
O advogado Alexandre Knopfholz, 33 anos, e o analista de sistemas Victor Hugo Ferreira, 29, podem personificar a volta da torcida atleticana à Arena da Baixada hoje, às 19h30, após 1004 dias de ausência. O pequeno milagre necessário para o time bater o América-RN e avançar às quartas de final da Copa do Brasil é comparável ao esforço que os torcedores fizeram para seguir associados ao clube no período de peregrinação por dez estádios diferentes. A paixão pelo Rubro-Negro move ambos, assim como tantos outros fãs que respiram aliviados com a volta para casa hoje.
INFOGRÁFICO: Veja informações sobre a disposição da Arena
No setor 305 da Brasílio Itiberê, Knopfholz estará sentado ao lado do pai, na cadeira M043. Desde que a Baixada fechou no dia 4 de dezembro de 2011, o advogado ainda não viu o Atlético jogar in loco. "Por n razões, às vezes porque não era em Curitiba ou porque nunca me senti confortável na Vila Capanema. Também porque meus dois filhos nasceram nesse período, acabei não indo", conta.
Mesmo mais distante do seu clube do coração, ele seguiu sócio e ainda comprou duas cadeiras no nome dos pequenos Leonardo e Felipe. Atualmente, são R$ 450 mensais dedicados ao Furacão, mas a conta desses dois anos e nove meses supera os R$ 10 mil. "Confesso que em nenhum momento pensei em não continuar associado. A gente sabia que esse tempo longe seria doído, mas agora chegou a hora de aproveitar", diz Knopfholz.
Do outro lado da Arena, no setor 115 da Getúlio Vargas, Victor Ferreira estará na cadeira P22. Mesmo para quem presenciou todos os jogos na Vila Capanema (37) e no Ecoestádio (31), além de quatro viagens a Joinville, quatro a Paranaguá e uma a São Caetano do Sul, a expectativa pelo retorno é indescritível.
O exílio foi o maior teste da sua paixão. "Se manter como associado foi uma prova para toda a torcida. Foi um tempo de bastante incerteza, reflexão, mas que aflorou ainda mais meu sentimento, meu atleticanismo", garante Ferreira, que chegou a temer que o estádio não ficasse pronto se Curitiba ficasse fora da Copa.
Na conta do analista de sistemas, entram os R$ 4.980 divididos referentes às 33 mensalidades e a dedicação extra no trabalho para compensar as saídas para ver o sub-23 jogar às 14 horas. Ele entrava na empresa às 7 h, trabalhava direto até o início da tarde e ia para o estádio. Voltava ao batente às 17 h e só terminava o expediente duas horas depois.
"Valeu a pena, sem sombra de dúvida", crava Ferreira. "O sentimento é de alegria. Temos um estádio remodelado, moderno e uma maior perspectiva para o futuro", acredita.







