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Polêmica da ‘mão na bola’ opõe Fifa e CBF

Entidades trocam acusações sobre interpretação da regra que elevou o número de infrações duvidosas no Nacional

As últimas rodadas do Bra­­si­­leirão ficaram marcadas pe­­la profusão de lances polêmicos envolvendo a mão na bola – principalmente pênaltis questionáveis. O debate sobre quando as faltas devem ser marcadas ou não colocou em conflito a CBF e a Fifa.

O texto da regra, que considera infração apenas o toque deliberado, segue exatamente o mesmo. O que mudou — e tem gerado controvérsia entre as entidades — são as orientações repassadas aos árbitros sobre como agir nestas situações.

Durante a semana, o chefe da comissão de arbitragem da CBF, Sérgio Corrêa, defendeu que, segundo orientações da Fifa, toda vez que o jogador bloquear a bola com o braço, mesmo que de forma não intencional, a tendência é que o árbitro marque a infração.

Em entrevista a jornalistas brasileiros em Zurique, no entanto, o chefe de arbitragem da Fifa, Massimo Busacca, adotou outro discurso. De acordo com o italiano, "o árbitro precisa avaliar quando o jogador faz o gesto para ampliar o corpo no movimento", o que implica em considerar a intenção do atleta.

O presidente eleito da CBF, Marco Polo del Nero, re­­bateu. "É como o Sérgio Corrêa já falou e temos os vídeos [das orientações da Fifa], as provas", garantiu.

Em meio ao tiro cruzado entre os dirigentes, a pressão e a reclamação aumentam sobre os árbitros que atuam no Brasileiro. "O profissional tem de decidir na hora. Pode marcar mesmo tendo sido involuntário, de acordo com a nova recomendação. Outro fator é a atitude de risco: quando o jogador dá um carrinho na bola, por exemplo, ele assume o risco de ela tocar na sua mão e ser marcada a infração", atesta o presidente da comissão de arbitragem da Federação Paranaense de Futebol, Afonso Vítor de Oliveira.

"O que foi nos passado é que se o atleta expandir seu espaço com os braços, intencionalmente ou não, deve ser marcada a infração. Isso pede um cuidado extra dos jogadores", concorda o árbitro Rodolpho Toski.

No entanto, mesmo com as instruções, os árbitros brasileiros consideram o tema delicado e reconhecem que o "fator interpretação" segue pesando. Os jogadores, os que mais reclamam em campo, reconhecem a dificuldade da regra.

"Os juízes estão cada vez mais pressionados. É um lance complicado. O negócio é o atleta evitar ao máximo correr esse risco", recomenda o goleiro Marcos, do Paraná.

"Depende muito de cada lance, do momento. Às vezes pode acontecer uma coisa e o juiz interpretar outra. Ocorre com todo mundo", diz o atacante Joel, do Coritiba.

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