
Ainda dentro do Maracanã, depois de viver a emoção de ver a seleção brasileira derrotar a Espanha na empolgante final da Copa das Confederações no ano passado, o engenheiro carioca Thiago Pessoa decidiu que não queria assistir pela tevê aos jogos de uma Copa do Mundo no Brasil. A partir de então, ele montou uma estratégia para ir ao maior número possível de partidas. O primeiro passo foi descolar os ingressos. E para espanto das pessoas que não conseguiram comprar um mísero tíquete no site da Fifa, Thiago adquiriu 23 entradas inclusive para a abertura e para a final.
SLIDESHOW: Confira em imagens o caminho percorrido pelo torcedor
Não dá para dizer que Thiago teve sorte para conseguir os ingressos. Na fase de sorteio, ele não foi contemplado nenhuma vez. Nem recorreu a cambistas. Montou, então, uma força-tarefa, com a ajuda da mãe, da namorada e de amigos. Cada vez que uma nova fase de vendas era aberta, o exército de "aliados do Thiagão" entrava no site. Ele mesmo ia para a lista de espera em três dispositivos: dois computadores e um tablet. Acredita que compreender o funcionamento do sistema de compras ajudou para que tivesse êxito. Milhagens também renderam um par de ingressos.
Thiago programou as férias no trabalho para coincidir com o Mundial da Fifa. Obcecado por grandes eventos esportivos, de dois em dois anos, o flamenguista de 32 anos já prevê o mês de descanso para o período de Copa do Mundo e Olimpíada. Mas ficava restrito ao sofá. Não tinha tido a oportunidade de viver a emoção de presenciar as disputas.
As faturas gordas do cartão de crédito começaram a chegar, mês a mês. A "brincadeira" custou R$ 25 mil só com ingressos e passagens. Para diminuir gastos com hotéis (mais caros durante o Mundial) e usando o Rio de Janeiro como ponto de partida para os voos, ele tentava voltar para casa após cada partida. Com receio de se atrasar para o jogo do dia seguinte, Thiago nem tentou comprar entradas para as sedes mais distantes, como Manaus e Porto Alegre. Também nem pensou em Curitiba, temendo que o aeroporto ficasse sem teto (o que acabou não ocorrendo). Mesmo assim, a logística incluiu passar por sete das 12 cidades-sede. A empreitada contou com a companhia do amigo Marcio Ferreira, que foi colega de faculdade.
Cansado depois de tanta correria, Thiago acredita que valeu a pena e garante que faria tudo de novo. "É um sonho. O principal motivador é viver esse momento, ter uma história para contar, passar pela experiência de um grande evento no Brasil", resume. Ele viu 23 das 32 seleções participantes da Copa. Sabe o 5 a 1 da Holanda na Espanha? Thiago estava lá. Lembra o sofrimento da seleção brasileira nos pênaltis contra o Chile? Assistiu direto da arquibancada. E o massacre alemão de 7 a 1 no Brasil no Mineirão? Foi testemunha desse momento histórico. E quando Alemanha e Argentina entrarem em campo, no domingo, para ver quem ergue a taça da Copa do Mundo no Brasil, o engenheiro também estará lá, juntamente com milhares de brasileiros que esperavam ver a "final das finais" dentro do próprio país.
Logística maluca
Desde o dia 12 de junho, quando começou a Copa, Thiago Pessoa vive uma maratona constante. As passagens aéreas acabaram custando um pouco mais do que as entradas nos jogos. E mesmo comprando com antecedência de mais de dois meses, teve dificuldade para encontrar voos. "Às vezes não tem nem ônibus para o horário em que precisava estar em outra cidade", diz. Foi o que aconteceu na saída do Recife, rumo a Brasília. Sem voo direto de Pernambuco, ele comprou passagem saindo de João Pessoa, a 120 quilômetros de distância. Com o jogo Costa Rica e Grécia indo para a prorrogação e para os pênaltis, ele perdeu o último ônibus rumo à capital paraibana. Precisou pegar uma van para chegar até lá e garantir presença no dia seguinte, na disputa entre França e Nigéria.





























