
Bastou ao Paraná um empate em casa com a Portuguesa, e a torcida contestar o trabalho do técnico Ricardo Pinto, para que velhos, mas insistentes problemas financeiros se transformassem no foco principal do noticiário tricolor. Após o jogo de terça-feira, o treinador disse não ter recebido salário nos últimos três meses. Informou ainda não ter em mãos um contrato assinado com o clube no qual trabalha desde fevereiro. Ontem, após as polêmicas declarações, a corrida para tentar contornar a questão começou.
Na sede da Avenida Kennedy, representantes do principal patrocinador do time, a Sinoway, empresa chinesa de produtos agrícolas, se reuniram com o gerente social Luiz Carlos Casagrande, o Casinha, para tentar solucionar um problema que vem se arrastando há pelo menos três meses: o repasse das cifras do patrocínio aos cofres tricolores. O resultado do encontro, porém, não foi revelado.
Enquanto isso, funcionários da Vila Capanema, motivados pelo protesto solitário de Ricardo Pinto, resolveram pedir uma reunião fechada com a diretoria para cobrar dois meses de salários atrasados (leia mais nesta página). Mais uma vez, o assunto em ambas as sedes era um só: a falta de dinheiro.
De acordo com o que a Gazeta do Povo apurou, os R$ 100 mil mensais previstos de patrocínio, destinados a cobrir a maior parte do salário da comissão técnica, garantiriam também os vencimentos de uma fatia considerável dos funcionários do departamento de futebol, incluindo alguns jogadores.
Em viagem, o vice-presidente financeiro do clube, Celso Bittencourt, um dos responsáveis pela negociação com a Sinoway, evitou tecer comentários. Ao ser questionado se havia atraso de salários ou no repasse da verba de patrocínio, limitou-se a dizer. "Eu não vou entrar nesse assunto, pois pretendo resolver até amanhã [hoje]", afirmou. O presidente em exercício do Paraná, Aramis Tissot, não foi localizado para dar explicações.
O único a se pronunciar abertamente foi Alessandro Kishino, membro do departamento jurídico paranista. O advogado garantiu que Ricardo Pinto tem, sim, vínculo trabalhista com o clube: "Ele está registrado, é funcionário do Paraná". Kishino chegou inclusive a redigir um contrato para o treinador. "Fiz o contrato lá atrás, quando chegou. Se foi assinado, não sei", contou, dizendo não saber se os salários estão atrasados.
A situação tem se repetido nos últimos três anos, e influiu diretamente nos resultados na Série B do ano passado. Antes da parada para a Copa do Mundo da África do Sul, o Paraná detinha a liderança isolada. Na volta, um mês depois, despencou na tabela e chegou a se preocupar com o rebaixamento.



