
O Palácio Iguaçu silenciou-se sobre a polêmica envolvendo o secretário estadual para Assuntos da Copa do Mundo de 2014, Mario Celso Cunha (PSB). O político, durante uma reunião do conselho do Atlético, ventilou a hipótese de o clube não saldar os repasses da União para a obra na Arena.
A única reação do governo Beto Richa (PSDB), em nota, foi ressaltar a idoneidade da Paraná Fomento, autarquia que participará diretamente da operação para viabilizar a reforma do estádio visando ao evento Fifa.
O órgão pegará emprestado R$ 138,4 milhões do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e os repassará à CAP S/A, sociedade criada para remodelar a praça esportiva.
Na edição de domingo, a Gazeta do Povo revelou por meio de um vídeo obtido com exclusividade que Cunha havia sugerido ao Atlético, em 2010, não pagar os empréstimos do poder público para conclusão do Joaquim Américo. O secretário era vereador, líder do prefeito Luciano Ducci (PSB) e presidente da comissão especial para Assuntos do Mundial à época.
A reação discreta do poder público, porém, não chegou à Assembleia Legislativa. As declarações do secretário acirraram os ânimos entre governo e oposição na Casa. Em discurso na tribuna, o deputado Tadeu Veneri (PT) cobrou um posicionamento oficial da prefeitura de Curitiba e do governo do Paraná.
Para o petista, é gravíssimo um representante do estado propor que uma entidade privada não honre seus compromissos, sobretudo diante das reiteradas afirmações do executivo estadual de que não há dinheiro em caixa, por exemplo, para aumentos salariais aos funcionários públicos.
"Ele não falaria isso se não tivesse conhecimento de que esse calote pode se materializar lá na frente", criticou. "O governo e a prefeitura precisam vir a público e dizer com todas as letras que empréstimos a um ente privado, que pretende obter lucro, precisam e devem ser honrados."
Na sessão de hoje, os parlamentares irão votar um pedido de informações proposto por Veneri, no qual ele requer ao governo do estado os valores e as condições dos empréstimos feitos pelo Atlético, além de cópias dos contratos firmados com base nas garantias oferecidas pelo poder público.
"As informações devem ser de amplo conhecimento público diante da dúvida levantada pela Gazeta sobre as condições morais e a conduta perante a legalidade administrativa do secretário", diz o documento.
Em resposta, o vice-líder do governo na Assembleia, Elio Rusch (DEM), minimizou as declarações de Cunha, já que elas foram dadas em 2010, quando ele ainda não era secretário.
Segundo Rusch, o governo honrará todos os compromissos assumidos com a Fifa e com o Atlético, uma vez que o clube colocou o CT do Caju e recebíveis da Arena (R$ 46,2 milhões) além do potencial construtivo da prefeitura de Curitiba (R$ 92,2 milhões) como garantia para os empréstimos.
"Não há nada demais [nas declarações]. Parece que a oposição está torcendo para que Curitiba caia fora da Copa. Não é o momento de olhar para partido, mas para o estado do Paraná como um todo", minimizou.
Sucessor vê depoimento como lapso
Cícero Bittencourt, especial para a Gazeta do Povo
O presidente da Comissão para Assuntos da Copa 2014 da Câmara Municipal de Curitiba, vereador Pedro Paulo (PT), preferiu adotar um tom ameno em torno das declarações do secretário estadual, Mario Celso Cunha.
Em 2010, conforme a reportagem da Gazeta do Povo revelou, o secretário da Copa sugeriu que o Atlético não precisaria honrar os financiamentos para o a reforma da Arena.
Pedro Paulo criticou a postura do antecessor no cargo municipal, mas caracterizou as palavras como um "momento de lapso" do vereador licenciado. Segundo o petista, não há possibilidade de haver um calote aos pagamentos dos recursos públicos.
"Como figura pública ele não poderia dar uma declaração para descumprir uma coisa que é exigida pela legislação. Se ele fez essa sugestão foi num momento de lapso porque está completamente incorreto. Não haverá a possibilidade de não pagar esses financiamentos", afirmou.
No entanto, exigiu um pronunciamento oficial de Cunha para esclarecer o episódio. "Não sei se um pedido de desculpas, mas ele tem de fazer um pronunciamento bastante categórico a respeito desta sua declaração, que foi infeliz e eu tenho certeza de que será corrigida", enfatizou.



