Encontre matérias e conteúdos da Gazeta do Povo
Copa 2006

Dida quebra tabu de 56 anos

Weggis, Suíça – Ronaldinho e Ronaldo foram poupados de parte do treino que ocorreu ontem pela manhã (início do dia no Brasil). Sem as duas maiores estrelas da seleção em campo, o público tinha tudo para se dividir nos aplausos entre Cafu, Kaká, Roberto Carlos... Mas preferiu Dida.

O goleiro entrou em campo escutando centenas de crianças cantando em coro seu nome. Fez o aquecimento com gritos histéricos de muitos dos torcedores. Quando começou a atividade, bastava defender um chute para ser ovacionado. No momento de descontração, desafiou o colega Rogério Ceni para uma disputa de pênaltis. Venceu o duelo – e levantou a ar-quibancada atrás do gol.

Titular absoluto, o atleta é a figura mais enigmática entre os 23 convocados. Para muitos, trata-se de uma pessoa tímida, introspectiva. Outros o consideram arrogante e frio. Durante todo o surpreendente calor humano que recebeu em Weggis, ele retribuiu com acenos discretos. E reacendeu a polêmica.

A dúvida sobre a personalidade desse baiano de 32 anos deve pairar por muito tempo. Arredio com os jornalistas, ele tem evitado dar entrevistas. É o único membro da seleção com esse comportamento.

Ontem, por exemplo, depois do apoio recebido na Suíça, onde jogou uma temporada pelo Lugano, escutou alguns apelos para falar no microfone. Ignorou todos.

"Eu não sei o que acontece... É algo anterior à minha chegada na CBF", diz o assessor de imprensa Rodrigo Paiva. "Posso dizer apenas que dentro do grupo o cara tem outro comportamento. Não chega a ser expansivo, mas se relaciona de forma bem diferente", completa.

Uma das teorias para explicar o perfil arredio diz respeito à possível mágoa pelas denúncias feitas sobre seu passaporte comunitário falsificado. Como o documento não tinha amparo legal, ele foi impedido de atuar na Europa em 2003.

Mas de certo mesmo apenas o fato que Dida está fazendo história com a camisa verde e amarela. Desde 1950, com o lendário Barbosa, o time nacional não dava a camisa 1 para um negro em Copas.

Quem mais perto chegou de quebrar esse tabu foi Veludo, reserva no Mundial de 1954, na Suíça. À época, o suplente era considerado melhor que Castilho, porém teria sido barrado pelo preconceito. Em 1966, coube ao mulato Manga interromper rapidamente a hegemonia branca embaixo da baliza – ao substituir Gilmar no último jogo, contra Portugal.

Nas estatísticas, o jogador revelado pelo Vitória traz outro ponto interessante: a vaga conquistada na persistência. Assim como Valdir Peres, que amargou o banco em 74 e 78 e ganhou terreno na edição de 82, ele ficou à margem da escalação em 98 e 2002. Tanto um quanto o outro acompanhou 14 partidas de Mundial à beira do campo, na espera de uma oportunidade. Tal número de jogos na reserva é recorde no histórico da seleção.

Principais Manchetes

Receba nossas notícias NO CELULAR

WhatsappTelegram

WHATSAPP: As regras de privacidade dos grupos são definidas pelo WhatsApp. Ao entrar, seu número pode ser visto por outros integrantes do grupo.