Encontre matérias e conteúdos da Gazeta do Povo
Coritiba

Estudante acusa PM de censura

Jovem de 18 anos diz que, antes do jogo entre Coxa e Vasco, usou o celular para registrar abordagens inadequadas. Depois, teria começado a ser hostilizada

Ana Paula de Lima: agressão pode terminar em processo | Daniel Castellano/ Gazeta do Povo
Ana Paula de Lima: agressão pode terminar em processo (Foto: Daniel Castellano/ Gazeta do Povo)

A estudante Ana Paula de Lima, de 18 anos, alega ter sido vítima de censura na abordagem realizada por oficiais da Rondas Ostensivas de Natureza Especial (Rone) durante a manifestação promovida por torcedores do Coritiba, sábado, quando a jovem acabou sendo vítima de agressão. O fato ocorreu antes da partida contra o Vasco e foi gravado e divulgado na internet, gerando polêmica nas redes sociais. Ontem, a torcedora fez exame de corpo de delito e cogita abrir um processo contra os policiais por abuso de poder e assédio moral.

Segundo relato da estudante ontem, à Gazeta do Povo, um grupo de torcedores se concentrou na Praça Santos Andrade para uma caminhada até o Couto Pereira a favor da paz. "Como fui a primeira a chegar, posso garantir que não houve nenhum excesso", diz. Ela conta que vários carros da polícia chegaram ao local, sob a alegação de denúncias de desordem, passando a abordar os participantes de forma violenta. "Foi aí que eu pensei: ‘Não vou deixar isso quieto’. Eu peguei meu celular e comecei a gravar."

A jovem afirma que a partir desse momento os oficiais passaram a hostilizá-la para encerrar a filmagem. "O PM ficou dizendo ‘acho que eu vou ter que quebrar um celular hoje’, insistindo para eu entregar meu aparelho para ele."

Quando a manifestação chegou à Rua Conselheiro Araújo, próximo ao Círculo Militar, a situação se agravou. "Dois deles vieram arrancar o telefone da minha mão, à força, e não conseguiram", conta a estudante, que diz não ter desacatado os policiais.

Nesse momento, ela decidiu colocar o celular na calça para proteger as imagens. "Quando o policial viu que [o aparelho] não estava mais na minha mão, ficou muito bravo, e começou a agressão física". A jovem sofreu escoriações nos ombros, joelhos, lábios e reclama de dores na região peitoral. O celular seguiu gravando o áudio de abordagem, que pode ser usado como prova contra os policiais.

Procurada pela reportagem, a PM informa que será aberto hoje um processo administrativo para avaliar o caso. De acordo com o tenente-coronel Nerino Marino de Brito, o vídeo produzido pela jovem passará por uma perícia.

Você pode se interessar

Principais Manchetes

Receba nossas notícias NO CELULAR

WhatsappTelegram

WHATSAPP: As regras de privacidade dos grupos são definidas pelo WhatsApp. Ao entrar, seu número pode ser visto por outros integrantes do grupo.