
Uma nova história para um novo Maracanã. O Atlético, que nunca havia vencido o Flamengo nos 11 duelos anteriores disputados no maior palco do futebol mundial, acabou com a escrita ontem, de virada, por 4 a 2. Resultado que mantém o time no quarto lugar do Brasileiro, agora com os mesmos 38 pontos do terceiro colocado Grêmio, e recoloca os atleticanos no prumo após somar somente dois dos últimos nove pontos possíveis. A reviravolta no placar ainda custou o cargo do técnico Mano Menezes, que pediu demissão após a derrota.
O péssimo começo de ontem, porém, levava a crer que o tabu perduraria e com facilidade. "Entramos desatentos, a 5 km/h. O Flamengo fez dois gols e teve chance de fazer quatro", resumiu o técnico Vagner Mancini. "Espero que tenhamos aprendido que esse tipo de atuação pode jogar fora uma campanha muito boa", alertou.
O Furacão sofreu uma pane geral antes mesmo de o relógio dar duas voltas completas. Com um minuto e meio, Hernane marcou de cabeça, na pequena área, aproveitando-se de uma defesa apática. Luiz Antônio tratou de acabar com o plano de jogo paranaense aos 7/1º, quando acertou chute da entrada da área.
O Atlético, que pretendia atuar com a velocidade dos contra-ataques a seu favor, era quem sofria com lances rápidos do time carioca. O goleiro Weverton e também o travessão evitaram um início ainda mais desastrado.
Só a partir do gol do espanhol Fran Mérida (20/1º), nascido em jogada individual de Marcelo, que os visitantes começaram a sair das cordas. "Demoramos para entrar no jogo e deixamos os caras jogarem. Ficamos uns 20 minutos nos defendendo, errando passes. Mas depois conseguimos igualar", resumiu o meia Everton.
A participação do técnico foi fundamental para a vitória. O atacante Dellatorre, que entrou no intervalo, empatou (8/2º) após assistência de Everton. Roger, que substituiu Éderson, deu o passe para Marcelo virar (32/2º). O próprio camisa 88, que fazia sua segunda partida pelo clube, ampliou após escanteio (35/2º).
"No segundo tempo, foi o Atlético que todos conhecem. Fizemos um grande jogo e conseguimos uma grande virada. Temos que pensar na Ponte Preta, domingo, para buscarmos nossa afirmação no G4", pediu Roger.
O descanso extra foram inéditos quatro dias desde a derrota para o Cruzeiro, sábado passado também foi importante para a virada. No segundo tempo, o time sobrou fisicamente e teve força para vencer. "A postura foi diferente [na etapa final]. Conversamos no vestiário e conseguirmos imprimir nosso ritmo. Deu no que deu", fechou o zagueiro Luiz Alberto.
Demissão
A virada sofrida para o Atlético, ontem, no Maracanã, custou o emprego do técnico Mano Menezes. Ele não aguentou a pressão e se demitiu do Flamengo, onde estava desde a parada da Copa das Confederações. "Estávamos fechando um ciclo de quatro meses e senti, no resumo do jogo, que não consegui passar para esse grupo aquilo que penso de futebol. E quando é assim, é porque o técnico precisa sair", falou o gaúcho, que deixa o Fla com 41% de aproveitamento em 17 partidas no Brasileiro. O time é o 15º colocado, a dois pontos da zona de rebaixamento.



