
A paradona está com os dias contados. Será proibida a partir do dia 1.º de junho pela Fifa. A decisão foi tomada na manhã de ontem, em Zurique, na reunião da International Football Association Board (IFAB), órgão ligado à entidade.
É uma medida pensando diretamente na Copa do Mundo, mas que valerá para o Brasileiro (nas duas únicas rodadas do próximo mês), antes de a competição na África começar.
A jogada é uma versão moderna da forma inventada por Pelé para bater pênaltis. A diferença é que, enquanto o Rei realizava as "freadas" durante a corrida em direção à marca da cal, atualmente a mudança brusca no ritmo da cobrança está sendo feita quando o jogador chega na bola. Por aumentar em muito a dificuldade de o goleiro defender, o lance estava causando polêmica.
Na verdade, a resolução da Fifa é uma espécie de adendo para a regra 14, que já permitia a finta durante a cobrança. A intenção é evitar que a legalidade do lance dependesse, na Copa, exclusivamente da interpretação do árbitro. Ou seja, a partir de junho a paradinha de Pelé continua valendo. Já o paradão de Neymar está proibido.
"Simular na corrida para confundir os adversários é permitido, porém a finta quando o jogador vai chutar a bola é considerada uma violação", disse Jerome Valcke, secretário-geral da Fifa.
Para deixar a determinação com mais rigidez, o jogador que infringir a nova regra não só terá de repetir a cobrança, mas também receberá cartão amarelo pelo comportamento ser considerado antidesportivo.
Até ontem, a mudança ainda não havia sido informada oficialmente aos árbitros e bandeiras que vão à Copa. Por isso, o auxiliar paranaense Roberto Braatz, um dos defensores da paradinha, mantinha dúvidas sobre a nova determinação.
"Agora a dúvida é saber a hora que se considera que o jogador chega na bola. Acho que o exagero, como foi a paradinha do Neymar [no primeiro gol contra o Ceará], que passou o pé da bola e voltou, deve ser proibido", afirmou Braatz. Ele não concorda com o discurso de vários comentaristas, de que o paradão seria "uma covardia com os goleiros". "Temos de levar em conta que a infração dentro da área, quando é marcada, visa exclusivamente o gol, e não a defesa", completou.
Se Braatz, ainda sem acesso ao texto da emenda, estava na dúvida, o ex-árbitro e comentarista da Rede Globo, Arnaldo Cézar Coelho expressou ontem mesmo sua interpretação sobre a nova determinação.
"É fácil de ver. No caminho da batida, três ou quatro passos antes, pode, mas quando o jogador põe o pé de apoio ao lado da bola, o movimento do chute tem de ser contínuo. Não pode dar aquele piquezinho na grama, ou passar o pé por cima da bola", analisou Coelho.
Independentemente da intenção da Fifa, a mudança ajudará o desempenho do arqueiro na hora de defender uma penalidade máxima. Mas nem tanto...
"Essa nova determinação vai nos ajudar um pouco. Mesmo assim continua não sendo fácil pegar os pênaltis. Com a paradona, o batedor estava tendo muita facilidade. O goleiro não podia se adiantar, mas o batedor podia parar em cima da bola", disse o goleiro Neto, do Atlético.
Outra mudança para o Mundial será a "liberdade extra" do quarto árbitro para ajudar nas decisões durante os jogos. Após a Copa, a Fifa passará a incentivar o uso de dois auxiliares extras atrás dos gols, como aconteceu na última Liga Europa, formando uma espécie de sexteto de arbitragem.
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Interatividade
A decisão da Fifa de punir a simulação nos pênaltis não beneficia o infrator?
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