Encontre matérias e conteúdos da Gazeta do Povo
Copa 2014

Exigências da Fifa estouram orçamento da Arena

Mesmo com isenção tributária, custo do estádio salta 63% e vai de R$ 135 milhões para R$ 220 milhões. Atlético insiste em não bancar a diferença

Marcos Malucelli, presidente do Atlético, segue irredutível: clube  não irá gastar mais do que o programado inicialmente na conclusão da Arena para a Copa de 2014 | Marcelo Elias/ Gazeta do Povo
Marcos Malucelli, presidente do Atlético, segue irredutível: clube não irá gastar mais do que o programado inicialmente na conclusão da Arena para a Copa de 2014 (Foto: Marcelo Elias/ Gazeta do Povo)

A diretoria do Atlético se reuniu ontem com representantes da Comissão da Copa da Câmara Municipal de Curitiba e não deu boas notícias aos vereadores. A previsão de custos para a conclusão da Arena da Baixada visando ao Mundial de 2014 disparou de R$ 135 milhões para R$ 220 milhões, já contabilizando na conta a isenção fiscal por parte do poder público nos três níveis. O acréscimo de quase 63% se deve, principalmente, a novas exigências feitas pela Fifa depois da última edição do torneio, na África do Sul, em 2010.

O cálculo atualizado leva em conta a construção de um centro para a imprensa de 5 mil metros quadrados (R$ 12 milhões), a troca de todas as cadeiras do estádio por outras "reclináveis" (R$ 11 milhões), a aquisição de um gerador de energia elétrica (R$ 3 milhões), um sistema de ar condicionado nas áreas VIP e camarotes (R$ 1,5 milhão) e o rebaixamento do gramado com nova drenagem (R$ 1,5 milhão).

Só as exigências por parte da entidade alcançam R$ 29 milhões – o restante da diferença é relativo à própria execução da obra. O aumento no orçamento superou muito a previsão inicial – e otimista –, que se especulava em torno de R$ 40 milhões. Inde­pen­den­temente do valor, o Atlético, segundo a sua diretoria, não vai arcar com nada além do que o acordado entre o clube, a prefeitura e o governo do estado, que dividiriam os R$ 135 milhões iniciais em partes iguais.

"Quero deixar bem claro que desses R$ 45 milhões, o Atlético já gastou R$ 17 milhões [com projetos]. É o único que já gastou no estádio para a Copa. A prefeitura não colocou um centavo na Arena e o governo do estado também não", afirmou o presidente do Rubro-Negro, Marcos Malucelli.

A reclamação do mandatário atleticano vai além, principalmente porque não seria necessário tanto dinheiro para terminar o estádio nos moldes que o clube necessita. "Com R$ 30 milhões concluímos a Arena e teremos um estádio para 40 mil pessoas, bonito, moderno e novo. Para termos a Copa vamos ter que gastar 50% a mais do que necessitamos. O esforço do Atlético já foi além das suas necessidades, mas não poderá ir além das suas condições", seguiu Malucelli.

Com a negativa do Furacão em bancar o aumento, os vereadores saíram da reunião incertos sobre como cobrir o novo valor, deixando o imbróglio na mão justamente de quem não quer arcar com a despesa. "É uma questão a ser respondida pelo clube, que é responsável pelo estádio. Há um interesse grande de que a Copa seja realizada aqui e agora precisamos procurar uma saída e garantir recursos. Eles [os recursos] têm que vir pela iniciativa privada ou financiamentos pelo BNDES, mas a contratação é de responsabilidade do clube", disse o presidente da comissão, vereador Pedro Paulo (PT).

O grupo se reuniará com o governador Beto Richa para buscar uma solução. (sem data definida). De qualquer forma, Paulo aposta suas fichas no encontro com a presidente Dilma Rousseff, programado para o próximo dia 30 – a reunião será com representantes de todas as 12 cidades-sede. "No final do mês, em Bra­sí­lia, po­demos acreditar que uma saí­da será oferecida. É a nossa ex­­pec­­­tativa", concluiu o parlamentar.

Principais Manchetes

Receba nossas notícias NO CELULAR

WhatsappTelegram

WHATSAPP: As regras de privacidade dos grupos são definidas pelo WhatsApp. Ao entrar, seu número pode ser visto por outros integrantes do grupo.