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Criador do Pinheirão, Lolô renega o ‘filho bastardo’

“Tenho vergonha daquilo”, conta o importante arquiteto curitibano. Aos 89 anos, ele revela: “Nunca pisei lá”

  • André Pugliesi
Ayrton Lolô Cornelsen com o projeto inicial do Pinheirão, plano arquitetônico que acabou servindo de base para a reforma do estádio do Coritiba, em 1958 |
Ayrton Lolô Cornelsen com o projeto inicial do Pinheirão, plano arquitetônico que acabou servindo de base para a reforma do estádio do Coritiba, em 1958
 
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Não fosse por Ayrton Lolô Cornelsen o Pinheirão poderia nunca ter existido. Foi o arquiteto curitibano quem idealizou o projeto original, em 1948. Plano encampado por ele somente em 1966, barrado em seguida e, mais tarde, modificado. Hoje, com o estádio em vias de ser vendido e demolido, Lolô sentencia: “foi um horror”.

“Não teve forma, não teve estilo. Foi feito todo remendado. Cada diretor que aparecia modificava o estádio. Tenho de ficar dizendo sempre que não fui eu que fiz aquilo, apenas comecei. Tenho vergonha. Nunca pisei lá”, reforça o curitibano, 89 anos, um dos principais nomes da arquitetura no Paraná.

O plano surgiu em 1948, graças à disposição do então governador Moysés Lupion de fortalecer o futebol do estado, à época sem uma praça esportiva de grande porte. Mas só foi tomar corpo anos depois, em 1953, como Estádio Olímpico do Paraná. Nesta data, Cornelsen indicou a área do Tarumã como o local ideal para receber a empreitada.

A partir daí, o terreno foi viabilizado, a terraplanagem encaminhada e o projeto, finalmente, parecia sair do papel. “Nossa intenção era fazer um estádio com interesse econômico, que valorizasse aquela região. Mas era uma aventura, muito diferente de hoje em dia”, lembra Lolô.

Para financiá-lo, o arquiteto e pai da ideia pretendia implantar um sistema de venda de cadeiras – esquema utilizado na conclusão do Maracanã. “Seria necessário vender 5 mil cadeiras e 72 camarotes para cobrir os custos. O estádio teria capacidade para 45 mil pessoas e abrigaria também diversas repartições públicas e comércio. Seria autossustentável”, relembra Lolô.

Porém, em virtude de alguns desencontros, o primeiro “gigante de concreto armado” paranaense não saiu do chão e o projeto acabou servindo de base para a reforma do estádio do Coritiba, então presidido por Arion Cornelsen, irmão de Lolô, iniciado em 1958.

Apenas em 1966, o Pinheirão foi retomado.

Veio, então, o golpe que distanciou para sempre Cornelsen da futura casa da Federação Paranaense de Futebol (FPF). O então responsável pela criação e estruturação do Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano de Curitiba (IPPUC), Jaime Lerner, vetou o projeto, sob a alegação de que traria transtornos para o trânsito da região.

“Fiquei muito decepcionado”, revela Lolô que, diante da negativa, saiu de cena. Três anos depois, em 1969, José Milani, presidente da FPF na ocasião, retomou o enrolado Pinheirão. Em 1972, as primeiras arquibancadas foram erguidas e, somente em 1985, já com Onaireves Moura presidindo a entidade, o estádio passou a ter vida própria.

“Gastaram um monte de di­­nheiro. Nunca ficou pronto nem nunca ficaria. Não teve sequência. Caso seja mesmo demolido, será um alívio”, afirma Cornelsen.

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