Willian, 25, e Luiz Gustavo, 26.

Eles se juntariam a um grupo com poucos cativos, como Neymar. Mesmo machucado, o atacante estará hoje no banco de reservas. Usado como "escudo" da CBF ao longo da semana contra as críticas pela goleada alemã, o jogador virou arma também para conter possíveis vaias da torcida no Mané Garrincha.

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