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Bom Senso FC entra em colisão com os clubes

Projeto de lei de parcelamento da dívida dos times, que será votado na Câmara na semana que vem, recebe críticas pesadas do movimento de jogadores

Vilson Ribeiro de Andrade, presidente do Coritiba e líder dos clubes, chega à reunião com o presidente José Maria Marín, da CBF | Wilton Junior/ Estadão
Vilson Ribeiro de Andrade, presidente do Coritiba e líder dos clubes, chega à reunião com o presidente José Maria Marín, da CBF (Foto: Wilton Junior/ Estadão)

O parcelamento da dívida dos clubes vai a votação na semana que vem em meio a um racha entre jogadores e dirigentes. Enquanto os cartolas correm para acertar os últimos pontos do projeto de lei com o governo federal, o Bom Senso FC emitiu nota criticando o texto que será apreciado no Congresso Nacional.

A previsão é de que, na próxima terça-feira, seja votada na Câmara a entrada do projeto na pauta em regime de urgência. Se passar por este primeiro crivo, o texto vai a plenário no dia seguinte. Depois, a matéria segue para o Senado e para sanção presidencial. A ideia é concluir o processo antes das eleições de outubro.

Ontem, o deputado federal Vicente Cândido (PT-SP), vice-presidente da Comissão da Câmara que discute a Lei de Responsabilidade Fiscal no Esporte (LRFE), esteve na sede da CBF, falando sobre a proposta aos 40 times das Séries A e B. Os clubes foram informados de que há alguns detalhes a serem costurados com o governo. Ainda esta semana deve haver uma reunião com o Ministério da Fazenda para fechar as condições de prazo para o pagamento da dívida e correção dos valores devidos.

O texto do deputado federal Otávio Leite (PSDB-RJ) prevê o parcelamento da dívida em 25 anos. Os clubes concordam com o prazo, mas ainda buscam uma melhor condição de multas e juros. Os dirigentes estão de olho no formato desenhado pelo governo federal no Refis da Crise. Neste programa, há mecanismos que permitem às empresas converter quase a zero a incidência de juros e multas.

"A dívida dos clubes é inchada por juros e multas e o Refis deu um desconto interessante às empresas. Vamos ver a possibilidade de trabalhar com o mesmo índice", afirmou o presidente do Coritiba, Vilson Ribeiro de Andrade.

As condições para o pagamento previstas no projeto de lei encontram resistência no Bom Senso FC. O movimento dos jogadores emitiu nota, ontem à tarde, dizendo que a LRFE está sendo apresentada "sob o disfarce de um suposto radicalismo que engana ainda boa parte da opinião pública". A principal crítica é quanto ao mecanismo de fiscalização: apresentação das Certidões Negativas de Débito, já que não haveria clareza no acompanhamento das CNDs e a única punição prevista é o rebaixamento.

"As CNDs não garantem o pagamento das dívidas, apenas certificam que os devedores negociaram as suas dívidas com seus credores. Muitos clubes recebem, por exemplo, patrocínio da Caixa e nem por isso estão em dia com as suas dívidas fiscais", cita a nota.

No domingo, o zagueiro Paulo André, um dos líderes do Bom Senso, havia feito duras críticas ao projeto e ao presidente do Coritiba. Em texto publicado no blog do jornalista Juca Kfouri, o jogador chamou o dirigente de "espertalhão" e "cara de pau" ao dizer que ele defende um texto que, na prática, não punirá ninguém. Também citou cinco pontos nos quais o projeto em tramitação difere da ideia dos jogadores.

"Se o Congresso e a presidente Dilma optarem por parcelar a dívida e consequentemente isentar os dirigentes pela infração, que a decisão seja tomada pela certeza da garantia de contrapartidas claras e severas, cuja fiscalização seja eficaz e a punição aos clubes e aos dirigentes seja direta", escreveu Paulo André, jogador do Shangai Greenland, da China.

"Todos os pontos que ele levanta estão na lei. Se ele não lê a lei, não posso fazer nada. Não entendo por que o Paulo André fica lá da China dando pitaco no que acontece aqui no Brasil", respondeu Andrade.

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