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Paranaense

Ligüera desponta como candidato a ídolo atleticano

Mal desembarcou na Baixada, o meia uruguaio já se transformou em peça fundamental na boa campanha do Atlético

Atuando na vaga deixada por Paulo Baier, Ligüera  tem comandado o Atlético dentro de campo | Walter Alves/ Gazeta do Povo
Atuando na vaga deixada por Paulo Baier, Ligüera tem comandado o Atlético dentro de campo (Foto: Walter Alves/ Gazeta do Povo)

Ainda é cedo para afirmar que Martín Ligüera é uma das melhores contratações da história re­­cente do Atlético. Mesmo assim, o início arrasador do uruguaio pelo Rubro-Negro já oferece motivos suficientes para o torcedor do Furacão se empolgar com o ex-jogador da seleção do Uru­­guai. Com apenas 160 minutos em campo, o meia marcou três gols e foi o principal responsável por conduzir o time na goleada por 4 a 0 contra o Corinthians-PR, na última rodada do Paranaense.

O bom toque de bola, a visão de jogo apurada, as finalizações certeiras, o espírito de liderança e a experiência dentro do gramado estão transformando o camisa 10 no novo maestro da Baixa­­da. O espaço deixado por Paulo Baier, com as seguidas lesões, parece estar sendo, cada vez mais, ocupado pelo uruguaio.

"Fiquei surpreendido pelo jeito que estão sendo as primeiras partidas, mas isso não é mérito só meu. Existe um grupo que me recebeu bem, me ajudou dentro e fora de campo e que assimilou a disposição tática que nos foi passada. Assim fica muito mais fácil adaptar-se", afirmou.

Tímido e de poucas palavras, Ligüera prefere espantar a pressão para se tornar um dos principais jo­­gadores da equipe montada pelo conterrâneo Juan Carrasco. Ele rechaçou a condição de possível ídolo da torcida e afirmou que ainda não se acostumou com as manifestações de carinho que têm recebido da ar­­quibancada. "Sou bastante auto­­crí­­tico. Sei quando joguei bem e quando joguei mal e gosto de reconhecer os erros, mas ainda fico en­­vergonhado quando ouço a torcida gritar o meu nome", confessou.

Nem mesmo a briga por posição com o garoto Harrison, de apenas 20 anos, parece incomodar o experiente meia, de 31 anos. Acostumado com os métodos de Carrasco, com quem já trabalhou no Fênix (URU) e na seleção uruguaia, Ligüera garante que o treinador irá escalar quem estiver no melhor mo­­mento. "O Carrasco se baseia no sistema de jogo, não nos jogadores. Quem está melhor joga, tendo 15 ou 40 anos", explicou.

Homem de confiança do técnico, o meia marcou 33 gols em 55 jogos pelo modesto Fênix, na temporada 2002-03. Juntos, Carrasco e Ligüera ajudaram o pequeno clube uruguaio a conquistar pela primeira vez na história a Liguilla, competição que dá acesso à Copa Libertadores da América.

Dez anos depois, a dupla se reencontrou em Curitiba – a pedido do treinador, que indicou seu antigo camisa 10 para a direção atleticana – e, mesmo com o hiato, comandante e comandado parecem estar em plena sintonia.

"Ele é exatamente o mesmo de 10 anos atrás. A torcida pode esperar sempre a equipe para frente, sempre tratando de buscar o resultado, sendo dentro ou fora de casa", sinalizou.

Ainda sem arriscar palavras em português, ele garante estar gostando das primeiras semanas no Brasil. Frequentar churrascarias tem sido a sua principal diversão. Mesmo sem ter completado um mês na capital paranaense, o uruguaio mostra que já está bem ambientado com a cidade. "O clima muda bastante. Faz chuva e sol no mesmo dia, mas é muito linda", afirmou Ligüera.

Concentrado para a partida de amanhã contra o Arapongas, Martín Ligüera, que tem contrato de dois anos com o clube, garante que, apesar do bom início do Atlético, é preciso manter o foco.

"Ainda não ganhamos nada. Estamos invictos, está ótimo. Mas fomos campeões? Subimos para a Primeira Divisão? Não. Não temos nenhum objetivo conquistado ainda. O mais difícil no futebol é manter-se jo­­gando bem. Temos que seguir por esse caminho", cravou.

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