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Libertadores

Histórico de brasileiros na altitude é otimista para o Atlético

Retrospecto dos clubes nacionais nas alturas mostra que Furacão pode beliscar, no mínimo, um ponto contra o The Strongest

 | Hugo Harada/Gazeta do Povo
(Foto: Hugo Harada/Gazeta do Povo)

Mesmo com todos os problemas de jogar acima de 3 mil metros de altitude, os torcedores do Atlético podem acreditar em pelo menos um empate amanhã contra o The Strongest, às 19h45, em La Paz, e a consequente classificação para as oitavas de final da Libertadores. Um levantamento feito pela Gazeta do Povo com todas as partidas envolvendo times brasileiros que atuaram acima dessa altitude nessa competição mostra que, na maioria das vezes, o clube tupiniquim voltou com, no mínimo, um ponto na bagagem.

INFOGRÁFICO: Veja como a altitude pode afetar os jogadores

Desde 1960, quando começou a disputa continental, até hoje já foram 40 jogos de representantes nacionais, somando os confrontos em La Paz (3.660 m), Oruro (3.706 m) e Potosí (3.975 m), na Bolívia; além de Huancayo (3.259 m) e Cusco (3.310 m), no Peru. São oito empates, 13 vitórias e 19 derrotas brasileiras. Ou seja, em 52,5% das vezes a equipe brasileira retornou com pelo menos um ponto.

Quando a Libertadores começou a ser disputada, a diferença técnica era mais acentuada e o domínio brasileiro bem maior. Não é a toa que, nos últimos dez jogos, ocorridos desde o início de 2012, foram sete derrotas, dois empates e apenas a vitória do Atlético-MG por 2 a 1 sobre o The Strongest no ano passado.

No entanto, além do Galo campeão sul-americano em 2013, há outros exemplos recentes de times nacionais que superaram o problema da altitude e venceram. É o caso de Palmeiras 2 x 0 Real Potosí em 2009 e Flamengo 3 x 0 Cienciano em 2008. Até o São Caetano já venceu o The Strongest em La Paz: em 2004 por 2 x 0.

Entre as equipes do estado, o Paraná perdeu para o Real Potosí por 3 a 1 em 2007 e o Atlético empatou por 5 a 5 com o Bolívar em 2002, após ter virado o primeiro tempo vencendo por 5 a 1. Um resultado comentado até hoje por quem participou daquela partida e que deixou lições para o time rubro-negro que entrará em campo amanhã.

"O que aconteceu foi sobrenatural. No primeiro tempo a imprensa boliviana ficou abismada porque ninguém nunca jogou com aquela correria lá. Mas no semblante dos jogadores do Bolívar já dava para ver que eles não estavam preocupados com o 5 a 1 e que sabiam que no segundo tempo ia ser diferente", conta o lateral-direito Luisinho Neto.

"Quando chegou ao vestiá­rio o corpo amoleceu, vimos que era outro mundo. Parece que fechava o pulmão, era meio apavorante", admite o lateral. "Se tivesse mais cinco minutos de jogo nós teríamos perdido", resume Neto.

Naquela partida complicou ainda mais a situação atleticana as expulsões do atacante Ilan e do meia Adriano Gabiru, que ao fim do primeiro tempo estavam entre os que mais tiveram problemas com a altitude. Outro que sentiu bastante foi o atacante Dagoberto, autor de um dos gols rubro-negros. "Eu não senti tanto, mas eu via os companheiros com tontura, vontade de vomitar, não conseguindo correr. É complicado", lembra o zagueiro Nem. "Eu tive muita dor de cabeça depois do jogo", lembra o zagueiro Rogério Corrêa.

"Para os jogadores desse Atlético fica a dica para ter tranquilidade, tocar muito a bola e não ir em bolas perdidas", sugere Corrêa. "Tem de esperar o The Strongest atrás, tentar um contra-ataque e no segundo tempo ter fôlego para o tudo ou nada se precisar", opina Luisinho Neto.

Com a experiência de quem trabalhou na Bolívia por dois anos, o técnico Miguel Ángel Portugal também já deu dicas para o time. Neste sentido, os treinamentos na semana passada foram diferenciados, principalmente para os atletas se adaptarem à velocidade da bola. Os goleiros, por exemplo, chegaram a treinar com bolas de vôlei.

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