
"Eu estava disposto a pagar o preço que fosse para estar lá", conta, enfático, o auxiliar de escritório Cristian da Silva Cardoso, 23 anos, sócio de carteirinha do Coritiba, sobre o dia 27 de agosto de 2011.
Apesar de a data marcar o penúltimo Atletiba da temporada, o Couto Pereira não era nem de longe o local onde o torcedor realmente gostaria de estar. Para ele, as folhas do calendário sinalizavam outro evento: o retorno do UFC ao Brasil após 13 anos.
Porém, como os 15.100 mil ingressos reservados para a primeira edição no Rio de Janeiro esgotaram em apenas 74 minutos, Cristian não conseguiu acompanhar in loco o esporte que, rapidamente, vem ganhando mais espaço em sua agenda. O futebol ainda é o carro-chefe, mas, às vezes, já fica em segundo plano. No Brasil, com a recente atenção da televisão aberta, pode ser chamado de fenômeno.
"Deixo de fazer algumas coisas, saio mais cedo de encontros de família, de churrascos, para só para assistir UFC", conta o fã do russo Fedor Emelianenko e do americano Dan Henderson.
"Não esperava tanto [crescimento]. Muita gente falava mal e hoje acompanha junto", acrescenta.
Em janeiro e em julho deste ano, no Rio e em Belo Horizonte, no entanto, o auxiliar de escritório finalmente realizou o sonho de ver o octógono mais famoso do mundo de pertinho. A próxima viagem, para o evento deste sábado, também já está programada. E, por isso, boa parte do salário do mês, comprometida.
"Entre passagem aérea, ingresso de cadeira não numerada, alimentação e duas diárias de hotel, devo gastar por volta de R$ 850", conta Cristian.
O valor é superior, por exemplo, ao seu plano anual de sócio coxa-branca. "Mas não tem preço poder ver ao vivo um nocaute espetacular como o do Edson Barboza", emenda, citando o favorito ao prêmio de melhor nocaute do ano.
A entrada mais em conta para o UFC 153 custa R$ 137,50. Já a mais cara, sai por nada menos do que R$ 1.800. Valores nada modestos para um fenômeno de público, que em breve deve lotar um estádio de futebol no país.
"Para mim vai ser um momento de empolgação, único, de arrepiar", antecipa o auxiliar administrativo Aristeu Magalhães, 25, amigo de Cristian, que irá pela primeira vez ao torneio neste sábado.



