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Estádio

Atlético “ganha” a Vila em dia de acusações

Revoltado por não poder usar o Couto, Mario Celso Petraglia, presidente do Atlético, acusa o rival de traição. CBF indica o estádio do Paraná como casa rubro-negra

“O ‘homem bom’ se revelou um traidor! Traidor da confiança, embora se dissesse satisfeito e amigo. Fez tudo de causa pensada, de forma premeditada. Mesmo com meus 68 anos, faltam-me palavras para expressar a falta de ética do sr. Vilson.” | Daniel Castellano/ Gazeta do Povo
“O ‘homem bom’ se revelou um traidor! Traidor da confiança, embora se dissesse satisfeito e amigo. Fez tudo de causa pensada, de forma premeditada. Mesmo com meus 68 anos, faltam-me palavras para expressar a falta de ética do sr. Vilson.” (Foto: Daniel Castellano/ Gazeta do Povo)

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A Confederação Brasileira de Futebol (CBF) não quis comprar briga com o Coritiba e acatou o apelo do clube de não ceder o Estádio Couto Pereira ao Atlético para a disputa da Série B do Brasileiro. Por outro lado, colocou o Paraná na parede ao indicar a Vila Capanema como a casa rubro-negra nos três primeiros jogos do Furacão como mandante no Nacional – Barueri (1.º/6), Ipatinga (5/6) e Goiás (16/6).

A decisão da entidade máxima do futebol nacional foi unilateral e pegou de surpresa a diretoria tricolor. "Chegou apenas agora à noite essa determinação e amanhã [hoje] vamos analisar com mais calma para termos uma posição oficial", declarou o superintendente do Paraná, Celso Bittencourt.

O Tricolor já havia se posicionado contra uma possível escolha do estádio ao enviar um ofício à CBF informando que a Vila Capanema estaria fora de cogitação, principalmente em razão do excesso de jogos – o time joga simultaneamente as Séries B do Paranaense e do Brasileiro. No entanto, o clube ofereceu a Vila Olímpica como opção para o Rubro-Negro.

Apesar de ser uma determinação, o Paraná não pretende sair com o bolso vazio caso não consiga reverter a situação. "O uso de um patrimônio não pode ser feito sem que o clube receba por isso", acrescentou Bittencourt. O aluguel para cada partida do Estadual e da Copa do Brasil saiu por R$ 50 mil, mas a diretoria tricolor pretendia aumentar a pedida para R$ 75 mil durante o Brasileirão.

A decisão da CBF saiu exatamente no dia em que o presidente do Atlético, Mario Celso Petraglia, publicou uma carta no site oficial do clube acusando o presidente do Coritiba, Vilson Ribeiro de Andrade, de ser um "traidor". Segundo o dirigente rubro-negro, Vilson não teria cumprido o suposto acordo entre os times que cederia o Alto da Glória ao rival para a disputa da Segunda Divisão.

A carta, aliás, foi um indício da negativa do pedido atleticano de contar com o Couto Pereira. A resistência do Alviverde havia aumentado nas últimas semanas. Da mesma forma, o Rubro-Negro montou uma estratégia para tentar convencer a CBF. Levou o presidente da FPF, Hélio Cury, e o advogado do clube, Domingos Moro, ao Rio de Janeiro, mas a pressão não surtiu efeito.

A reportagem entrou em contato com a assessoria de imprensa do Atlético, mas foi informada de que o clube não se manifestaria a respeito da indicação do estádio do Paraná. O presidente da FPF, Hélio Cury, também foi procurado, mas não atendeu às ligações.

Entrevista

"Trair o Petraglia melhora o meu currículo"

O senhor leu a carta do Petraglia?

O dia que eu ler carta do Petraglia pode me internar.

Mas ele acusou o senhor de traidor?

Mas trair o Petraglia melhora o meu currículo. Vou ser levado nos braços pelo povo de Peabiru [sua cidade natal].

Mas houve traição?

Nunca traí ninguém. [Vale] o pensamento da torcida do Coxa e do Atlético também. Se procurar as pesquisas, 90% dos atleticanos são contra jogar no Couto. O Petraglia quer porque é uma obsessão pessoal para tentar dizer que quem manda no futebol do Paraná é ele.

Leia a entrevista completa com Vilson Ribeiro de Andrade

Foi feito algum acordo para ceder o Couto Pereira?

Não.

E como foi a decisão final?

Eu levei ao conselho, que negou, e eu comuniquei ao Petraglia. Aí ele fez um e-mail desaforado para mim, mas eu não entro nessa neura.

Ele diz que deixou de agir politicamente por ter recebido a sua garantia.

Isso nunca foi tratado. Eu disse que levaria para o conselho e que precisaria da aprovação. Agora ele inverteu porque recebeu um não da CBF também.

Ele defende que o senhor teria escondido a necessidade de aprovação do conselho.

Ele mente copiosamente nisso.

Você pretende levar isso à Justiça?

Não. Se ele acha que eu sou traidor, eu me sinto honrado. Tenho 63 anos e pega a minha ficha corrida. Agora pega a dele. Ninguém chega a CEO na maior multinacional do mundo se trai as pessoas. Ninguém vai jogar na lama.

Como você espera que isso termine?

Eu quero que o Petraglia seja feliz, que termine o estádio, que construa o sonho dos atleticanos e nós vamos construir os nossos.

Colaborou Adriano Ribeiro.

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