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Estádio

Brasília inaugura a era das rendas milionárias

Organização da partida entre Santos e Flamengo prevê uma receita de R$ 7 milhões com a comercialização dos 69,2 mil ingressos postos à venda

Inaugurado no último fim de semana, o estádio Nacional de Brasiília “importa” times da elite | Fernando Bizerra Jr./ EFE
Inaugurado no último fim de semana, o estádio Nacional de Brasiília “importa” times da elite (Foto: Fernando Bizerra Jr./ EFE)

Estádio de Copa do Mundo, renda inflada por ingresso caro e dois times se enfrentando em campo neutro. Principal jogo da rodada de abertura do Brasileirão-2013, o Santos x Flamengo de hoje, às 16 horas, no Nacional Mané Garrincha, em Brasília, inaugura um cenário que deve se tornar cada vez mais comum no futebol nacional.

A primeira marca histórica será registrada no borderô, com o novo recorde de renda do futebol brasileiro. A organização da partida prevê uma receita de R$ 7 milhões com a comercialização dos 69,2 mil ingressos postos à venda. Até sexta-feira já haviam sido vendidos 50 mil, o suficiente para bater os R$ 4,4 milhões arrecadados na semifinal da Libertadores de 2010, entre São Paulo e Internacional, no Morumbi.

O faturamento foi turbinado pelo preço dos ingressos. O setor mais barato, arquibancada superior, foi vendido a R$ 80 (meia-entrada). No setor VIP, o custo chega a R$ 400. Valores bem acima do preço médio da entrada no Brasil, de R$ 38, segundo estudo da Pluri Consultoria.

Embora recorde, a renda terá apenas uma fração destinada aos cofres do mandante. O Santos vendeu o jogo para o Grupo Águia, de Brasília, por uma cota fixa de R$ 800 mil. A Federação Paulista receberá outros R$ 200 mil. O valor restante irá integralmente para a promotora da partida. Um lucro milionário, que deve se repetir mais vezes ao longo do Brasileirão.

A mesma empresa negocia com o Flamengo a compra da partida contra o Coritiba, dia 6 de julho, na retomada do campeonato após a Copa das Confederações. O Atlético chegou a cogitar disputar algumas partidas nos estádios do Mundial do ano que vem, plano abortado após o acordo para jogar na Vila Capanema.

"Tenho ouvido falar de clubes interessados em vender seus mandos, mas ainda não chegou nenhum outro pedido à CBF", informou o diretor de competições da Confederação Brasileira de Futebol (CBF), Virgílio Elísio.

Recorrer a equipes de fora, mas com apelo junto ao torcedor local, é um artifício para aumentar a média de público em estados com futebol fraco. O Distrito Federal não tem representantes nas Séries A e B do Brasileiro – o Brasiliense joga a C. O Candangão-2013 teve frequência de 1.191 torcedores por jogo, inchada pelos 22 mil presentes na final, realizada no Mané Garrincha com ingressos a R$ 1.

Com estádios da Copa em construção e sem representantes nas principais divisões do Brasileiro, Manaus e Cuiabá se preparam para adotar o mesmo expediente. "Daremos aos clubes locais a oportunidade de estrear o novo está­­dio, mas também buscaremos um campeonato de caráter nacional. O futebol carioca desperta um fascínio no nosso torcedor que é interessante para potencializar a operação financeira do estádio", diz Miguel Capobianco, secretário de Copa de Amazonas.

Com a conclusão prevista para dezembro, as arenas da Amazônia e do Pantanal terão o seu calendário de eventos-teste fechado somente quando for escolhido o operador de cada estádio, perto da entrega da obra. Enquanto Manaus mira nos clubes mais populares da cidade para ampliar o faturamento, Cuiabá trabalha com a promessa de receber a seleção brasileira na inauguração. Será a chance de ter em campo um trunfo: Neymar (foto).

Com a apresentação para a Copa das Confederações marcada para terça-feira, o atacante, que assina contrato com o Barcelona na segunda-feira, fará o seu único jogo neste Brasileirão e último pelo clube que o revelou. Mais um trunfo para uma partida que já é um marco para o futebol brasileiro.

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