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Final

Rio argentino

Torcedores da Alviceleste tomam conta da capital carioca. Até a final, domingo, são esperados 70 mil hermanos na cidade do Maracanã, muitos parando em acampamentos improvisados e desesperados por um ingresso para a final

Argentino faz malabares no acampamento improvisado no Terreirão do Samba, no Centro do Rio | Albari Rosa, enviado especial/ Gazeta do Povo
Argentino faz malabares no acampamento improvisado no Terreirão do Samba, no Centro do Rio (Foto: Albari Rosa, enviado especial/ Gazeta do Povo)

Dez minutos de temporal causaram diversos pontos de alagamento na Zona Sul carioca, ontem à tarde, mas não abalaram o ânimo de um grupo de argentinos que jogava uma pelada no posto 8 de Copacabana. Eles encenavam à exaustão a disputa por pênaltis contra a Holanda, que um dia antes classificou o país para a primeira final de Copa após 24 anos.

Uma demonstração de resistência à chuva e domínio territorial. Copacabana é argentina. O Terreirão do Samba é argentino. O Sambódromo será argentino a partir de hoje. Até domingo, o Rio será argentino.

São esperados 70 mil argentinos na cidade para a final contra a Alemanha. Uma invasão que mudou a paisagem, o cheiro e o sotaque carioca.

As camisas amarelas sumiram da orla. Hoje mandam uniformes alvicelestes com três listras sobre o ombro e, quase sempre, o nome de Messi às costas. Muitos vestem o fardamento de seus clubes. Na falta de camisa, o dorso é pintado de azul e branco.

Há apenas duas trilhas sonoras. "Volveremos! Volveremos!/ Volveremos otra vez!/ Volveremos a ser campeones/ Como en el 86!" é uma. A outra é a que provoca os brasileiros a dizer o que sentem com a presença argentina no país, fala da lembrança do gol de Canniggia em 90 e crava Maradona maior do que Pelé.

A areia da praia é mesa de bar, campo de futebol e cama. Quem veio sem dinheiro para hotel, improvisa um leito à beira-mar com barracas ou protegido por bandeiras.

Aqueles que vieram motorizados se concentram perto do Maracanã. O Terreirão do Samba, no Centro, virou estacionamento de carros, motorhomes e barracas. São 4 mil argentinos empilhados sobre o concreto do espaço criado para eventos durante o carnaval, cena que desde ontem começou a se repetir na Marquês de Sapucaí.

O cheiro de churrasco é permanente, temperado por um leve odor de maconha. Quem não tem barraca se acomoda no banco do carro, no porta-malas ou mesmo debaixo de marquises, junto com a população permanente de moradores de rua da cidade.

Além de espaço, os moradores de rua disputam com os argentinos pratos de comida. Os restaurantes populares da cidade, que vendem refeição a R$ 1, viraram buffet de luxo para os visitantes.

Para evitar que a invasão repita os problemas de violência observados em Belo Ho­­rizonte e Porto Alegre, o esquema de segurança da final será reforçado. Foram escalados 15 mil homens para a operação e as delegacias no entorno do Maracanã terão efetivo 30% maior.

A principal preocupação é com furto de ingressos. Ontem, vários argentinos já circulavam pela região do estádio à procura de bilhetes. Um deles implorou à reportagem que lhe vendesse a credencial de imprensa.

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