Dinheiro. Se essa não foi a palavra mais citada na tarde de ontem, na reunião da chapa Revolução Paranista, certamente foi o principal assunto tratado pelos líderes do movimento que pretende assumir o controle do Tricolor em 2010. O panorama financeiro do clube e suas dívidas, que no fim do ano passado alcançaram R$ 7,6 milhões são os principais pontos de discórdia entre o grupo e os atuais comandantes do Paraná para uma possível aliança.
Enquanto Aramis Tissot e seus seguidores querem implantar um projeto para o futebol sem assumir as contas deixadas pela gestão anterior, o presidente Aurival Correia está irredutível quanto a fazer parte de uma união nessas condições.
"É absolutamente impossível alguém assumir sem ficar com as dívidas. O clube é um só", garantiu. "Eu não aceitaria ficar como presidente e dar o controle do futebol para eles. No primeiro problema, sobraria tudo para mim. Nas horas ruins todos vão embora. Quem assina, demite e contrata é sempre o presidente", emendou, afastando também qualquer possibilidade de uma divisão ente o futebol e a parte social do clube.
O ex-presidente Ernani Buchmann, um dos líderes da chapa Revolução Paranista, não condenou a posição de Aurival. "Ele precisa ter as garantias financeiras dele", disse. "Estamos estudando como administraríamos toda essa situação e quem teria qual função. Temos de ter certeza se dá para administrar o clube. Nossos estudos ficam prontos nesta semana e então vamos ter uma definição", confirmou.
Mesmo ainda não estando convencido sobre a viabilidade da proposta da Revolução, o atual presidente se mostrou aberto à uma composição e aguarda novos contatos para decidir se adere à proposta.
"Sendo bom para o Paraná, vou apoiar. Sempre vou apoiar algo que seja benéfico para o clube. Não tenho vaidade. Se pedirem minha ajuda, vou ajudar efetivamente, não apenas batendo palmas", proseguiu, dando a entender que poderia continuar atuando no clube, mas em outra função.
Refém da falta de recursos, o dirigente ressaltou as dificuldades para dirigir o time da Vila Capanema. "As nossas contas estão em dia, apesar de termos uma receita de televisão muito baixa. Não temos recursos, nem torcida que compareça nos momentos difíceis", disse.
"Não vejo o acesso como obrigação, mas sim como um desejo, uma vontade. Existem 20 times lutando para subir. Dentro de nossas condições, fizemos um bom trabalho. É claro que quero subir e dar alegria para o torcedor. Mas quem deve ser questionado é quem deixou o time cair, quando existiam altas verbas de tevê", completou.



